Surpreendentemente, a CBF anuncia que o tetracampeão Dunga é o novo técnico da Seleção Brasileira. Sem nunca ter sido treinador na vida, o ex-jogador é apresentado em junho de 2006, 24 dias depois da eliminação na Copa do Mundo da Alemanha. Dunga chega com a missão de acabar com o oba-oba visto durante a preparação brasileira em Weggis, na Suíça. Ele adota o discurso do comprometimento e do amor à camisa para jogar pela Seleção.
ESTREIA COM EMPATE EM OSLO
A Era Dunga começou com um empate em Oslo. Contra a Noruega, o Brasil ficou no 1 a 1, com gol marcado pelo meia-atacante Daniel Carvalho. Sem Kaká nem Ronaldinho Gaúcho, Dunga começava o processo de renovação da Seleção. O Brasil, naquela ocasião, jogou com Gomes, Cicinho (Maicon), Lúcio, Juan (Alex Costa) e Gilberto; Edmílson (Dudu Cearense), Gilberto Silva, Elano (Júlio Baptista) e Daniel Carvalho (Vagner Love); Robinho e Fred.
GOLEADA NOS HERMANOS
Dunga conseguia seu primeiro grande resultado à frente da Seleção. Em amistoso contra a Argentina, em Londres, o Brasil goleou por 3 a 0, gols de Elano (duas vezes) e Kaká, mostrando um futebol de preenchimento de espaços e mais agressivo. Kaká só entrou no segundo tempo, no lugar de Daniel Carvalho, e Ronaldinho Gaúcho, que vinha de lesão, sequer foi relacionado para o clássico, disputado no estádio do Arsenal.
A PRIMEIRA DERROTA
Vestido com uma camisa estampada - alvo de críticas de muitos estilistas -, Dunga viu sua seleção ser derrotada pela primeira vez. Atuando no mesmo palco da goleada sobre a Argentina, o Emirates Stadium, o Brasil foi superado facilmente por Portugal, então comandado pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari, por 2 a 0, gols de Simão e Ricardo Carvalho.
'ERA AFONSO'
A convocação do atacante Afonso Alves, do Hereenven, da Holanda, surpreende a todos. Ele é chamado para os amistosos contra Inglaterra e Turquia, na Europa, em junho de 2007. Afonso Alves tinha sido o artilheiro da Europa, com 35 gols marcados na Holanda. Mas a figura do jogador, forte fisicamente e fraco tecnicamente, virou sinônimo da filosofia de Dunga, que adotava um futebol pragmático e sem craques. Afonso estreou contra a Inglaterra e fez seu primeiro gol contra o México, em setembro de 2007.
CAMPEÃO DA AMÉRICA
A Seleção Brasileira começava a ter sua "Família Dunga". O técnico não ficou nada satisfeito com o pedido de dispensa dos astros Kaká e Ronaldinho Gaúcho. A caminhada na Copa América, disputada na Venezuela, começou com derrota para o México por 2 a 0. Mas depois a Seleção Brasileira se fortaleceu e foi campeã, com direito a goleada na final contra a Argentina (que tinha todos seus jogadores à disposição). Dunga ganhava força e peças de sua confiança, como Robinho, Josué e Daniel Alves.
INÍCIO DE UM ANO DE CRÍTICAS
O ano de 2008 foi o mais difícil para Dunga. Depois de vitórias pouco expressivas em amistosos contra Irlanda, Suécia e Canadá, o Brasil sofreu uma vergonhosa derrota: 2 a 0 para a Venezuela, em Boston, a primeira da história da Seleção para os conterrâneos de Hugo Chávez - o Brasil nunca tinha sequer empatado contra eles. O time jogou com Doni, Daniel Alves (Maicon), Luisão, Henrique e Gilberto; Gilberto Silva (Josué), Anderson (Rafael Sóbis) e Elano (Mineiro); Robinho, Alexandre Pato (Diego) e Adriano (Luis Fabiano)
REVÉS NAS ELIMINATÓRIAS
Depois de uma boa campanha nas Eliminatórias, o Brasil sofre sua primeira derrota na fase qualificatória para a Copa do Mundo. Com show do gordinho Cabañas, que já tinha sido carrasco de Flamengo e Santos na Libertadores, o Paraguai vence por 2 a 0, no Defensores del Chaco, em Assunção. O trabalho de Dunga começava a ser mais questionado a dois meses do início dos Jogos Olímpicos.
