Ryan Lochte: o nadador mais forte do mundo!

Favorito ao posto de estrela da natação em Londres, Ryan Lochte conta ao L! que preparação envolve até arremesso de barris 

Ivo Felipe - 03/06/2012 - 07:00 São Paulo (SP)

Ryan Lochte desafia as convenções do que é ser um superastro. Em vez de reclusão e respeito a rituais, ele é famoso por inovar. Essa, talvez, seja sua característica mais marcante desde o Mundial de Roma-09, quando “tirou” do rival Michael Phelps o status de maior nadador do planeta.

A excentricidade é marcante até mesmo na forma como ele se prepara para os grandes torneios. Muita coisa mudou na comparação entre o nadador que esteve em Pequim-08 e o que estará em Londres-12.

– Fiz uma série de ajustes em meus treinos e nos meus hábitos alimentares após a Olimpíada de Pequim, que ajudaram a me tornar melhor, mais forte e mais rápido – disse Lochte, em entrevista ao LANCENET!.

Os métodos de treinamento aos quais ele se refere não são nada convencionais. Uma vez por semana, em Gainesville, onde mora, Lochte arremessa barris, arrasta correntes e carrega pneus, em rotina semelhante à de competidores da modalidade chamada “O Homem Mais Forte do Mundo”.

Tudo isso sob a tutela do técnico Matt DeLancey, ex-competidor do esporte e que coordena também ao menos duas rotinas semanais de musculação para o americano.

A técnica pode até ser contestável. Mas é inegável o quanto Lochte evoluiu desde a participação “discreta” em Pequim, quando “só” levou dois ouros e dois bronzes.

– O treino a que me submeto é muito intenso e engraçado. Além disso, também me dá vantagem em relação aos rivais e me traz mais resistência – disse Lochte, vencedor de cinco medalhas de ouro no Mundial de de Xangai-2011.

A influência de DeLancey vai além de apenas orientar os treinamentos físicos de Lochte. O técnico o ensinou a cozinhar as refeições que, segundo ele, são ideais para um nadador.

O foco está em evitar problemas como os que ocorreram nos Jogos da China. Após adquirir um vírus estomacal e culpar a comida local, Lochte decidiu comer só McDonald’s pelo restante da Olimpíada, o que o fez ganhar quase seis quilos.

Lochte também foge, pessoalmente falando, do padrão de atletas de alto nível. Mesmo sendo um astro da delegação americana, ele não solicita nenhum tipo de privilégio, isolamento nem nada do tipo. De acordo com o próprio nadador, isso o “mataria”.

– Não preciso de tratamento especial. Treinei todos os dias da minha vida para este momento. Sou um atleta olímpico e amo ter pessoas a minha volta, distribuir autógrafos e compartilhar meus feitos com o mundo – afirmou.

Em Londres, seu sucesso pode alçá-lo a um patamar que poucos atletas olímpicos alcançaram.

Apesar de ainda depender da seletiva americana (que ocorrerá em Omaha, neste mês) para saber em quais provas competirá, espera-se que Lochte nade um número semelhante ao que Michael Phelps disputou em Pequim. Em 2008, Phelps faturou oito ouros na China – façanha inédita em uma só edição olímpica.

Confira um bate-bola com Ryan Lochte - em entrevista exclusiva ao LANCENET!

‘Se fizer tudo o que posso, vou bater mais recordes’

Você acredita que pode se estabelecer como o melhor do mundo em Londres, à frente de Phelps?
Não vou para as competições pensando desta forma. Meu processo para se tornar o melhor do mundo passa em ser o melhor que eu posso ser. E eu vejo que esta filosofia tem funcionado muito bem para mim. O dia em que a natação for apenas uma ocupação, é o dia em que eu terei de parar.

Os Estados Unidos perderam sua hegemonia para a China, em 2008, no quadro de medalhas. Há alguma pressão sobre vocês agora?
Eu não sinto pressão alguma por causa disso. Eu sinto apenas como se eu estivesse indo para uma Olimpíada para dar o meu melhor.

Em Pequim, Phelps ganhou oito medalhas de ouro. Crê que pode fazer algo parecido em Londres?
A possibilidade de obter oito medalhas de ouro passa por uma série de fatores, como o desempenho dos companheiros em revezamentos e o calendário de provas. É algo que pode ser feito? Com certeza. Mas sei que é uma tarefa bastante dura.

Em alguma provas você compete contra o brasileiro Thiago Pereira. Você acha que ele pode brigar por um pódio em Londres?
Eu nado contra ele desde 2004. Ele está sempre na briga por medalhas. Tenho certeza de que ele brigará por um pódio nesta Olimpíada.

Na Olimpíada do Rio-2016, você terá 32 anos. Acha que estará em forma para disputar essa Olimpíada?
Correção: eu vou estar com quase 32 anos, pois só faço aniversário em agosto (risos). Com certeza eu estarei no Rio de Janeiro. As pessoas achavam que eu não venceria após Pequim só porque estaria mais velho, mas hoje me vejo muito mais rápido do que eu era antigamente.

O que mudou do Ryan Lochte de Pequim-2008 para o Ryan Lochte que estará em Londres-2012?
Eu estou mais velho e mais inteligente. Eu estou mais forte por causa do meu esforço para treinar com afinco cada vez mais. Eu estou mais rápido do que nunca. Tenho também um técnico que entende quem eu sou e o que eu preciso.

Você foi o primeiro homem a bater um recorde mundial após os trajes tecnológicos. Você acha que pode continuar batendo as marcas?
Sim, eu acho que é possível. Estou na melhor forma da minha vida e eu estou cada vez mais forte. Se eu fizer o que posso e dar tudo que eu tenho, creio que posso quebrar mais recordes mundiais.

Astro se esquiva sobre caso Cielo

Ryan Lochte se manteve em cima do muro quando foi questionado sobre o caso de doping em que o velocista brasileiro Cesar Cielo se envolveu.

No ano passado, Cielo e três companheiros foram flagrados em exame antidoping com a substância furosemida, às vésperas do Mundial de Xangai. Após julgamento, Cielo foi advertido pela Corte Arbitral do Esporte e pôde disputar a competição. O fato gerou protestos de alguns dos adversários do campeão olímpico.

– Não condeno a atitude de nenhum atleta flagrado no antidoping, a menos que eu esteja diretamente envolvido no caso. Respeito a forma como Comitê Olímpico lida com os casos e respeito as regras dos Jogos Olímpicos – afirmou Lochte.

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