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Piquet não economizou no verbo e, com seu tradicional estilo debochado, alfinetou Rubens Barrichello (Crédito: Lancepress)
O ambiente comportado e certinho do paddock da Fórmula 1 foi quebrado com um estrondo nesta sexta-feira, com a presença de Nelson Piquet no Circuito da Catalunha. O tricampeão mundial não economizou no verbo e, com seu tradicional estilo debochado, alfinetou Rubens Barrichello, as ajudas eletrônicas e a hipocrisia que na sua opinião envolve o caso de Max Mosley. E foi além, garantindo que o filho Nelsinho será campeão do mundo e que seu caçula Pedro, que ainda corre no kart, é ainda melhor. Confira!
Qual a emoção de ver seu filho correndo na Fórmula 1?
NP: A emoção não é agora, ela ocorreu quando ele entrou e deu certo. O Nelsinho está agora crescendo, aprendendo e se compondo com o carro. Ele andou muito pouco no ano passado e não correu, isto atrapalhou. Mas está mostrando seu valor e devagarzinho ele vai chegar lá.
Até onde você acha que ele pode chegar?
Eu acredito nele. O Nelsinho ganhou em todas as categorias que correu, menos na GP2. Agora, claro, ele está se medindo com campeões mundiais. Mas eu não tenho muitas dúvidas de que ele vai chegar lá. Só não sei quando, vai depender muito da dedicação dele.
Quando vocês estão juntos vocês falam muito de Fórmula 1 ou até evitam o assunto, para tirá-lo um pouco da pressão?
No momento a gente está se encontrando muito pouco, porque ele está morando aqui e a gente quase não se fala. Eu assisto às corridas pelo computador e pela imagem, porque eu escuto muita bosta lá no Brasil, mas falo com ele muito pouco.
Nesta corrida, Rubens Barrichello iguala o recorde de GPs disputados de Riccardo Patrese. Como você vê isso?
Para arranjar um recorde para ele, só podia ser esse! O mérito dele é ter a paciência de ter ficado aqui por quinze anos. Vou te falar uma coisa: se eu fosse europeu, os caras teriam que me botar para fora da Fórmula 1. Eu saí não porque eu não queria mais guiar, mas porque queria voltar para casa. Se eu morasse aqui, teria ficado aqui, correndo na F-1 mais dez anos. Mas eu quis voltar para casa. Se ele teve a paciência de ficar aqui quinze anos, bacana.
Na GT3, quando você será sua estréia?
Eu comprei um carro de GT3 para fazer apenas uma ou duas provas por ano. Eu vou me divertir, só quero guiar em pistas boas como Interlagos, Brasília. Não vou para Tarumã, Santa Cruz, para lugares que são perigosos. Comprei só para ter um carro de corrida em casa, dar uma corridinha e voltar.
Além do Nelsinho na Fórmula 1 e o Geraldo na Fórmula Truck, você tem um filho que está começando no kart, o Pedro. Como você vê este início de carreira dele?
Por incrível que pareça, o menorzinho é o melhor de todos. É impressionante como ele leva a sério, como ele é constante, como ganha. Eu me lembro como o Nelsinho demorou a se firmar no kart. Este já montou e saiu ganhando. E ninguém pode falar que temos um equipamento melhor, porque no kart é tudo sorteado. Esse é danado!
Como vê a relação entre Alonso e o Nelsinho?
É boa, o Alonso será um professor durante este ano. Nelsinho tem muito a aprender com ele, está vendo a maneira que ele trabalha, quando ele é veloz, estas coisas. Foi muita sorte ter o Fernando na mesma equipe.
Na Fórmula 1 de hoje, é mais difícil de fazer sucesso que na sua época?
Naquele tempo os carros quebravam mais, o que dava mais chance para todo mundo. Hoje, se o carro é bom, ele vai andar sempre na frente e não quebra nunca. Se o cara é bom, ele ganha o campeonato e os outros não têm a menor chance.
Mas com toda essa ajuda da eletrônica, você acha que isto seleciona os pilotos de forma distinta?
No fundo, um piloto bom faz diferença, sem dúvida. Mas a eletrônica ajuda. Você viu este ano, o que os caras já fizeram de merda por causa da falta do controle de tração.
Você acha que com a introdução dos slicks, como era na sua época, o talento dos pilotos será mais importante?
Não, não muda nada. Estão querendo fazer um carro mais rápido na reta e com maior freada, para ter mais ultrapassagens. Mas não muda nada para o piloto. Quem guia bem hoje, vai guiar bem do mesmo jeito no ano que vem.
Hoje em dia, há espaço na Fórmula 1 para um Nelson Piquet, que é debochado, fala palavrão?
Se eu tivesse na minha época o contrato que eles têm hoje, eu teria ficado quietinho. No meu tempo, os contratos não falavam sobre essas coisas. Hoje em dia, os contratos dos meninos são enormes, mas só uma parte pequena fala de corridas. O resto...
Depois da recente vitória da Danica Patrick na IRL, você acha que há espaço para as mulheres na Fórmula 1?
Aquilo lá é oval, você não freia, não acelera, não faz curva. Esquece!
Você acha que a Renault pode voltar a ser uma equipe de ponta ainda neste ano?
Sim, a Renault é uma equipe grande, com uma história passada muito boa, tem o Alonso. Tem todas as condições de voltar ao topo sim.
O que você achou do escândalo envolvendo Max Mosley?
Fiquei muito insatisfeito... porque ele não nos convidou para a festa! Pergunte aqui na Fórmula 1, quem nunca fez uma sacanagem?
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<p><a href="">Piquet ironiza escândalo de Max Mosley</a>, LANCEPRESS! - Tricampeão esteve no Circuito da Catalunha nesta sexta</P>
