Muricy completa um ano no Santos e comemora parceria: 'A gente se deu bem'

Com dois títulos em quatro disputados, treinador faz aniversário e condiciona 'casamento' mais longo à conquista de mais taças

Alyson Gonçalo
Bruno Cassucci
- 06/04/2012 - 08:00 Santos (SP)

Info - Muricy no Santos (Crédito: Juvenal Dias)

Muricy Ramalho assopra velinhas no Santos nesta sexta-feira. Há exatamente um ano, ele chegava na Vila Belmiro após a saída de Adilson Batista e o comando interino de Marcelo Martelotte. Logo de cara, conseguiu reerguer o time, que corria risco de eliminação na primeira fase da Libertadores, e faturou o título sul-americano e estadual.

Apesar da perda do sonhado Mundial de Clubes, em dezembro o saldo na Vila Belmiro é positivo e faz a direção do clube sonhar com um "casamento" mais longo. Contudo, Muricy sabe que, no Brasil, precisa de conquistas para se manter em um clube por muitos anos.

Muricy e as lições do Barcelona


- Por eles, me aposentaria aqui, mas o futebol é complicado... - diz o treinador, com ar de desconfiança.

No começo desta semana, ele recebeu o LANCENET! no CT Rei Pelé, fez um balanço sobre o primeiro ano no Peixe e comentou sobre diversos outros diversos assuntos. Confira na entrevista abaixo:

LANCENET!: Como avalia esse seu primeiro ano à frente do Santos?
Muricy Ramalho: Acho que foi bom. Consegui resultados que o clube queria logo na minha chegada, agora estamos começando outro trabalho e estamos indo bem. Além do trabalho em campo, estamos tentando melhorar algumas coisas fora, como na base.

LNET!: Acha que pode ficar mais tempo aqui do que no São Paulo?
MR: Pelo que eles (dirigentes) falam, talvez. O presidente fala de eu me aposentar no Santos. Eu não sei, futebol é complicado. No São Paulo também tinha uma ideia de que eu poderia ficar mais tempo ate que o Telê, mas chega uma hora que é resultado. Me dei bem aqui. Se continuar tendo resultados, a relação será longo prazo.

LNET!: Além dos títulos, o que mais destaca como positivo nesse período na Vila Belmiro?
MR: A oportunidade de trabalhar onde jogou o melhor do mundo, que foi o Pelé. Eu vi jogar e, pra quem viveu essa época, é igual ao Roberto Carlos (cantor), é o Rei. E ainda vou dizer que trabalhei com o melhor do mundo, que um dia será o Neymar.

LNET!: Acha que ele pode superar o Messi algum dia?
MR: A preparação feita com o Neymar, não só como jogador, mas também como pessoa é algo fundamental.  O Pai dele é fundamental na carreira dele e outras pessoas em volta dele estão contribuindo muito pra isso. Acho que ele chega no Mundial do 2014 para fazer a diferença. O Messi ainda vai estar no auge, mas, com certeza, o Neymar vai chegar bem próximo a isso.

LNET!: Seu pior momento foi a derrota na final do Mundial?
MR: O jogo contra o Barcelona não era uma coisa inesperada, não foi uma surpresa. Jogamos muito mal aquela partida e eles exageraram de jogar bem. Eram superiores e foram superiores, por isso não fiquei triste, nem aborrecido. Negativo, mesmo, foi o Brasileiro. Não é questão de não termos dado importância ao campeonato e sim de não termos feito uma boa preparação pra competição. Todo mundo ficou louco em relação à Libertadores e depois do título relaxamos.


Muricy durante entrevista ao LNET! (Foto: Ivan Storti)

LNET!: Você deixa claro que precisa de reforços. Quais posições considera mais carentes no elenco?
MR: Vai acontecer como em 2011, vamos perder Ganso, Neymar e talvez o Rafael para a Olimpíada e a gente quer o Brasileiro. Então tem que melhorar quantidade e qualidade. Estamos olhando com carinho, claro que não são muitos reforços, porque a gente tem muito bom elenco, mas precisamos. Não dá para falar em posição, porque na época de contratar não sei se vai vir esse ou aquele...Às vezes, peço um cara e vem outro, depende do mercado.

LNET!: Pelos reforços que chegaram no segundo semestre de 2011 e no começo deste ano, é possível afirmar que o time atual é melhor do que o que foi campeão da Libertadores?
MR: As pessoas dizem: “Ah, é melhor!”, mas precisa ganhar. Se o cara nem ganhou, como vai ser melhor? Aquele (de 2011) ganhou, no futebol é assim, senão fica cômodo, não faz pressão nos caras para ganharam. Em time grande tem que ter pressão. Tem toda esse estrutura, conforto, time paga em dia e você tem que ganhar.

LNET!: Contratados esse ano, Fucile e Juan encaixaram muito bem no time. A que atribui isso?
MR:
Eles chegaram em um time entrosado, que não mexeu muito desde o ano passado. São jogadores experimentados. Fucile jogou na Seleção Uruguaia, passou no Porto. Juan também... o que foi surpreendente nos dois é que a qualidade a gente já sabia, mas tiveram adaptação muito rápida. Parece que estao aqui há dez anos, mas chegaram outro dia. Entrosamento muito rápido. Nosso elenco é muito bom nisso, recebe bem as pessoas, é um elenco leve, não é ruim, pesado. É um time leve, que parece que estão aqui há muitos anos...

LNET!: Mas para o Juan ir bem você precisou fazer adaptações táticas, não?
MR:
A gente respeitou as características deles. O Juan é um cara que ataca muito bem, por todos os lados, aí prendemos um pouco o Fucile, que é mais marcador, respeitando a características deles. Essa é a função do técnico. Não pode tirar as características do jogador só porque ele acha que o esquema dele é assim, tem que respeitar.

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