Romário é 11: As grandes polêmicas de um Baixinho

Polêmico assumido, Romário não leva desaforo para o vestiário

Igor Siqueira
Luiz Signor
- 03/11/2011 - 11:11 Rio de Janeiro (RJ)

Especial Romário - Prese por um dia (Foto: Gilvan de Souza)

Falar em Romário é falar de polêmica. O Baixinho nunca fugiu da raia e protagonizou episódios e embates que ficarão na memória. Brigas, discussões, choro, ranger de dentes e até cadeia. Tem tudo isso no pacote. O terceiro capítulo da série “Romário é 11” relembra apenas 11 polêmicas envolvendo o Baixinho.

- Não tem nenhuma que tenha me marcado muito individualmente. Mas posso dizer que todas essas experiências me fizeram aprender muito – disse o Baixinho ao LANCENET!.

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1 - Edmundo

Parecia até que eram irmãos. Romário e Edmundo, muito parecidos no estilo impetuoso, viveram uma relação de extremos. Era amor ou ódio. Calmaria não era com eles. Quando se juntaram para formar o “melhor ataque do mundo”, os dois se entendiam por música (por rap, para ser mais preciso). Só que com a sequência de maus resultados e as regalias que a diretoria do Fla dava ao Baixinho, Edmundo passou a não guardar tanto carinho pelo companheiro de ataque. O clima azedou de vez. Sobrou para Edmundo, que deixou o clube no ano seguinte.

Os "Bad Boys"

O reencontro foi no Vasco, em 2000, dirigidos por Abel Braga. A torcida vascaína ia ao delírio ao ver os dois comemorando juntos o sucesso do time no Mundial. Mas a briga pela braçadeira de capitão começou a esquentar o clima. Edmundo errou o pênalti decisivo na final e também mandou para longe a chance de reconciliação plena.

O ápice da discórdia pegou fogo quando Edmundo quis bater um pênalti contra o Bangu, em São Januário, pelo Carioca, mas Romário não deixou e bateu na trave. Edmundo, na saída da partida, diz que o então presidente Eurico Miranda era o rei e Romário, o príncipe. No jogo contra o Olaria, quando fez um gol e assumiu a artilharia do Carioca, Romário deu o troco:

- A corte toda agora está feliz. O rei, o príncipe e o bobo.

Atualmente, a relação dos dois é bem cordial. Quando o Animal foi preso, em junho, Romário deu força ao ex-companheiro pelo Twitter.

2 - Pelé

Romário sempre reverenciou o que Pelé fez dentro de campo. Mas fora dele, o Baixinho nunca escondeu que não tem muita simpatia pelo Rei. O ápice da crise foi em 2005, quando Pelé disse que Romário já deveria se aposentar. A resposta foi com a famosa declaração: “Pelé calado é um poeta”.

A busca pelo milésimo gol também tem sido motivo de troca de rusgas entre os dois até hoje. Pouco antes de chegar à marca, o Baixinho disse que Pelé contou gol até contra time do exército. Neste mês, com Romário em Guadalajara para cobrir o Pan, o Rei do futebol devolveu:

- Até no futevôlei ele conta gol, nunca vi!

3 - Mulheres e as noitadas

Romário nunca escondeu a preferência pela vida noturna. Apesar disso, ele jura de pés juntos que não bebe nem fuma. Com relação às mulheres, o Baixinho dá o braço a torcer. Ele admite que é o ponto fraco (ou forte, né?). De fuga das concentrações, inclusive pela Seleção, a sexo no vestiário do Maracanã.

Uma delas desencadeou uma briga com o presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva, e sacramentou a dispensa do jogador do Flamengo, em 1999. A “Festa da Uva” aconteceu quando ele resolveu aproveitar a noite de Caxias do Sul, após o Fla perder para o Juventude no Brasileirão. Se o Baixinho tem mil gols, ele já deve ter muito mais de 1001 noites de diversão pelo mundo.

4 - Zico e Zagallo no banheiro


Romário e Zico fazem as pazes, após 11 anos de rusgas (Foto: Gilvan de Souza)

    

Ressentido pelo corte às vésperas da Copa-98, Romário resolveu "homenagear" o então técnico da Seleção, Zagallo, e o coordenador técnico Zico. O Baixinho mandou pintar caricaturas da dupla na porta do banheiro de sua boate, na Barra da Tiuca, Zona Oeste do Rio. Só que a travessura rendeu a Romário um processo na Justiça e a condenação de R$ 380 mil de multa ao Velho Lobo.

Mas o tempo curou as mágoas. Com relação ao Galinho, a paz foi selada em um jogo beneficente no final de 2009.

5 - Brigas em campo

Romário nunca levou desaforo para o vestiário. A baixa estatura não foi fator inibidor para que ele entrasse em briga. No Barcelona, deu um soco no argentino Simeone, foi expulso e pegou cinco jogos de suspensão.

Duas marcaram na época de Flamengo. A primeira delas foi em 1995, contra o Vélez, pela Supercopa dos Campeões. Romário foi defender o amigo Edmundo, que havia sido agredido pelo zagueiro Zandona, e deu uma voadora que ficou para a História. A segunda, em 1997, foi na Gávea, em um amistoso contra o Madureira. O Fla já vencia por 7 a 0, mas o Baixinho se engalfinhou com o lateral Cafezinho. Segundo o próprio Romário, "a briga foi boa porque os dois eram do mesmo tamanho".

