Presidente da Gaviões da Fiel não pode ir aos jogos: 'É como estar preso'

Acusado de briga com torcida uniformizada do Palmeiras, Donizete perderá as finais da Copa Libertadores

Bruno Uliana
Bruno Rodrigues
- 26/06/2012 - 06:30 São Paulo (SP)

Donizete - Gaviões (Foto: Renato Cordeiro)

Em liberdade, mas sem poder fazer o que mais gosta. É assim que Antônio Alan Souza Silva, ou Donizete, presidente da Gaviões da Fiel, define a sua própria situação. Ainda respondendo um inquérito, ele está proibido de ir aos jogos do Corinthians, fora ou dentro do estado de São Paulo.

No último dia 3 de maio, Donizete teve prisão decretada acusado de ser “co-autor” da morte de dois torcedores da Mancha Alviverde, principal torcida uniformizada do Palmeiras, na briga entre torcedores que aconteceu no dia 25 de março em uma avenida da Zona Norte de São Paulo. Sete dias após, ele se entregou no 77 Distrito Policial.

Liberado dias depois, Donizete recebeu uma ordem para que se apresentasse na delegacia em todos os jogos do Corinthians: ele deveria chegar duas horas antes de cada partida e só sair duas horas depois. Hoje, porém, ele só precisa fazer este “ritual” quando o Corinthians joga em São Paulo. Em jogos fora, é liberado para ficar em casa.

Mesmo longe da cadeia, Donizete não se sente assim tão livre...

– Claro que não se compara a estar preso mesmo, mas não poder ir aos jogos do Corinthians é como estar preso para mim. É como me sinto. Não posso fazer o que mais gosto. Principalmente agora, que estamos tão próximos do título da Libertadores e eu não posso estar lá – disse, em contato com o LANCENET!.

Donizete, apesar de dizer não estar no local da briga, foi indiciado como “co-autor” dos homicídios de Guilherme Vinícius Jovanelli Moreira e André Alvez Lezo, palmeirenses mortos na briga. Ele se defende:

– Como posso ser responsabilizado se eu nem estava presente? A Gaviões nunca financiaria, como foi cogitado, ou compactuaria com isso. Só porque tinham integrantes, que nem mesmo frequentam mais, fui responsabilizado. Mas ninguém provou – disse ele, que completou:

– Em 11 meses, não sou mais presidente. Volto à antiga profissão. Sou motoboy, como bato na porta de alguma empresa para trabalhar com isso na ficha? – finalizou.

Nesta quarta-feira, Donizete ficará na quadra da Gaviões, que receberá mais de três mil pessoas.

A briga entre corintianos e palmeirenses

A briga
No dia 25 de março, entre 500 e mil torcedores de Corinthians e Palmeiras entraram em confronto na Avenida Inajar de Souza, Zona Norte de São Paulo. A briga acabou com duas pessoas baleadas e diversos outros com ferimentos leves. Quatro torcedores (dois armados) foram detidos e levados ao 72 Distrito Policial, na Vila Penteado.

Mortes
Os dois torcedores palmeirenses baleados, Guilherme Vinícius Jovanelli Moreira e André Alvez Lezo, tiveram a suas mortes confirmadas horas depois da briga generalizada.

Torcidas vetadas
No dia seguinte ao ocorrido, a Federação Paulista de Futebol proibiu a entrada de Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde nos estádios até que fossem apurados os responsáveis pela briga.

Prisões
Alguns integrantes da Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde, as duas principais torcidas uniformizadas, foram presos dias depois do ocorrido. A Polícia Militar recolheu, também, computadores e objetos nas quadras das torcidas para fins de uma mais apurada investigação.

Donizete detido
No dia 3 de maio, Donizete teve prisão decretada. Por ser presidente da Gaviões, foi acusado como “co-autor” na morte dos palmeirenses. Se entregou sete dias após. Dias depois, foi solto.

Com a palavra: Arlindo José Negrão Vaz
Delegado do Decradi

'Como presidente, ele sabia do confronto'

"Claro que ele tem de falar que é inocente, mas eu, em nenhum momento, disse que ele foi lá e deu com uma barra de ferro na cabeça de alguém. Porém, como presidente da Gaviões da Fiel, óbvio que sabia da briga. O ônibus que foi usado para o confronto foi o da Gaviões da Fiel. Os fogos utilizados eram deles, foram compradas barras de ferro pelos Gaviões. Se sou presidente e não sei o que está acontecendo, sou um inútil. Ele é responsável, sabia do confronto e do esquema"

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