Seleção estreia no Mundial de futsal em meio a queda de braço com a Fifa

Órgão quer retirada da menção aos títulos mundiais de 1982 e 1985 do uniforme

Fábio Aleixo e Felipe Mendes - 01/11/2012 - 08:00 Rio de Janeiro (RJ)

Seleção Brasileira de Futsal - Falcão (Foto: Zerosa Filho/CBFS)

A Seleção Brasileira de futsal estreia nesta quinta-feira na Copa do Mundo da Tailândia, às 12h (de Brasília), contra o Japão, em meio a uma queda de braços com a Fifa.

A entidade máxima do esporte exige que a Confederação Brasileira da modalidade (CBFS) retire do uniforme da Seleção duas das seis estrelas que ficam sobre o escudo. Elas são referentes aos títulos mundiais conquistados em 1982 e 1985, quando o esporte era regido pela Fifusa, entidade já extinta.

LANCENET! Explica: Entenda por que a Fifa quer retirar duas estrelas da camisa da Seleção de futsal

O problema é que a própria Fifa – que controla a modalidade desde 1989 – havia autorizado a confecção das camisas com as seis estrelas, no mês de setembro. Porém, durante o período de aclimatação no Japão, há duas semanas, exigiu a exclusão de duas estrelas. Em reuniões que ocorreram na Tailândia, a entidade voltou a tocar no assunto, irritando o presidente da CBFS, Aécio de Borba Vasconcelos.

Ele alega que não há tempo hábil para a Fila – fornecedora da CBFS – confeccionar um novo material e enviá-lo para a Tailândia. O mandatário também bateu de frente com a entidade e relembrou os torneios passados, quando não houve este tipo de exigência.

– Nunca tivemos problemas quanto a isso. Em 1989, jogamos o Mundial com duas estrelas na camisa. Em 2008, no Brasil, atuamos com cinco estrelas na camisa e não houve qualquer tipo de reclamação por parte da organização – afirmou em entrevista ao SporTV.

Para não ser obrigada a fazer mudanças no uniforme, a direção da CBFS pediu uma posição oficial dos dirigentes que estão em Zurique, onde fica a sede da Fifa.

Uma decisão só deveria ser tomada nesta madrugada (manhã de quinta na Tailândia). Caso a entidade bata o pé e peça a mudança do uniforme, não está completamente descartada a utilização de uma fita adesiva para cobrir as estrelas.


Seleção joga torneio com pouca renovação

A Seleção Brasileira que disputa o Mundial a partir de hoje não tem uma grande renovação em relação ao grupo que conquistou o título em 2008. Dos 14 convocados, oito estavam na edição passada, enquanto quatro são estreantes. E dois que disputaram o Mundial em 2004, mas que ficaram fora em 2008, retornam para o evento deste ano.

Essa pouca renovação se reflete na média de idade. Se em 2008 ela era de 30,14, agora subiu para 31,28. Tanto o jogador mais novo quanto o mais velho são goleiros: Guitta tem 25, enquanto Franklin, 41. O craque Falcão, que disputará seu último Mundial, está com 35.

Para o ex-jogador Manoel Tobias, campeão mundial em 1992 e 1996, o técnico Marcos Sorato, o Pipoca, agiu corretamente ao optar por jogadores mais experientes.

– Vejo com bons olhos. Temos uma mescla positiva. Há jogadores novos de grande talento e outros mais antigos que dão suporte por já terem disputado um Mundial. Creio que o Brasil formou um grupo forte e coeso – afirmou Tobias.

Uma das vantagens da equipe será o entrosamento. Três jogadores atuam pelo Barcelona, campeão europeu, enquanto outros quatro pela Intelli, campeã nacional. Seriam cinco, mas Ciço foi cortado por lesão.

Japonês que jogou no Santos faz história

Dos 14 jogadores japoneses relacionados pelo técnico espanhol Miguel Rodrigo para a partida de hoje contra a Seleção Brasileira, um deles será prontamente reconhecido pelo público brasileiro. Trata-se do pivô Kazuyoshi Miura, ou simplesmente Rei Kazu, como é chamado em seu país.

No Brasil, ele ficou famoso por ser o primeiro japonês a defender o Santos, no fim da década de 1980. Além disso, teve uma importante passagem pelo XV de Jaú, onde até hoje é idolatrado pela população da cidade do interior de São Paulo.

Na Copa do Mundo da Tailândia, Kazu voltará a fazer história. Aos 45 anos de idade, se tornará o jogador mais velho a disputar a competição. Ele vai superar o compatriota Satoru Noda, que tinha 44 anos e nove meses quando disputou o primeiro torneio organizado pela Fifa, na Holanda, em 1989.

No futebol de campo, Kazu se destacou pela seleção japonesa. Ele atuou em 89 partidas e anotou 55 gols. Agora, espera ter sucesso também na quadra.

– Com todo orgulho e responsabilidade de fazer parte da seleção nacional, darei o meu máximo – disse ao site da federação local.

O técnico Miguel Rodrigo aprovou a chegada de Rei Kazu.

– Creio que ele pode agregar muito à nossa equipe. Ele tem experiência, algo que nos faltava, e um grande poder de finalização.

Em sua quarta participação na Copa do Mundo, o Japão chega embalado pela conquista da Copa da Ásia, quebrando a hegemonia do Irã. Nas três participações anteriores em Mundiais, o melhor resultado obtido pelos japoneses foi a 12 colocação no Brasil, em 2008.

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