Senador ameaça impedir votação que prevê isenção fiscal ao COL

Alvaro Dias aguarda manifestação do MP sobre a participação de Teixeira no Comitê

Michel Castellar - 20/11/2010 - 06:00

Álvaro Dias. (Foto: Arquivo Lance!)

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) quer impedir a votação no Senado do projeto que prevê isenção fiscal - aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira passada - para o Comitê Organizador Local da Copa 2014 e a Fifa, caso irregularidades na formação do COL sejam comprovadas. Ele disse que aguardará a manifestação oficial do Ministério Público para se posicionar entre os colegas de plenário.

Reportagens do LANCENET! revelaram essa semana uma manobra estatutária que permite a Ricardo Teixeira - sócio do COL como pessoa física e presidente da CBF - ficar, em tese, com 100% do lucro do Mundial:

- Não só isso era esperado como alertei que algo parecido pudesse ocorrer. Tivemos a exata noção de como o futebol brasileiro era administrado quando fizemos a CPI.

Dias, que presidiu a CPI do Futebol, entre 2000 e 2001, condenou a atitude de Teixeira. E ressaltou que a maneira como a organização da Copa vem sendo conduzida também merece ser refutada.

- Ele (Teixeira) está nos dois lados do balcão. Atua como gerente e beneficiário dele. Sob o ponto de vista da ética pública, isso é incompatível - frisou Dias.

Diante dos fatos revelados pelo LNET! e a possibilidade de o contrato social do COL poder vir a ser contestado juridicamente, Dias disse que a assessoria técnica de seu partido também analisa o documento. Mas uma posição oficial será tomada, após a manifestação do Ministério Público.

O senador disse que não se intimidará caso alguma ilegalidade seja comprovada. Salientou que, mesmo em minoria no Congresso, marcará posição pela investigação dos fatos, antes de votar o projeto de isenção fiscal:

- Se os próprios procuradores estão questionando o contrato, nós também precisaremos avaliar. Isenção fiscal é dinheiro público. A Copa do Mundo não é privada, como eles afirmam.

Para Dias, o Comitê Organizador Local, quando é de seu interesse, diz que só usa dinheiro privado. Mas para pedir isenção fiscal vai direto em cima dos recursos públicos.

BATE-BOLA
Alvaro Dias - Senador (PSDB-PR)

1) Vai ser fácil impedir a votação do projeto de isenção fiscal no Senado?
Só pelo fato de ser minoria, já vai ser difícil.

2) Se fosse maioria...
Também seria, porque muitos políticos temem ser visto como aqueles que atrapalharam a Copa no Brasil.

3) Mas e o interesse público que deveria prevalecer?
Nessa hora, o interesse público fica em segundo plano. Alegam que é um grande projeto (a Copa do Mundo 2014) para o país e não podem atrapalhar.

4) E o que é possível fazer?
Primeiro, analisar bem o projeto de isenção fiscal, porque ele representará a utilização do dinheiro público. Em seguida, marcar posição e ver se, ao aprová-lo, não estaremos privilegiando empresas e pessoas.

ENTENDA MELHOR:
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