Em meio a disputa jurídica, argentino Patito deve voltar ao Santos

Emprestado para o Estudiantes, argentino deve retonar à Vila Belmiro no meio do ano. Empresário dele cobra uma comissão do Peixe, que diz não dever e aponta erros em ação

Bruno Cassucci - 20/03/2014 - 06:10 Santos (SP)

Patito Rodriguez, pelo Santos (Foto: Ivan Storti/LANCE!Press)

O mercado de transferências vive uma entresafra, mas o Santos já espera um "reforço" para o segundo semestre. Trata-se de Patito Rodríguez, atacante de 23 anos de idade que está emprestado ao Estudiantes, da Argentina, e deve retornar em junho. Para adquirir o jogador, que agora está na reserva, os hermanos teriam que pagar 1,5 milhão de dólares, cerca de R$ 3,5 milhões, o que não deve acontecer, já que o clube de La Plata enfrenta problemas financeiros. A chance de novo empréstimo também é remota.

A diretoria alvinegra mantém contato frequente com o pai e empresário do atleta e já comunicou o técnico Oswaldo de Oliveira sobre o provável retorno dele. Patito, que tem contrato até o meio de 2016, deve participar do período de treinos do time durante a Copa do Mundo.

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O retorno do argentino, que não conseguiu emplacar na sua passagem pela Vila Belmiro, acontece em meio a uma briga jurídica entre o Santos e o empresário Glauco Zambrano, que intermediou a compra dele do Independiente (ARG) em 2012. Zambrano cobra comissão do Peixe pelo negócio, mas o Alvinegro diz que não irá pagar, pois esta é uma obrigação do clube argentino.

O empresário entrou na Justiça com uma ação cobrando R$ 680 mil. Desta forma, ele considera que o negócio custou 4 milhões de dólares ao Peixe (R$ 6,8 milhões na cotação da época). A conta do agente está errada. O LANCE!Net teve acesso ao contrato de transferência de Patito e comprovou que o clube pagou US$ 1,35 milhões (cerca de R$ 2,3 milhões) por 50% dos direitos econômicos do jovem argentino.

– Não faço mais negócio com o Santos. Eles prometem e não cumprem. É só você ver esse caso do Neymar... Fiz o negócio dar certo e não recebi – disse Zambrano, em rápido contato telefônico com o LANCE!Net.

Dirigentes do Peixe, por sua vez, afirmam nos bastidores que o empresário sabe que deveria cobrar do Independiente (que lhe deu uma carta autorizando a negociar Patito com outros clubes), mas só não fará isso pois vê que os argentinos não têm dinheiro para pagar.

O caso ainda não foi julgado.

ENTENDA A BRIGA JURÍDICA:

Como começou
Glauco Zambrano, empresário gaúcho, procurou o Santos e ofereceu Patito em fevereiro de 2012. Depois de algumas conversas com Nei Pandolfo, então gerente de futebol do Peixe, as conversas evoluíram. No início, o valor cogitado era de US$ 4 milhões por 100% dos direitos econômicos.

Carta
Em julho do mesmo ano, Zambrano recebeu do Independiente uma procuração para negociar o meia-atacante argentino com o Peixe. O documento tinha validade de dez dias.

O imbróglio
Como o negócio foi fechado, Zambrano deveria receber comissão. O problema é que não foi especificado em contrato quem deve pagar. Ele entende que é o Santos e entrou na Justiça por isso.

O que Zambrano alega
O empresário – que não é agente Fifa – afirma que recebeu uma promessa verbal de que ganharia comissão. Ele alega que ajudou o Peixe na operação, tendo ido à Argentina acertar os detalhes da transferência sozinho, sem nenhum dirigente do Peixe. Como não participou do acerto dos valores finais, Zambrano não sabe o valor da transferência e, em sua ação judicial, cobrou 10% de US$ 4 milhões. O Peixe pagou US$ 1,35 milhões por 50% do atleta argentino.

A defesa do Santos
O Peixe afirma que, durante todas a negociações, Zambrano representou o Independiente, nunca o Santos. Logo, o Alvinegro não deveria ser cobrado. O clube irá usar a procuração do Independiente ao empresário para provar isso. Segundo a Fifa, um agente só pode representar uma parte envolvida na transferência.

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Qual a posição do Santos sobre o caso?
Quem deu autorização foi o Independiente. Ele sabe disso, já falou até, mas sabe que os clubes argentinos estão quebrados. Temos a procuração do Independiente a ele. Além disso, digamos que essa pessoa tivesse direito de cobrar uma comissão, a porcentagem e o valor também não seriam esses. O Regulamento de Agentes de Jogadores afirma que, quando não há contrato, a comissão é de 4%. Se alguém tem que pagar, não é o Santos, talvez o Independiente...

Em que estágio está a ação de cobrança?
A defesa do clube já está montada. A ação foi feita na Justiça Comum, não no Tribunal da Fifa, pois ele não é um agente credenciado. A Justiça Comum brasileira vai pedir um contrato de pretação de serviço, o que ele não tem. Sendo assim, o Santos é parte ilegítima do processo, nem deveria constar na ação. Essa será nossa primeira defesa. Isso antes mesmo do processo.

Este tipo de cobrança é comum? O Santos já teve outras?
Sim, ele não é o primeiro. Recentemente, tivemos um outro caso, mas o empresário nem entrou na Justiça pois sabia que iria perder.

COM A PALAVRA: MARCELO AMORETTY, ADVOGADO DE GLAUCO ZAMBRANO

"O Glauco tinha uma carta do Independiente para negociar o jogador, só que quando ele foi fazer o negócio com o Santos também recebeu uma autorização por meio de emails e também verbalmente para cuidar da negociação. O Santos disse que ele poderia dar sequência no negócio, pediu para que ele fosse até a Argentina, pagou as despesas do Glauco, do jogador, do pai... Ele cuidou de tudo para que o negócio fosse realizado.

Como é de praxe, o serviço que ele fez foi em prol do Santos, porque o Santos queria o jogador. Nesse tipo de negócio, é normal o pagamento de comissão de 10%, como cobramos. Eles combinaram verbalmente, não teve por escrito, teve a concordancia do Santos, tanto que pagou as despesas.

Ele acabou trazendo um benefício ao Santos, merece receber por isso. Algumas vezes se cobra do clube que recebe, não do que paga. Mas o Glauco não tinha combinado com o Independiente, mas fez um acordo verbal com o Santos."

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