No primeiro jogo de Copa do Mundo em continente africano, o primeiro gol da Copa-2010 foi marcado por num sul-africano. Tshabalala foi o autor da proeza. O apoiador dos Bafana-Bafanas abriu o placar contra o México, no Soccer City, e foi comemorar com os companheiros com uma dancinha. Mas depois o México empatou: 1 a 1 em Johannesburgo, placar final.
QUEM QUER FRANGO?
Que beleza... A Inglaterra estava derrotando os Estados Unidos por 1 a 0, num difícil jogo em Rustemburgo, quando o goleirão Green resolveu entregar a paçoca. Aos 40 minutos do segundo tempo, ele aceitou o despretensioso chute de Dempsey, da entrada da área. A bola passou por seus braços. Frango clássico! No dia seguinte, o goleiro da Argélia, Chaouchi, tomou outro frangaço contra a Eslovênia. Tanto Green quanto Chaouchi foram para o banco já na rodada seguinte, substituídos respectivamente por James e M'Bolhi.
GESTO ESTÚPIDO
A partida entre Sérvia e Gana caminhava para um morno 0 a 0, em Pretória, quando o sérvio Kuzmanovic resolveu acabar com a parada... para a sua seleção. Num cruzamento de Gana da esquerda, o jogador meteu a mão na bola acintosamente, aos 37 minutos do segundo tempo, e deu a Gana um pênalti. Gyan cobrou e garantiu a primeira vitória africana nesta Copa. Kuzmanovic, chateado, classificou seu gesto como "estúpido" e pediu desculpas ao povo sérvio.
CONFUSÕES E PROTESTOS
Durante a Copa do Mundo, não foram poucos os protestos de funcionários que trabalharam no Mundial. Depois de Alemanha x Austrália, em Durban, por exemplo, um grupo protestou contra o atraso nos salários e acabou se enfrentando com a polícia, que fez uso de cassetetes e bombas de efeito moral. Outros protestos foram registrados na Cidade do Cabo e em Johannesburgo, mas nenhum com gravidade.
AH, POULSEN...
Holanda e Dinamarca faziam um disputado clássico europeu numa bela manhã de sol em Johannesburgo. Mas uma verdadeira trapalhada do lateral Simon Poulsen abriu o caminho para a primeira vitória holandesa nesta Copa do Mundo. Van Persie cruzou da esquerda e o dinamarquês se enrolou todo, cabeceando para a própria rede e deixando os compaheiros Sorensen e Kjaer atônitos. A Holanda venceu o jogo por 2 a 0.
EMOÇÃO DO BAD BOY
A estreia era do pentacampeão mundial. O Brasil começava a Copa do Mundo enfrentando a Coreia do Norte, candidata a saco de pancadas do Mundial. Mas foi um norte-coreano que chamou a atenção, antes mesmo de a bola rolar. Jong Tae-Se, melhor jogador do time, chamado de Rooney Asiático e tido como bad boy, chorou copiosamente durante a execução do hino da Coreia do Norte, país comunista comandado pelo ditador Kim Jong-Il desde 1994 e que voltava a disputar uma Copa do Mundo depois de 44 anos. A imagem emocionou o mundo todo. A Coreia do Norte perdeu para o Brasil por 2 a 1, no Ellis Park.
ZEBRAS E MAIS ZEBRAS
As zebras passearam pelos gramados da África do Sul como nunca antes e deixaram os apostadores no prejuízo. Para começar, a poderosa Espanha, campeã europeia de 2008, estreou com derrota para a Suíça, por 1 a 0, em Durban. Dois dias depois, duas zebraças surpreenderam o mundo. A Alemanha, que tinha goleado a Austrália na estreia por 4 a 0, perdeu da Sérvia (1 a 0), em Porto Elizabeth; e a Inglaterra não passou de um empate sem gols com a Argélia, na Cidade do Cabo. A Itália também só empatou com a Nova Zelândia, que terminou a Copa do Mundo invicta, em 1 a 1, em Nelspruit.
AFRICANAZZO
Olha o Uruguai aí traumatizando mais um país anfitrião numa Copa do Mundo. Depois de derrubar o Brasil e provocar o Maracanazzo na final de 1950, a Celeste acabou deixando a África do Sul praticamente eliminada, já na segunda rodada. Em Pretória, Forlán e companhia passaram como um caminhão pela festa sul-africana e golearam os Bafana Bafana por 3 a 0. Àquela altura, a situação dos comandados de Parreira era delicadíssima. A África do Sul dependia de um milagre na última rodada, o que acabou não acontecendo.
BARRACO NA FRANÇA
Vice-campeã mundial em 2006, a França foi para a África do Sul só para provocar crise. Depois de perder para o México e ficar em situação delicada no Grupo A, os jogadores franceses promoveram uma rebelião contra o técnico Raymond Domenech e resolveram não treinar. No mesmo dia, o lateral Evra se envolveu numa briga com o preparador físico Robert Duverne. E, para piorar, o presidente da Federação Francesa de Futebol, Jean-Pierre Escalettes, pediu demissão. Antes, o jornal francês "L'Équipe" tinha estampado na capa o xingamento do atacante Anelka ao treinador, com palavrão e tudo. A crise francesa virou caso de estado. Domenech e Escalettes tiveram de ir à Assembleia Nacional, em Paris, para explicar aos deputados o que deu errado na África.
