Disputa por 'diretas' esquenta política no Palmeiras

Com projeto legítimo, grupo faz pressão por eleição direta e acusa Mustafá de ‘golpe’. Presidente do Conselho ameniza

Apresentação novo uniforme do Palmeiras - Arnaldo Tirone (Foto: Tom Dib) Arnaldo Tirone foi eleito pelo Conselho para dois de mandato, em janeiro (Foto: Tom Dib)

Thiago Salata
Publicada em 10/10/2011 às 20:44
São Paulo (SP)

Conselheiros e centenas de torcedores palmeirenses nas redes sociais estão agitados por conta de um projeto de mudança estatutária no Palmeiras. O pedido é pela votação no Conselho do plano para tornar a eleição presidencial direta (sócio elege presidente) no pleito de janeiro de 2013.

O projeto está nas mãos de José Ângelo Vergamini, presidente do Conselho Deliberativo, desde março, com a assinatura de 81 conselheiros. Isso torna legítimo o pedido de votação da mudança, em reunião extraordinária, pois há mais de 1/5 do total de 292 conselheiros envolvidos, como pede o estatuto.

Ainda não foi votado, o que levou o conselheiro Renato Recc, ao lado do ex-diretor Wlademir Pescarmona, a entrar na Justiça Comum exigindo atitude de Vergamini. O juiz pediu tempo e quer ouvir o clube ainda para tomar posição.

A agitação se tornou maior no último dia 8. O edital de convocação para a reunião do Conselho, dia 24, inclui, enfim, a questão da eleição direta. Mas joga no mesmo pacote a proposta de criação do comitê gestor do futebol, uma ideia do ex-presidente Mustafá Contursi.

O grupo pró-diretas acusa o ex-mandatário de “golpe”. Tal comitê, formado por conselheiros, tiraria o poder o presidente no futebol, tornando “inútil” a eleição direta. Os sócios seguiriam sem nenhum poder, entendem tais conselheiros.

– Vergamini está atendendo aos interesses de uma ala conservadora do clube, ligada a um ex-presidente, para engessar o projeto. O presidente do clube viraria uma rainha da Inglaterra – disse Recc.

Pelo estatuto, tais mudanças só podem ser votadas em reuniões extraordinárias. A reunião do dia 24 é ordinária. Vergamini amenizou a polêmica e nega ter deixado o projeto das diretas “engavetado”.

– Já mandei dez cartas ao grupo deles. É líquido e certo que isso será votado em reunião extraordinária. Só quero que isso seja analisado antes, no dia 24, quando não terá votação. É uma tradição de 90 anos, não se muda assim, em uma reunião de duas horas – rebateu Vergamini.

Mustafá diz que seus opositores vêem “fantasmas”. Uma comissão de reforma estatutária, de nove conselheiros, fez ressalvas e análises do projeto, a serem apresentados dia 24, argumenta Vergamini.


Bate-Bola: Arnaldo Tirone
'Não tenho nada contra e nem a favor'
Presidente, em entrevista ao LNET!

Qual é a sua opinião sobre o projeto de eleição direta?
Não tenho nada contra e nem a favor. É uma possibilidade. O Palmeiras tem de se preparar melhor para ter eleição direta. Eu não tenho medo. Se participar, tenho chance de ganhar. Mas não é o momento disso, o clube precisa ter tranquilidade. Eleição direta não significa tranquilidade. O Palmeiras se engrandeceu em um sistema político, nunca foi mudado. Precisa se adaptar. O clube precisa de boas cabeças, renovar, é preciso ter boas cabeças.

Você se considera parte dessa renovação do Palmeiras, então?
Eu me considero, com toda a humildade. As pessoas acham que sou bonzinho demais...

Dizem que você fica no muro.
Não é ficar no muro, sou presidente. Não dá para ter mão de ferro no clube, não tem clima para isso. Eu peguei as melhores pessoas: vices, diretoria. Não sou Super Homem, não faço missão impossível, pular do prédio, voar... Eu faço o melhor. Se as pessoas acham que poderia ser mais... Peguei um clube inchado, com problemas. Não estou fazendo politica no clube. Estou trabalhando.


Opiniões dos ex-presidentes do Verdão

"Começaram a colher as assinaturas já no fim da minha gestão. A eleição direta é uma forma de diminuir as tensões no clube, amplia o colégio eleitoral, ficando longe de intrigas. O Palmeiras precisa oxigenar o ambiente, que hoje é contaminado"
Luiz Gonzaga Belluzzo - Presidente de 2009 a 11

"No dia 24 nem se deve votar mudança no estatuto. Minha proposta é debater o comitê gestor, pois há coisas a serem aperfeiçoadas. Estão vendo fantasmas. A mudança ainda vai dar muito mais força para o presidente"
Mustafá Contursi - Presidente de 1993 a 05


Em discussão

1 - O projeto
Entre os 81 conselheiros estão figuras conhecidas como Belluzzo, Gilberto Cipullo, Genaro Marino e Paulo Nobre. A ideia é que os candidatos à presidência com ao menos 10% dos votos do Conselho, (para evitar “aventureiros”) sejam escolhidos pelos cerca de 13 mil sócios. Hoje, os sócios só votam nos conselheiros, que elegem o presidente, a cada dois anos.

2 - E para aprovar?
A mudança precisa ser aprovada pelo Conselho Deliberativo, em reunião extraordinária. Se for aprovado, vai para a assembléia de sócios precisando de 50% dos votos para ser confirmada. Se for rejeitada no Conselho, os sócios, depois, só a aprovam com 2/3 da votação.

3 - No dia 24/10
Grupo pró-diretas diz que ideia de Mustafá é votar num mesmo pacote o comitê gestor e a eleição direta, tirando poder do presidente, em consequência do sócio. Contursi nega. Mesmo que haja votação, estatuto não mudará sem aprovação em assembléia de sócios, como explicado acima. Presidente do Conselho diz que a tal reunião extraordinária é de direito e pode acontecer até dezembro.


Eleição nos rivais

Corinthians
Eleição direta. Em fevereiro de 2009, 2.500 sócios (de 10 mil) foram votar e elegeram Andrés Sanchez: três anos.

São Paulo
Eleição indireta. Na última eleição, 174 conselheiros elegeram Juvenal Juvêncio. O mandato no clube hoje é de três anos.

Santos
Eleição direta. Na última eleição, 3.024 sócios votaram e elegeram Luis Álvaro Ribeiro: mandato de dois anos.

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