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Publicada em 21/1/2008 às 22:25

Atacante deficiente pára de receber bolsa-atleta

Joãozinho, da Seleção de futebol de cinco para deficientes visuais, não ganha o benefício há quatro meses

Joãozinho (9) honrou as cores do Brasil no Parapan, mas perdeu a bolsa-atleta

Joãozinho (9) honrou as cores do Brasil no Parapan, mas perdeu a bolsa-atleta (Crédito: Divulgação)

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Três títulos mundiais (98, 2000 e 2007), um olímpico (2004) e um pan-americano (2007). Mesmo com este currículo, Joãozinho, atacante da Seleção Brasileira de futebol de cinco (deficientes visuais), não recebe o dinheiro do Bolsa-Atleta há quase quatro meses.

A assessoria do Ministério do Esporte garante que o atleta, beneficiado desde 2004, não teve sua bolsa renovada porque teria deixado de enviar parte da documentação necessária à diretoria do programa. Ainda segundo o órgão, teria faltado o envio da ficha desportiva do jogador em nome da Federação Brasileira de sua modalidade.

Joãozinho, porém, afirmou que enviou ao Bolsa-Atleta toda a documentação necessária.

– Como eles podem ser tão falsos. Já recebo a bolsa há três anos e não vou saber o procedimento correto de renovação? Eles devem achar que tenho cara de otário. Provavelmente, perderam a minha documentação e querem descontar a culpa em mim. Ou então meu dinheiro está indo parar no bolso de outras pessoas – desabafou o atacante que tem 48 gols pela Seleção.

Joãozinho recebia R$ 2.500 por mês do Bolsa-Atleta. Sem o pagamento, ele só arrecada o baixo valor do seguro social do governo por ser deficiente: R$ 380 mensais.

– Só meu aluguel custa R$ 250. Logo, restam apenas R$ 130 para todo o mês. Estou tendo de gastar o dinheiro que eu tinha guardado, mas já está acabando – completou.

Caso não volte a receber a bolsa, Joãozinho confirmou que recorrerá à Justiça. O atleta também já pensa em viajar para Belo Horizonte, visando a morar com a irmã:

– Não tenho condições de pagar aluguel por mais muito tempo. Em breve, terei de deixar o Rio de Janeiro. Duvido que isto ocorra com algum atleta olímpico. São poucos os que dão valor para os deficientes.

Reunião em busca de uma solução

Apesar dos problemas, Joãozinho ainda tem motivos para manter a esperança. Por telefone, a assessoria do Ministério do Esporte afirmou ao LANCE! que a diretoria do Programa Bolsa-Atleta já entrou em contato com Djan Madruga, secretário nacional de esporte de alto rendimento, para agendar um encontro visando a tentar recuperar a bolsa do atacante para este ano.

O atleta garantiu que tem a razão com relação ao assunto. E ainda falou sobre a sua ética.

– Se o erro fosse meu, eu assumiria. Não sou uma pessoa desonesta. Espero que eles renovem minha bolsa, pois eu tenho este direito. Esta é a minha única fonte de renda e não mereço ser tratado com desrespeito depois de tudo que fiz pela Seleção Brasileira. Ainda quero defender as cores de meu país por muito tempo – explicou.


Futebol de amputados pede apoio

Joãozinho tem motivos para reclamar da falta de dinheiro, mas os atletas da Seleção Brasileira de futebol para amputados já sofrem com isso há muito tempo.

Eles não recebem salários e têm de exercer outras funções apesar da deficiência.

Ademir Cruz de Almeida, presidente da Associação Brasileira de Desportos para Amputados (ABDA) e capitão da Seleção, reclama muito da falta de consideração com os atletas.

– Não recebemos nada de ninguém. O Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) não nos repassa nada. Temos de nos virar. Infelizmente, os esportistas deficientes não são valorizados como deveriam em nosso país. Isso tem de mudar – explicou.

Segundo Ademir, o grupo só recebe uma ajuda de custo quando há viagens para a disputa de competições fora do país. E, mesmo assim, os atletas têm de tirar dinheiro do próprio bolso no exterior:

– O Ministério do Esporte nos dá uma ajuda em competições. Porém, muitas vezes nós temos de gastar o nosso dinheiro para comermos em outros países – disse.

O presidente da ABDA ainda falou sobre uma possível falência:

– O único dinheiro que recebíamos vinha de três casas de bingo. Depois que fecharam os bingos no Rio, não recebo nada. Será difícil sobrevivermos por muito tempo.

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