Splitter: 'Hoje, tenho mais confiança, me sinto importante para o time'

Pivô brasileiro do San Antonio Spurs foi escolhido para participar do Jogo dos Novatos do All-Star Game

Fábio Aleixo
Ivo Felipe
- 09/02/2012 - 07:00 São Paulo (SP)

Spurs x Rockets - Tiago Splitter - NBA (Foto: Divulgação/NBA)

Tiago Splitter recebeu nesta quarta-feira o reconhecimento por seu desempenho na atual temporada da NBA. O pivô foi escolhido para participar dos Jogos dos Novatos da liga, que será realizado no dia 24 de fevereiro, em Orlando. Ele será o segundo brasileiro a disputar a partida. O outro foi Nenê, em 2003.

A escolha recompensa Splitter, que praticamente dobrou os seus números em relação ao último torneio e tornou-se uma das referências no garrafão no San Antonio Spurs e um dos homens de confiança do técnico Gregg Popovic.

Veja abaixo a entrevista exclusiva concedida pelo pivô ao LANCENET!, por telefone, antes da sua escolha para a partida festiva. Splitter conta o que mudou em seu jogo, a maratona enfrentada por causa do locaute, planos com a Seleção Brasileira e os Jogos Olímpicos de Londres.

O que mudou para você do ano passado para este?
Sobretudo, a quantidade de minutos. Poder estar em quadra por mais tempo. Isso faz você se sentir importante, realmente como uma parte do time. É tudo uma questão de ter confiança. No ano passado, só tinha minutos no fim, quando o jogo já estava ganho ou perdido.


Tiago Splitter estará nos Jogos dos Novatos da NBA (Foto: Divulgação)

     

No ano passado, você era um coadjuvante de luxo. Você acha que deixou este posto para ser um dos protagonistas?
Meu papel é vir do banco, trazer pontos na segunda unidade e é isso que estou tentando fazer. Não quero ser nem estrela nem nada tipo, só quero ajudar.

E como é a sua relação com o grupo? Na temporada passada, quando você era novato, havia desconfiança?
O grupo me conhece melhor, sabe quais são os meus pontos negativos e positivos. Quando se conhece melhor, tudo fica mais fácil. Na quadra, só de olhar para o armador, para o pivô, sabemos o que temos de fazer em cada lance.

Os brasileiros estão em um bom momento na NBA. Em termos de pivô, você acha que o Brasil tem os melhores jogadores da posição, atualmente, depois dos Estados unidos e da Espanha?
O momento dos brasileiros na NBA é ótimo. O Nenê e o Anderson (Varejão) estão em uma temporada muito boa. Mas analisar jogadores de todas as seleções é complicado. Mas tenho certeza de que somos uma potência em termos de pivôs.

Como é a sua relação com o Tim Duncan? O quanto você aprende tendo ele ao seu lado?
Ele é realmente espetacular, pela paciência que ele tem para jogar, o jeito que ele lê cada situação e a qualidade dele. Por isso que ele é um dos melhores alas-pivô da história. Mesmo com a idade que ele tem (35 anos), segue dando trabalho.

No Pré-Olímpico de Mar del Plata, você sofreu bastante nos lances livres, com um aproveitamento de apenas 42%. Nesta temporada da NBA, ele tem ficado na casa dos 70%. O que mudou? Você fez algum trabalho específico?
Cheguei ao Pré-Olímpico sem confiança, estava em um processo de mudança de arremesso. Quando peguei o jeito e vi que a bola estava caindo, tudo ficou mais fácil. Depois de Mar del Plata dediquei muitas horas aos treinos de arremessos com o Tim Duncan e outros companheiros. Agora estou colhendo os frutos deste trabalho.

Por causa do locaute, muitos jogadores ficaram um grande tempo parado e você teve uma sequência na Seleção, depois passou um mês na Europa.Isso ajudou para você ter um desempenho tão bom neste início de temporada?
Eu tentei ficar na melhor forma possível. Realmente, é difícil perdera forma e voltar a jogar bem. Para mim, isso é muito complicado.

O fato de a temporada ter sido reduzida de 82 para 66 jogos também contribuiu para você ter mais tempo de quadra?
É uma loucura a quantidade de jogos que estamos tendo. É necessária uma maior rotação e isso ajuda a ter mais minutos em quadra.

Está sendo complicado administrar essa maratona?
É como jogar um Mundial em quatro meses. Não há tempo para descanso.Você joga em um dia e, no dia seguinte, ou temos outro jogo, ou viagem. Não existe treino. Tudo o que treinamos foi na pré-temporada. Qualquer mudança ou variação tática tem de ser feita ali na preleção antes de cada partida.

Você precisou ganhar muita massa muscular, ficar mais forte para aguentar o ritmo pesado?
Não. Desde que cheguei aqui, nunca me pediram para ganhar massa muscular. Sempre souberam que meu jogo era mais de velocidade. Nunca tive esta necessidade. Também, não seria fácil colocar 15 quilos em cima e continuar jogando.

Você está bem fisicamente no momento, depois de problemas no Pré-Olímpico?
Com certeza. Após o Pré-Olímpico, tive uma etapa de tratamento, para fortalecer algumas partes do corpo que não estavam bem. Foi um trabalho principalmente da parte abdominal, que é bem importante e também em músculos auxiliares. Isso tudo ajuda a ter umcondicionamento perfeito.

Uma temporada consistente é fundamental para você ter uma boa participação na Olimpíada?
Não tive uma boa participação no Pré Olímpico. Não estou feliz com nada do que fiz, mas acontece. Todos os jogadores têm altos e baixos. Por isso, quero continuar bem e em um ritmo forte aqui no Spurs para chegar bem à Seleção.

Você conversou com o Magnano após o Pré-Olímpico?
Falei com ele rapidamente. Ele disse que eu tinha de jogar mais minutos no Spurs para chegar em uma melhor condição, na Olimpíada, do que cheguei em 2011.

Com time completo, você crê que o Brasil tem força para brigar por medalha, e não só fazer figuração em Londres?
Conversei com o Ginóbili. Ele me disse que, em Olimpíada, é mais fácil de se ganhar medalhas do que em Mundial. São menos jogos. Então, se você estiver bem em dois, três jogos, você já está em uma semifinal. É uma competição rápida e equilibrada. Se chegarmos bem, com um time forte e redondo, podemos conseguir algo.

Para a Olimpíada, é melhor fazer uma preparação forte, contra grandes times ou jogar contra seleções mais fracas?
É bom ter um pouco de tudo: pegar times mais fracos e equipes de grande nível. Existem muitas coisas que precisam ser testadas antes. Mas acho que em alguns jogos nós já estaremos redondinhos.

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