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Zé Roberto: 'Voltar para o Santos seria como um sonho'

Meia acredita que rescisão com clube do Qatar não deve acontecer em breve, mas projeta retorno ao Peixe no meio do ano

Zé Roberto (Foto: Fadi Al-Assaad/Reuters) Zé Roberto acha difícil rescindir contrato com Al Gharafa (QAT) em breve (Foto: Fadi Al-Assaad/Reuters)

Bruno Cassucci
Publicada em 12/02/2012 às 06:05
São Paulo (SP)

Nas duas últimas semanas, o meia  Zé Roberto acompanhou notícias e especulações sobre sua volta ao Santos. Do Qatar, viu dirigentes comentarem sua possível contratação, leu sobre propostas milionárias e até “descobriu” que já havia acertado salários com o time de Vila Belmiro.

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Nesse período, o telefone do jogador não parou de tocar. Apesar dos muitos pedidos de entrevista, ele preferiu se calar até resolver sua rescisão com o Al Gharafa, clube que defende desde julho do ano passado. Porém, ao LANCENET!, o experiente meia, de 37 anos, prometeu que, quando pudesse, iria dar sua versão dos fatos.

O silêncio finalmente foi quebrado na noite de sexta-feira. Por telefone, durante mais de uma hora, Zé Roberto falou sobre o desejo de voltar a jogar em alto nível, disse que ainda tem “lenha para queimar” e revelou o sonho de participar do centenário santista. Porém, não criou expectativas e deixou claro: dificilmente retornará agora.

Confira abaixo a entrevista:

Você já tem algo acertado para voltar ao Santos agora?
Não. Surgiram notícias de que eu havia combinado salários, mas nunca discuti isso com o Santos. Estou rescindindo meu contrato com o clube aqui e tenho um valor de luvas para receber. Como esse valor está atrasado, isso dificulta minha rescisão agora. Para voltar nesse momento, teria de abrir mão dessa quantia e não vou fazer isso.

Mas a rescisão contratual não está em andamento?
Eu estou aguardando. Ficaram de resolver nesta semana, mas acredito que isso não vai acontecer. Pelo que soube, quando atrasa pagamento, o pessoal aqui é “enrolado” para pagar. Por isso a minha ida para o Santos agora é difícil. Teria de esperar até maio, quando acaba meu contrato e fico livre.

O mais provável então é que você volte só no meio do ano?
Sempre falei que a minha volta para o Santos, se acontecesse, seria no segundo semestre. Falei com o presidente Luis Alvaro e ele me propôs a possibilidade de eu ir agora, mas expliquei que seria difícil, pois tinha contrato com o Al Gharafa. De tanto o presidente insistir, deixei claro para ele que o único jeito seria o Santos arcar com o valor que o clube daqui me deve, mas não acho isso justo, nem possível.

Se receber, voltaria já agora?
Aí teria de dar um segundo passo, pois entraria na questão familiar. Não posso tirar meus filhos daqui. Faltam três meses para acabar o ano letivo. Meu filho, de 12, vai para a sétima série e minha filha, para a quarta. Eles já estão há um tempo trocando de escola, não tenho dado estabilidade que eles precisam. Teria de ver isso também.

Então a chance de você voltar ao Santos agora é quase nula?
Não. A possibilidade existe, mas tem uma dificuldade grande.

O Santos tem preferência?
Minha prioridade é voltar para o Brasil, encerrar minha carreira no País, mas as portas na Alemanha também estão abertas para mim. Futebol é dinâmico, até maio muita coisa ainda pode acontecer.

Mas se for voltar para o Brasil...
Aí o Santos tem minha preferência. O interesse para que eu pudesse jogar a Libertadores me incentivou, me deixou empolgado. Voltar a jogar no Santos seria como um sonho, ainda com mais esse time atual, seria sensacional. Tenho carinho e identificação muito grande com a torcida. Além disso, esse é um ano muito importante, por ser o centenário do clube. Queria fazer parte desse projeto e entrar para a história.

Por ainda ter mercado na Alemanha, pode fazer uma “ponte” lá antes de voltar para o Brasil?
Tem essa possibilidade. Minha ideia é voltar para o Brasil antes de me aposentar, seja agora ou depois.

