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Repórter do LANCE! passa pela marcação na eleição vascaína sem dificuldades (Crédito: Gilvan de Souza)
Mesmo inadimplente há mais de dez anos, o repórter do LANCE! Guilherme de Paula comprovou nesta segunda-feira como é fácil votar irregularmente na eleição para presidente do Vasco. Veja abaixo o depoimento dele sobre como votou:
Cheguei a São Januário e, na entrada do portão principal da social, bastou mostrar minha carteira de sócio para entrar. Detalhe: desde 1994 estou sem pagar mensalidade, portanto, sem condição legal para votar segundo o Estatuto do clube.
Pouco depois do portão, havia uma mesa em que eu deveria mostrar o documento, mas ninguém pediu. Desci as escadas, peguei um adesivo da Chapa Azul, coloquei no bolso e andei até o ginásio.
Fiquei um bom tempo perto da entrada dos sócios. Ao meu lado, havia um homem de terno azul, cabo eleitoral da situação, panfletando. Para piorar, perto de mim estavam um dos filhos de Eurico Miranda e José Luiz Moreira, vice de futebol. A situação complicou porque fiquei com receio do dirigente me reconhecer, mesmo sendo setorista do clube há pouco tempo.
Liguei para o repórter César Ferraz – que cobre o Vasco comigo – e ele veio até mim. Conversamos, decidi colocar no peito o adesivo que tinha pego e pegar um panfleto azul. Assim me senti mais seguro.
Mas ninguém me abordou. Entrei no ginásio e fui para a fila. Nela esperei algum tempo, com o adesivo no peito e o panfleto na mão. Quando as mesárias não encontraram meu nome na lista, falei: “Jurava que meu nome estava na lista. Queria dar uma força pro Eurico”.
Falei tão baixinho que acho que não me escutaram. Nenhuma delas respondeu. Mas a verdade é que meu voto estava explícito, por causa do adesivo e do panfleto. Apesar de meu nome não estar na lista, fui autorizado a assinar e a votar.
Quando fui me aproximando da última mesa, fiquei receoso de alguém da imprensa me reconhecer. Poderiam achar estranho. Curiosamente, nem precisei esperar para chegar no fim desta fila. Alguém chamou: “Guilherme de Paula Machado”. Passei as pessoas na minha frente, nenhuma delas reclamou.
Andei até a cabine e dei uma paradinha antes de entrar - para o repórter fotográfico me focalizar. Saí, fui instruído pelo fiscal para dobrar o envelope e depositei meu voto na urna.
Voltei na mesa, peguei minha carteira e fui em direção à saída. Voltei a ligar para César e ele me orientou a pegar um táxi. Escutei o conselho. Deixei São Januário, estádio que freqüento desde minha infância. Mas, quando criança, minha missão era bem mais simples do que a desta segunda-feira: apenas torcer pelo Vasco da Gama.