BRONZE OLÍMPICO
Com uma geração promissora, Dunga aceitava o desafio de comandar a Seleção Brasileira Sub-23 nos Jogos Olímpicos de Pequim, na China. Dos três que poderiam maiores de 23 anos que poderiam ser chamados, apenas Ronaldinho Gaúcho, por pressão do CBF, entrou na lista. Mas o apoiador do Milan esteve muito mal. A caminhada da Seleção foi tranquila, com vitórias sobre Bélgica, Nova Zelândia, China e Camarões. Mas o Brasil parou na Argentina, nas semifinais: 3 a 0. Restou o bronze, conquistado com uma vitória sobre a Bélgica por 3 a 1.
UUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!!
Depois do bronze olímpico, Dunga voltou às cargas pelas Eliminatórias da Copa. Fora de casa, tudo ia bem, obrigado: goleadas sobre Chile, em Santiago, e Venezuela, em San Cristóbal. Mas os cariocas ficaram fulos da vida e vaiaram muito a Seleção, nos empates sem gol contra a Bolívia, no Engenhão, e Colômbia, no Maracanã. Tome vaia. Neste período, Dunga teve seu trabalho à frente da Seleção mais questionado.
GOLEADA HISTÓRICA
No último amistoso do ano, contra Portugal, no Bezerrão, em Brasília, Dunga entrava em campo muito pressionado. Portugal abriu o placar e os apupos contra Dunga só aumentavam. Mas o Brasil virou e conquistou uma grande vitória sobre os portugueses: 6 a 2 - gols de Luis Fabiano (3), Elano, Maicon e Adriano. Grande destaque do jogo, Fabuloso ganhou ainda mais a confiança do chefe. A goleada amenizou as críticas a Dunga!
CAMPEÃO NA TERRA DA COPA
O ano de 2009 começou com vitóoria sobre a Itália, em Londres, e uma campanha positiva nas Eliminatórias (três vitórias e um empate, contra o Equador, em Quito). Aí veio a Copa das Confederações, disputada na África do Sul, onde um ano depois aconteceria a Copa do Mundo. A estreia não foi das melhores: vitória sobre o Egito por 4 a 3. Mas depois o Brasil engrenou. Goleou Estados Unidos e Itália (ambos por 3 a 0), passou pela África do Sul - então treinada por Joel Santana - nas semifinais, por 1 a 0, e bateu os Estados Unidos na grande final por 3 a 2, de virada, com gol salvador de Lúcio aos 39 do segundo tempo.
PASSAPORTE GARANTIDO
Em sua melhor fase na Seleção, Dunga conseguiu classificar o Brasil para a Copa do Mundo sem problemas. A vaga veio com três rodadas de antecedência, logo contra nosso maior rival. Atuando no caldeirão de Rosário, o Brasil foi frio e cauculista e venceu a Argentina, comandada por Maradona, por 3 a 1, deixando os hermanos em situação delicada. Depois, o Brasil cumpriu tabela com vitória sobre o Chile em Salvador, derrota para a Bolívia em La Paz e empate com a Venezuela em Campo Grande.
CONVOCAÇÃO ESPERADA
O lobby da imprensa pelas convocações de Ganso e Neymar, estrelas do Santos, e do astro Ronaldinho Gaúcho, do Milan, de nada adiantou. Dunga seguiu o que vinha fazendo, e coerente, soltou a lista de convocados para a Copa do Mundo praticamente sem surpresas. As únicas foram a entrada de Gomes na vaga de Victor e de Grafite no lugar de Adriano, envolto em problemas fora de campo no Flamengo. A aposta era na base formada nos últimos jogos: Julio Cesar, Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos; Felipe Melo, Gilberto Silva, Kaká e Elano; Robinho e Luis Fabiano.
