Verdão volta ao Couto Pereira 433 dias após o 6 a 0: da humilhação à glória?

LANCENET! escutou jogadores e torcedores que estiveram no fatídico 6 a 0 no estádio. A pressão vai ser grande nesta decisão

Thiago Salata* e Leonardo Blecher - 11/07/2012 - 08:08 *Enviado especial a Curitiba (PR)

Coritiba 6 x 0 Palmeiras - Campeonato Brasileiro de 2011 (Foto: Geraldo Bubniak/Fotoarena)

Alto da Glória é o bairro onde se localiza o Couto Pereira. Um lugar que de glorioso não teve nada para o Palmeiras há exatos 433 dias, em 5 de maio de 2011.

O Palmeiras volta nesta quarta-feira a uma decisão de Copa do Brasil no estádio, atento com a segurança na cidade e calejado em campo para sair com o título, apagando os 6 a 0 do jogo de ida das quartas de final do ano passado.

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Dos que foram humilhados em 2011, apenas seis seguem no elenco: Luan, Leandro Amaro, Márcio Araújo, Patrik, Assunção, João Vitor. Só os últimos dois devem ser titulares. Eles foram questionados pelo LANCENET! sobre a pressão do Couto (leia abaixo). E quem hoje lidera a zaga sabe o que irá encontrar.

– A torcida do Coritiba é chata demais com o adversário. Eles não param de cantar um minuto – disse Thiago Heleno, pilar da defesa.

Nenhum deles relatou problemas extra-campo nas visitas ao estádio. Mas a diretoria está preocupada. O time viajou nesta última terça-feira sabendo de ameaças de torcedores do Coxa em redes sociais e reforçou a segurança no hotel. Havia promessa de foguetório na madrugada e o que fosse possível para “infernizar”.

– O clima vai ser hostil. A preocupação é só contra a violência. É normal... Dentro dos direitos dos torcedores, podem se manifestar. Temos de tomar cuidado com segurança, para que ninguém seja agredido – disse o gerente César Sampaio, antes do desembarque do Verdão, por volta das 20h de ontem.

Serão cerca de 5.500 torcedores palmeirenses no Couto. Muitos deles também viram a humilhação em campo de 2011 e viajam, a maioria nesta quarta-feira, com o desejo de gritar é campeão (leia relatos abaixo).

A torcida do Coxa prepara o “Green Hell” tecnológico. A direção paranaense, que fez elogios ao árbitro ontem, criou um clima que mexeu com sua torcida ao insinuar complôs pró-Palmeiras. É noite de decisão!

Jogadores falam da pressão na casa do Coritiba:

LANCENET!: Como é ser visitante no Couto Pereira?

João Vitor: É normal, como jogar em qualquer outro estádio fora de casa.

Thiago Heleno: É difícil. Sempre é complicado jogar lá.

Luan: É difícil porque a torcida apoia muito, mas isso não muda nada. Vamos fazer o nosso jogo.

Leandro Amaro: É complicado, como todos os jogos fora de casa.

Patrik: É muito difícil. Com certeza, um dos campos mais difíceis de se jogar.

Márcio Araújo: O campo é bom, com um excelente gramado, e nos dá uma condição de jogo muito boa, apesar da pressão.

LANCENET!: É um dos estádios brasileiros que mais pressiona o visitante?

João Vitor: Não acho. Dependendo de quantas pessoas tem no estádio, as torcidas costumam ajudar muito o time da casa.

Thiago Heleno: A torcida do Coritiba é chata demais com o adversário. Eles não param de cantar um minuto.

Luan: Para mim, não. Claro que é uma torcida que pressiona bastante o adversário, mas ainda acho a do Sport pior.

Leandro Amaro: É, com certeza. A torcida deles participa muito do jogo.

Patrik: Sim. A torcida do Coritiba joga junto com o time o tempo todo.

