'Vítima' de Neymar no Peixe, Fabão reencontra Joia

Zagueiro do Comercial relembra ascensão do craque, 'sofrimento' nos treinos, e promete marcação cerrada nesta quarta-feira

Fabão, no Santos (Foto: Arquivo Lance!) Fabão jogou junto com Neymar no Santos em 2009 (Foto: Arquivo Lance!)

Bruno Cassucci
Publicada em 22/02/2012 às 06:00
São Paulo (SP)

No começo de 2009, o franzino Neymar ainda não passava de uma promessa santista, mas, recém-promovido ao time profissional, já era tratado com carinho pela comissão técnica do clube. Temendo que o prodígio sofresse alguma lesão durante os treinos, o técnico Vágner Mancini fez um pedido ao zagueiro Fabão, que se diverte ao lembrar do caso:

– O professor falava para a gente (zagueiros) chegar devagar nele. Ele era magrinho...

Se antes ele “aliviava” para o atacante, nesta quarta, às 19h30, na Arena Barueri, o zagueiro do Comercial promete não dar espaço para a Joia, que por um ano lhe “infernizou” quase diariamente nos treinos.

Fabão acompanhou a ascensão de Neymar. Quando o atacante foi para o time profissional, em 2009, o zagueiro era titular do Santos e, por diversas vezes, teve a obrigação de marcar o atacante. Na época, a revelação do Peixe ainda era menor de idade (tinha 17), mas já dava mostras de onde poderia chegar.

– Tenho boas lembranças da época em que jogávamos juntos. Vi ele “subindo”. Tinha 16, 17 anos, mas já era rápido e habilidoso. Percebíamos que ele era diferenciado – recorda-se Fabão, que está com 35 anos.

O zagueiro, contudo, teve pouco tempo para “aproveitar” Neymar. Além de deixar a Vila Belmiro um ano depois de o atacante chegar ao profissional, Fabão sofreu com lesões e viu o técnico Vanderlei Luxemburgo deixar a Joia durante alguns jogos no banco de reservas.

“Sofrer” com o craque nos treinos, porém, rendeu ao defensor alguns aprendizados. Apesar de admitir que é quase impossível parar Neymar, ele já definiu a estratégia a ser utilizada nesta noite contra o camisa 11.

– Não pode dar espaço pra ele. Tem que sempre ter um zagueiro na sobra. Se deixar jogar, aí já era.

Bate-Bola com Fabão, zagueiro que jogou com Neymar e atualmente está no Comercial, ao LANCENET!

Quais lembranças tem da época em que jogou com Neymar?
Ele ainda era novo, franzino, mas já se comentava que ele tinha muito talento. Chegou badalado no CT. Era uma promessa. Pela qualidade que tinha, já dava para perceber que seria craque. Só lhe faltava experiência e confiança. Agora que ele pegou isso, ninguém tira mais.

Ele dava trabalho nos treinos?
Sim...Eu ficava observando todos os dias, vendo como ele jogava. Hoje em dia, ele tem ainda mais opções. Corta para o meio, direita, esquerda. Não dá para prever o que ele irá fazer. É muito difícil marcá-lo.

Qual o jeito para detê-lo?
É muito difícil...todos os treinadores pensam nisso, atualmente, mas não tem uma fórmula. É preciso deixar algum zagueiro na sobra...

Você deve fazer isso ou dará o primeiro combate no jogo de hoje?
Ainda não definimos como será. Mas não adianta, o menino está de um jeito que ninguém para (risos).

Depois de jogar com ele no Santos, você voltou a enfrentá-lo?
Sim, quando estava no Guarani, pelo Campeonato Brasileiro. O jogo foi 3 a 1 e ele marcou um gol.

O Neymar de hoje é muito melhor do que aquele que foi seu companheiro no Santos, em 2009...
Se naquela época já era difícil marcá-lo, imagina hoje. Não pode nem piscar. Mas é preciso lembrar que, além dele, o Santos tem Ganso, Borges...é um time muito forte, não pode pensar só em um jogador.

A dupla junta

‘Falta’ na estreia
Apesar de ter acompanhado a ascensão de Neymar, Fabão não participou do primeiro jogo da Joia no time profissional do Santos. Na estreia do atacante, contra o Oeste, no Pacaembu, em fevereiro de 2009, o zagueiro estava suspenso.

Debute nas redes
Fabão viu de campo o primeiro gol anotado por Neymar com a camisa do Peixe. Contra o Mogi Mirim, no Paulistão de 2009, o atacante marcou de cabeça e definiu a vitória por 3 a 0.

Frustração
Juntos, eles chegaram à final do Estadual de 2009, mas perderam na decisão para o rival Corinthians.

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