MÃOS FABULOSAS
"Foi chapéu de Pelé e mão de Maradona", explicou o Rei do Futebol sobre o golaço de Luis Fabiano, o segundo da vitória por 3 a 1 sobre a Costa do Marfim, no Soccer City. O gol, que veio depois de duas ajeitadas com o braço e um bonito chapéu, ganhou as manchetes dos jornais do mundo tudo. Ainda mais curiosa foi a reação do juiz, que deu um pequeno sorriso ao perguntar para Luis Fabiano se ele tinha usado o braço para tocar na bola.
A MAIOR GOLEADA
Contra o Brasil, a Coreia do Norte jogou fechadinha e perdeu apenas por 2 a 1. Mas aí foi enfrentar Portugal atacando, indo para cima e... tomou de 7. No primeiro tempo, Portugal fez apenas um gol. Mas na segunda etapa, a porteira abriu e a Coreia sofreu seis gols. Um deles foi um dos mais curiosos da Copa do Mundo. Cristiano Ronaldo dividiu com o goleiro Myong-Guk, a bola bateu em suas costas e caiu na frente. Foi só tocar e correr para o abraço. Que gol estranho, hein!
CIAO, AZZURRA!
Depois de empatar com Paraguai e Nova Zelândia, a Itália, atual campeã do mundo, precisava vencer a Eslováquia, estreante em Copas do Mundo. Mas a Azzurra parou nos próprios erros e perdeu por 3 a 2, dando adeus logo na primeira fase. E o jogo foi emocionante. No segundo tempo, a Eslováquia abriu 2 a 0, a Itália diminuiu, a Eslováquia ampliou para 3 a 1 aos 44 minutos e a Itália diminuiu depois. As duas seleções acabaram eliminadas. Foi a primeira vez na história que as duas finalistas da Copa anterior caíram logo na primeira fase.
OLHA OS ÓCULOS, SEU JUIZ!
Todo mundo viu, menos o árbitro Jorge Larrionda e seu assitente, Mauricio Espinosa. Num dos erros de arbitragem mais grotescos da história das Copas, o gol do inglês Lampard entrou, mas não valeu. A bola bateu no travessão, passou 33 centímetros da linha do gol, bateu no travessão novamente e foi para as mãos do goleiro alemão Neuer. A Alemanha vencia a Inglaterra por 2 a 1, seria o gol de empate. No fim, a Alemanha goleou por 4 a 1 e passou para as quartas de final. Os alemães foram à forra de 1966, quando o inglês Geoff Hurst teve um gol validado sendo que a bola nem entrou, na grande final.
TÁ CEGO, BANDEIRINHA?
A Argentina ganhou uma ajudinha da arbitragem para passar para as quartas de final da Copa do Mundo. No mesmo dia em que Mauricio Espinosa não viu o chute de Lampard entrar, o auxiliar italiano Stefano Ayroldi deixou de marcar impedimento claro de Tévez no primeiro gol contra o México. Impedimento escandaloso e que gerou muita confusão. O telão do Soccer City mostrou imediatamente o replay do lance em que Tevez aparecia na banheira. O resultado foi de muita reclamação por parte dos mexicanos. No intervalo, mais confusão e empurra-empurra. A Fifa decidiu proibir o replay de lances polêmicos nos estádios da Copa.
FAIR-PLAY
A Copa do Mundo sempre rende imagens belíssimas e exemplos que chegam a emocionar. Que o diga o paraguaio Edgar Barreto. Depois do 0 a 0 entre Paraguai e Japão, pelas oitavas de final da Copa do Mundo (o jogo foi eleito o pior da Copa), a disputa para seguir adiante foi para os pênaltis. O japonês Hasebe foi o único a desperdiçar sua cobrança e o Japão acabou eliminado. Logo depois do jogo, Barreto foi consolar Hasebe, que chorava muito. Uma imagem que vai ficar na história das Copas, sem dúvida.
QUEIJO SUÍÇO
Alguns gramados da Copa do Mundo foram muito criticados pelos jogadores. Não foram poucas as vezes em que as seleções foram impedidas pela Fifa de realizar o último treino antes dos jogos nos estádios em que aconteceriam as partidas, para preservar o campo, castigado pelas outras partidas. Um dos gramados mais criticados foi o do Nelson Mandela Bay, em Porto Elizabeth. Na véspera do confronto entre Brasil e Holanda, pelas quartas de final, funcionários tapavam os buracos, retocavam as falhas e até maquiavam o que não tinha como ser consertado. O gramado recebeu retoques inclusive no intervalo do jogo.
MÃO DE DEUS URUGUAIA
Essa foi uma das imagens mais impressionantes da Copa. E no jogo mais emocionante do Mundial! Uruguai e Gana empatavam em 1 a 1 e já estavam no segundo tempo da prorrogação, quando o time africano pressionava. No bate-e-rebate dentro da área, Appiah cabeceou para o gol e o atacante Luis Suárez tirou a bola com a mão. Pênalti e cartão vermelho para ele. Seria a classificação de Gana para a semifinal. Na cobrança, nos acréscimos da prorrogação, Gyan chutou no travessão, para alívio e alegria de Suárez, que assistiu ao lance a caminho do chuveiro. Na disputa de pênalti, o uruguaio Muslera defendeu duas cobranças. Coube ao atacante Loco Abreu, com sua sutil cavadinha, fechar a série e comemorar a classificação da Celeste.