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Não é mais possível ao Brasil conviver com o atual modelo de gestão do nosso esporte. Não se estivermos verdadeiramente dispostos a concretizar o sonho de fazer desta Nação uma potência olímpica, forte e vitoriosa, muito além do futebol.
As mudanças são urgentes. Em todas as áreas do segmento esportivo. Um bom começo é tratarmos da gestão. Da renovação. É intolerável que, por mais benefícios e resultados que tenham produzido, dirigentes de confederações e federações se perpetuem no comando das entidades, possam manobrar regimentos internos, lançar mão de toda sorte de subterfúgios com o objetivo maior de atender a seus interesses pessoais, seus projetos de poder.
Quando numa mesma semana o presidente da CBF nomeia parentes e amigos para o comitê organizador da Copa de 2014, decide acumular sua presidência, e passa reprimenda pública no presidente do COB, criticando a forma como foi conduzida a reeleição na entidade, alguma coisa precisa ser feita. É preciso que fique claro: confederações e federações são organizações de interesse público. E assim têm de ser geridas. Não como se fossem propriedade privada e individual de quem as comanda.
A profissionalização exige transparência, especialmente no uso do dinheiro público e das verbas provenientes das leis de incentivo ao esporte. Exige planejamento, critérios de distribuição de recursos. Exige participação e clareza na forma de fazer política. No esporte de alto rendimento não há mais lugar para dirigentes sem remuneração. Não há mais espaço ao idealismo desprovido de talento.
O Brasil precisa de reformas. Muitas reformas. A tributária, a política, a judiciária, a previdenciária. Mas carece igualmente de ampla reformulação de suas políticas esportivas. O país que vai sediar uma Copa do Mundo, que disputa com possibilidades reais o direito de realizar a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, não pode mais esperar. Precisa decidir, de uma vez por todas, que rumo quer dar ao seu esporte.
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