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Joel Santana diz que continua sendo o mesmo Joel de sempre (Foto: Gilvan de Souza)
Seja no bairro de Olaria, no Subúrbio carioca, onde nasceu e se criou, ou em Joanesburgo, maior cidade da África do Sul, onde mora, Joel Santana é o mesmo homem simples de sempre. Em vez de caviar, prefere feijão-com-arroz ou uma boa rabada, prato que já dividiu com os jogadores da seleção sulafricana. O treinador vive dias de calmaria depois de um começo de trabalho em que foi muito contestado. A simplicidade só fica em segundo plano para quem o vê sendo conduzido por um motorista particular numa Mercedes pelas ruas sul-africanas.
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Nesta entrevista por telefone ao LANCENET! , Joel fala de seus planos para a Copa das Confederações e para o Mundial de 2010, minimiza o problema do idioma, ainda reconhecidamente uma barreira para ele, admite a saudade que sente do Brasil e revela que pretende trazer a seleção que comanda para treinar em solo tupiniquim.
radio l! Confira entrevista com Joel Santana
Rodrigo Benchimol: Após algumas notícias sobre um começo de trabalho complicado, como está o Joel Santana hoje no comando da África do Sul?
Joel Santana: Todo começo de trabalho é conturbado, principalmente quando você está num país diferente. Acertamos tudo muito rapidamente a fim de cumprir o programa deixado pelo Carlos Alberto Parreira. Uma semana depois tivemos uma competição importante (Copa da África), da qual alguns jogadores importantes não puderam participar. Mas as coisas foram se ajeitando, o planejamento foi sendo cumprido e eu, Jairo Leal (auxiliar técnico) e Francisco González (preparador físico) demos sequência ao programa traçado há dois anos. Agora o time está ganhando. Na última Copa Mandela, a qual não ganhávamos há quatro anos, vencemos Camarões. Isso deu uma credibilidade maior à equipe junto à imprensa e à opinião pública.
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Carlos Alberto Vieira: Nesta melhora houve uma renovação ou a base do Parreira foi mantida?
JS: Eu não podia mexer num trabalho que já vinha sendo feito há 17 meses. Nós estamos fechando um grupo e na Copa das Confederações vamos saber em que estágio está nossa equipe. Depois, teremos mais um ano para preparar a seleção para a Copa. As principais seleções do mundo já têm uma base pronta. O Parreira pegou uma equipe no zero e nós estamos testando jogador por jogador. Estamos esperançosos em fazer uma campanha compatível com aquilo que a África do Sul espera.
Flávio Garcia: As seleções africanas sempre se caracterizaram pela força física. Isso ainda se sobressai?
JS: O africano gosta de arriscar o drible, de malabarismo, mas tem uma forte influência do futebol inglês e isso atrapalha, pois faz os jogadores fugirem às suas características. Estamos lá para aproveitar o que os jogadores têm de melhor. A ideia é adaptar o estilo brasileiro a uma forma de atuar que agrade ao jogador. Por isso que um brasileiro foi escolhido.
CAV: O Parreira disse que é muito difícil haver renovação na África, porque os campeonatos não são muito organizados e não há um trabalho bom na base. Isso pode forçar a África a buscar jogadores naturalizados?
JS: Acho que isso nem deve ser considerado. A Copa de 2010 será diferente. O futebol está precisando fugir da mesmice, fazer uma Copa num continente que tem dificuldades, que é sofrido. Não é só uma Copa da África do Sul, é do povo africano. E eles, assim como o Brasil em 2014, precisam fazer uma Copa para mostrar que são capazes.
RB: Você sempre se caracterizou por ser uma pessoa sincera. O que mudou do Joel que saiu do Flamengo para o Joel, técnico da África?
JS: O Joel não mudou nada. Sou treinador, mas acima de tudo sou um representante do povo e estou sendo muito bem recebido. As pessoas me adoram na África do Sul e isso me deixa tranquilo. Onde eu chego sou cumprimentado e ovacionado. Mas isso não é uma característica do Joel. É algo comum ao brasileiro.
CAV: Como é o seu dia-a-dia na África do Sul?
JS: Tenho um motorista contratado pela federação com uma Mercedes que me leva onde quero ir. Vou a shopping, supermercado, qualquer lugar e onde quer que eu chegue sou bem tratado. As pessoas me cumprimentam, pedem autógrafo, tiram fotografia, me dão presentes. Ando à vontade sem nenhum tipo de medo. Moro num condomínio maravilhoso com minha esposa. É como se fosse no Brasil.
RB: E aquele cafezinho na esquina que você tanto gosta?
JS: Eu gosto de tomar café em padaria, mas infelizmente não tenho isso na África. Sinto falta das amizades, dos amigos, das entrevistas.
RB: Está com saudade das entrevistas? Você costumava perguntar aos repórteres no Brasil se eles estavam com chicotinho...
JS: Imprensa é igual em qualquer lugar. E nem sempre as coisas saem como queremos. Minha relação com a imprensa sempre foi cordial, respeitosa, até mesmo na história do chicotinho.
RB: Que hábitos diferentes você já pôde perceber na África do Sul?
JS: É claro que existem hábitos diferentes. Mas comida é normal. Eles gostam muito de rabada na concentração, assim como eu. Mas não há nada que me faça mudar hábitos. Eu não nasci comendo caviar, nasci comendo feijão-com-arroz. Ainda tenho dificuldade quando tenho de falar com a imprensa por conta do idioma. Mas recorro ao meu intérprete quando tenho algum problema.
CAV: Você recorre ao intérprete também na hora de dar treinos?
JS: Até o intérprete conseguir passar ao jogador o que nós queremos, o treino já acabou. As coisas são passadas do jeito que o mundo do futebol nos ensinou. O difícil é falar árabe ou japonês, mas o resto é mole.
FG: Como é sua relação com os jogadores? Continua sendo paizão?
JS: O futebol hoje é universal. O jogador africano tem os mesmos hábitos do brasileiro: gosta de dois toques, de coletivo, não gosta de tático. As coisas são ditas por mim e assimiladas por eles. Até porque não sou deputado para fazer promessa, não estou aqui para ficar falando.
FG: Você consegue fazer planos para depois da Copa, como seguir uma carreira internacional?
JS: Não penso nisso. Quero fazer uma boa campanha na Copa das Confederações, na Copa do Mundo e voltar ao meu país. Venho acompanhando a passagem do Felipão pela Inglaterra e estou vendo as dificuldades que ele vem tendo. Se tiver de acontecer será naturalmente.
RB: Quais são seus planos para a preparação para a Copa?
JS: Estamos pensando em fazer uma pré-temporada no Brasil em 2010. Foi uma proposta que fizemos à Federação Sul-Africana e que foi vista com muito bons olhos.
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<p><a href="">Entrevista de domingo é com o técnico Joel Santana</a>, Carlos Alberto Vieira, Flávio Garcia e Rodrigo Benchimol - Treinador conta como está sua passagem na África e diz que seus jogadores adoram rabada</P>