A tarde de 15 de setembro de 2002 não seria uma qualquer para Romário, Fluminense e para o zagueiro Andrei. O time então dirigido pelo “peixe” Renato Gaúcho levou um sacode do São Paulo no Morumbi: 6 a 0 (com eco!).

Mas o placar ainda estava 0 a 0 quando o lance que marcaria a partida aconteceu. Andrei falhou na marcação e Romário foi tirar satisfação com ele. Não teve nem conversa. O camisa 11 deu um tapa no zagueirão, que ficou sem reação. A partir daí a porteira abriu para o desfile de gols são-paulinos. Andrei perdoou o Baixinho, mas o STJD não. Romário foi punido com um jogo de gancho.

6 - Brigas com torcedores

Um dos maiores escândalos da carreira de Romário teve as Laranjeiras como palco. Em 2003, o Baixinho se indignou com os xingamentos de um torcedor, que chegou a jogar uma galinha no gramado, e partiu para o pega pra capá. O torcedor levou a pior e a polícia chegou a ser chamada para conter a confusão. O dono da galinha registrou boletim de ocorrência, mas ficou por isso mesmo. Ou melhor, Romário se inspirou e no dia seguinte marcou o gol da vitória do Flu sobre o Corinthians.

Romário não chegou a sair no tapa com os torcedores vascaínos, mas chegou a fazer gestos obscenos ao comemorar um gol, na vitória por 2 a 1 sobre o Universidad Católica (CHI), pela Mercosul-2001. Ele repetiria a dose em 2002, na goleada por 5 a 1 sobre o Bangu, pelo Rio-São Paulo.

Foi assim que o LANCE! noticiou a briga entre R11 e um torcedor do Flu em 2003

7 – Cortes

Todo mundo se lembra do corte da Copa de 1998, na França, quando Romário sofreu uma lesão na panturrilha quando defendia o Flamengo contra o Friburguense e ficou fora do Mundial. Muito contrariado, por sinal. Mas o primeiro corte da Seleção Brasileira foi muito antes, ainda nos tempos de juniores (sub-20).

O ano era 1985 e um Romário com 19 anos já aprontava. O técnico Gilson Nunes resolveu não leva-lo para o Mundial da categoria naquele ano porque o Baixinho, acompanhado de Denílson e Müller, estava mexendo com as donzelas que passavam pela calçada em frente à concentração brasileira. Acabou que Romário foi cortado sozinho.

Em 2002, o corte não foi oficial, já que Romário nem chegou a ser chamado por Felipão à medida que a Copa se aproximava. O Baixinho chorou, convocou coletiva, pediu desculpas, mas não teve jeito. A “Família Scolari” não teve espaço para Romário. O Brasil foi penta sem ele. Fato que o Baixinho lamenta até hoje. O Baixinho teria feito sexo com a aeromoça antes da partida contra o Uruguai, em Montevidéu, e isso teria deixado Felipão irado. Romário nega até hoje.

8 - Romário x treinos

Treinar: a grande discórdia entre Romário e os treinadores pelos clubes por onde passou. O Baixinho sem foi adepto do lema: “Treinar para que?”. Foi assim que ele arrumou confusão no Valencia, da Espanha e acabou perdendo espaço.

O freio de mão puxado nos treinamentos começou pra valer depois que foi melhor do mundo, em 1994. Cruyff foi a primeira vítima das tentativas de barganha do Baixinho, que prometia – e cumpria – um caminhão de gols nos jogos em troca de folguinhas extras.

No Flamengo, as regalias trouxeram problemas com Vanderlei Luxemburgo, que “já pensava que era o melhor técnico do mundo”, como disse o próprio Romário. Luxa perdeu a queda de braço e foi demitido. A briga com os treinadores para pegar leve no treino só acabou quando ele mesmo foi seu treinador, do fim de 2007 ao início de 2008, no Vasco. Se pudesse, Romário assinaria a Lei Áurea dos treinos.

9 - Doping


Romário chora ao ser absolvido pelo STJD no caso de doping (Reprodução)
 

A idade chegou e os cabelos começaram a cair. Romário, já com mil gols, apostou nos remédios para conter a calvície, mas ele não contava que os produtos pudessem conter substâncias proibidas. A finasterida fez com que o Baixinho fosse condenado por 120 dias de suspensão. Flagrado no final de 2007, Romário, no entanto, acabou sendo inocentado por unanimidade pelo Pleno do STJD, que o liberou em fevereiro de 2008.

10 – Prisão

Em julho de 2009, Romário passou uma noite na prisão por não ter pagado a pensão alimentícia dos filhos, Moniquinha e Romarinho, ambos tidos com Monica Santoro. Romário admitiu que o episódio prejudicou sua relação com os filhos, na época com 19 e 15 anos, respectivamente.

11 - Ricardo Teixeira
Romário foi parceiro do presidente da CBF na campanha para trazer a Copa-2014 para Brasil. Mas o tempo passou, o Baixinho se elegeu deputado e virou uma das figuras que mais cobra de Teixeira as explicações por conta das denúncias de corrupção. Romário foi deixado de lado da organização da Copa. Nem no sorteio dos grupos compareceu.

O Baixinho virou amigo do jornalista Andrew Jennings, que revelou o esquema de recebimento de propina em que Teixeira está supostamente envolvido, através da Sanud. A Fifa também passou a ser alvo do parlamentar.

Romário ainda diz que foi traído por Teixeira, de quem teria recebido garantia de que jogaria a Copa-2002. Pelo visto, o rancor não é de hoje...

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