Recentemente, o vice-presidente do Santos, Odílio Rodrigues, disse que sua alta pedida poderia dificultar um acerto. Você aceitaria receber menos para jogar no Peixe?
Eu não discuti salário com o Santos. Esse valor que eu vi sendo veiculado na imprensa, de R$ 1 milhão, é um absurdo. Aceitaria me adequar ao teto salarial do clube, que vi que é entre R$ 200 mil e R$ 250 mil. Por mim não teria problema.

Nas conversas com o Santos não foram discutidos valores ainda?
O presidente Luis Alvaro é uma pessoa de boa índole. Ele não quis abrir negociação antes de eu me desligar aqui. A única coisa que falei foi que tinha que receber o valor das luvas e só voltaria agora se o Santos me pagasse isso, o que, como disse, não acho justo. Talvez por isso entenderam que minha pedida foi alta. Mas não falei de salários.

Desde quando você conversa com a diretoria santista?
Isso surgiu em 2010, quando fui a um jogo na Vila Belmiro. Depois da partida, fui ao vestiário encontrar alguns amigos que trabalhavam no clube, encontrei o presidente, conversamos, e ele mostrou interesse no meu retorno. Depois disso, voltamos a nos falar recentemente, quando saiu na imprensa que estava rescindindo meu contrato aqui.

Você ganha uma fortuna no Qatar. Por que deseja sair daí?
Quero jogar em alto nível. Estou desanimado, aqui eles não são profissionais. Muitos jogadores trabalham em outras áreas, têm o futebol como um hobby. Alguns colegas são policiais, outros trabalham no governo. O nível é muito baixo.

Já pensa em se aposentar?
Não. Estou com bastante “lenha para queimar”. Estou em forma, quero voltar a jogar em alto nível, me sinto bem, meu corpo pede isso. Penso em encerrar a carreira daqui a uns dois anos, isso se até lá eu estiver bem, não tiver lesão... Mas nunca me machuquei. Mesmo com a idade que tenho, tenho muito vigor físico. Não posso falar que volto ao Brasil para me aposentar.


Pelo Santos, meia conquistou o Paulista de 2007 (Foto: Ari Ferreira)

Portas abertas, menos no rival

Apesar de dizer que a única oferta que recebeu desde que se transferiu para o Qatar foi do Santos, Zé Roberto não rechaça a possibilidade de defender outra equipe no Brasil e mantém portas abertas.

Além do Peixe, o meia tem carinho especial pela Portuguesa, clube em que começou a carreira, em 1994.

– Falar que só jogo no Santos é exagero. Tenho carinho e sinto vontade de jogar pelo clube, mas não posso deixar de lembrar da Portuguesa, onde fui criado, me profissionalizei. Além disso, sou profissional.

Bem-humorado, o jogador admitiu que poderia até jogar em outros times paulistas, mas disse que no Corinthians, maior rival do Santos, a chance era mínima.

– Não posso recusar se vier o Palmeiras ou... bem, não vou nem citar o Corinthians, porque vou me complicar (risos).

Você comentarista:

  • 17 comentários Comentar
  • Clodoaldo Campos /> Clodoaldo Campos
    o zé roberto se diz crente, já é multi milhonário, se ele quisesse mesmo jogar pelo santos, não teria ido para arábia, ele é igual o DIEGO só pensa em dinheiro.o DEUS dele é grana, grana, grana.exemplos de jogadores que construirão riquesas sem sair do brasil, marcos ex palmeiras e rogério ceni. e olha que os salários deles nem chega perto dos que zé roberto já recebeu e recebe atualmente.
  • Gilberto Rodrigues Cova /> Gilberto Rodrigues Cova
    UM SONHO MUITO CARO PARA O SANTOS QUE SE TORNARIA PESADELO
  • Washington Marcellus /> Washington Marcellus
    o zé roberto no corinthians, cairia como uma luva, é que o time presiça hoje
  • Fabio Spinelli /> Fabio Spinelli
    ** O Zé joga demais, o Sr Luiz Alvaro poderia quebrar parte dessa divida com o clube dele e trazer o jogador agora... lembrando a todos que precisamos muito de um jogador desse nivel, ele levou o Santos nas costas em 2007 e chegamos longe na libertadores com ele jogando muitoooo e está se propondo enquadrar no esquema de salarios dos Santos FC. **
  • Giovanni De Paoli /> Giovanni De Paoli
    gente cada vez vcs almenta 1 ano dele po ele tem 37, ainda ele é a quela pessoa q possa mudar o santos.
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