ESTREIA MAGRA
Chegava o grande dia da estreia na Copa do Mundo. No Ellis Park, o Brasil venceu por 2 a 1 a Coreia do Norte, candidata a saco de pancadas e que na segunda rodada sofreria a maior goleada da Copa (7 a 0 para Portugal), graças a um gol sem ângulo de Maicon e a uma boa jogada trabalhada concluída por Elano. A Coreia do Norte ainda diminuiu no finalzinho, com Ji Yun-Nam, mas não chegou a assustar. Pelo menos, o Brasil estreou vencendo...
VITÓRIA COM A MÃO
No segundo jogo, disputado no imponente Soccer City, o Brasil teve uma atuação convincente e derrotou a Costa do Marfim por 3 a 1, se classificando de forma antecipada para a segunda fase. Luis Fabiano, que estava há seis jogos sem marcar, foi o grande destaque do jogo, com dois gols - sendo um deles após ajeitar a bola com o braço depois de um bonito chapéu. O outro gol foi marcado por Elano. Mas a vitória trouxe duas notícias ruins. Kaká foi expulso injustamente ao se desentender com Keita. E Elano, atingido por um violento carrinho de Tioté, se machucou e não jogou mais pelo Mundial.
SONO E PRIMEIRO LUGAR GARANTIDO
Com a classificação assegurada, o Brasil só precisava empatar com Portugal para assegurar a primeira posição do Grupo G. Os portugueses, por sua vez, só seriam eliminados se fossem goleados pelo Brasil e a Costa do Marfim aplicasse uma grande vitória sobre a Coreia do Norte. Assim, o confronto do qual tanto se esperava em Durban terminou em 0 a 0. Brasil, em primeiro, e Portugal, em segundo, estavam classificados.
MELHOR ATUAÇÃO CONTRA O FREGUÊS
Nas oitavas de final, o Brasil enfrentaria o Chile, o maior freguês de Dunga à frente da Seleção, no Ellis Park. Resultado? Com sua melhor atuação neste Mundial, o Brasil se impôs e goleou os chilenos com facilidade por 3 a 0, gols de Juan (de cabeça), Luis Fabiano e Robinho, eleito o melhor do jogo pela Fifa. O Brasil parecia estar engrenando na hora certa e teria um caminho até a final relativamente tranquilo.
VIRADA, DESEQUILÍBRIO E ADEUS
O adversário era a Holanda, que fazia campanha 100% na Copa do Mundo, nas quartas de final, em Porto Elizabeth. O adversário, apesar da boa campanha, só tinha dois jogadores que poderiam brilhar: Robben e Sneijder. A Seleção abriu o placar logo aos 10 minutos do primeiro tempo, com Robinho, após lindo passe de Felipe Melo. O primeiro tempo foi todo do Brasil. Na volta depois do intervalo, só deu Holanda. A defesa do Brasil, tão elogiada, falhou. Sneijder cobrou falta de longe, Felipe Melo atrapalhou Julio Cesar e deixou a bola entrar. A Seleção se desquilibrou por completo e Sneijder virou o jogo, de cabeça, após cobrança de escanteio. À beira do campo, se via um transloucado Dunga, que dava socos no banco de reservas. Para piorar, Felipe Melo foi expulso aos 27 minutos, ao agredir Robben com um pisão. O Brasil estava fora da Copa. E Dunga encerrava seu ciclo na Seleção.
APLAUSOS EM PORTO ALEGRE
No desembarque solitário em Porto Alegre, Dunga recebeu o carinho dos gaúchos após o fracasso na África do Sul. Calmo e solícito, disse que ainda tinha esperanças de continuar como técnico da Seleção. Mas poucas horas depois, a CBF soltava comunicado na internet destituindo toda a comissão técnica. Dunga estava oficialmente fora. Durante sua passagem, foram 68 jogos, com 49 vitórias, 12 empates e sete derrotas (incluindo a Olimpíada), dois títulos, um aproveitamento de 77,9% (ficando atrás apenas de Zagallo, Telê Satana e Vicente Feola) e um período de futebol pragmático e que vai deixar poucas saudades nos torcedores brasileiros.