Márcio Araújo: Sim, a torcida pressiona bastante. Mas o principal fator de dificuldade é que o time vem muito bem há dois anos.

LANCENET!: Por quê? Há pressão só no campo, ou externa também?

João Vitor: Só no campo.

Thiago Heleno: Não, só no campo mesmo.

Luan: No campo, sempre.

Leandro Amaro: Só no campo.

Patrik: Externa não, é mais no campo mesmo. Fora das quatro linhas a gente fica tranquilo.

Márcio Araújo: Só no campo.

Torcedores que foram aos 6 a 0 e voltarão ao Couto Pereira para a final desta quarta-feira:

Roberto Bovino Jr.

"O jogo do ano passado foi bem diferente. Não tinha “oba-oba” nenhum, pouca gente foi. Eu estou acostumado a ir em jogos fora de casa e os 6 a 0 foram a maior humilhação que já passei. Depois, voltamos para o hotel do Palmeiras e fomos achincalhados pelos coritibanos. O sentimento que ficou para quem estava lá é de que um dia nós teríamos de voltar para buscar alguma coisa, alguma alegria. Se formos campeões, o 6 a 0 vai passar."

Rodrigo Barneschi

"O Couto Pereira é o estádio mais ameaçador que eu já fui. Hoje vai ser muito tenso, é uma pressão enorme, muito maior que a do Olímpico. A sensação que a gente teve quando saiu de lá é que tínhamos uma dívida para pagar. Sei que vai ser difícil, olhar os jogadores do Palmeiras relacionados é desesperador. Não temos ataque. Mas nos últimos anos tivemos derrotas tão absurdas com bons times que a expectativa é que agora, que está complicado, tudo dê certo."

Rogério Barberi

"Foi triste ver um time grande como o Palmeiras naquela situação. Foi humilhante. A sensação agora é de corrigir um erro histórico. O Coritiba é um time pequeno e vai ser tratado como tal.

A expectativa é muito grande de voltar para lá. Desde a saída do Couto Pereira nos 6 a 0 eu já esperava ter uma final contra o Coxa. Ser logo no ano seguinte, melhor ainda. Não vamos com sentimento de que “já ganhou”, mas esta final tem um gosto muito especial, sim."

Jaqueline Sarti

"Infelizmente, eu estava lá nos 6 a 0. Confesso que não foi fácil. Perder faz parte, mas de 6 a 0 é complicado. Sou de Curitiba, conheço vários coxa-brancas. Meu telefone não parou de tocar um segundo. Na final, vou estar lá, firme e forte. Espero sair de lá mais feliz do que no ano passado. Nunca tinha ido ao Couto Pereira, espero reverter a minha impressão. Eu peguei muita raiva do Coritiba, torci contra eles no restante da Copa do Brasil do ano passado. Este ano, vamos nos vingar."

Rodrigo Lupatelli

"Eu e o meu amigo já fomos para Curitiba várias vezes: Vila Capanema, Arena da Baixada, mas estava faltando o Couto Pereira. Resolvemos ir bem nos 6 a 0. Assistimos ao jogo e foi aquele drama. Depois do jogo, os caras estavam comemorando como se fosse uma final de campeonato. Todos os bares tinham bandeiras do Coritiba. Ficamos amigos de duas torcedoras do Coxa e somos até hoje. Depois da final, vamos nos encontrar, independentemente do campeão."

Marcelo Urânia

"Nos 6 a 0, Marcos estava voltando ao time, era o último ano dele... Toda aquela expectativa. Foi uma catástrofe, o time todo jogou mal. A gente desconfiou que fosse boicote contra o Felipão. Foi terrível. Quando o Coxa ganhou de um time como o Palmeiras, para os torcedores deles, foi quase que um título. Teve muita festa depois do jogo. Aguentei bastante gozação, mas representou muito para eles. Agora, vamos ver se tiramos sarro deles. Estou confiante, mas sem abusar."

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