Olimpíadas: time britânico de futebol é alvo de críticas

Reativada para a Olimpíada de Londres, equipe da Grã-Bretanha causa polêmica e vira até motivo de protestos

João Vitor Xavier - 03/07/2012 - 08:53 Londres (ING)

Ryan Giggs (Foto: Lindsey Parnaby/EFE)

A decisão da Associação Olímpica Britânica (BOA) de revitalizar seu time de futebol para Londres-2012 tem sido alvo de muitas polêmicas, com torcedores temendo que nações como Irlanda do Norte, País de Gales e Escócia percam sua representatividade diante da Fifa e seus times desapareçam, dando lugar a uma equipe britânica permanente. Apesar dos protestos, o "Team GB", convocado na última segunda-feira pelo técnico inglês Stuart Pearce, está confirmado no torneio de futebol da próxima Olimpíada.

Ao contrário de outros esportes olímpicos, no futebol a Grã-Bretanha atualmente não tem nenhuma representatividade, com cada uma das nações (Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales) tendo suas próprias federações e equipes separadas e afiliadas à Fifa.

Até 1972, um time amador representava os britânicos nas Olimpíadas. No entanto, dois anos depois, as federações acabaram com o futebol amador na Grã-Bretanha, impedindo a tentativa de qualificação para 1976 e 1980. Em 1984, quando, por meio de um acordo entre Fifa e o Comitê Olímpico Internacional (COI), profissionais passaram a jogar as Olimpíadas, as nações que compõem a Grã-Bretanha fizeram um acordo
para não disputar mais o torneio.

Em 2012, porém, o fato de as Olimpíadas serem na capital britânica e a comemoração dos 100 anos da última medalha de ouro do futebol britânico (ainda amador, em 1912) fizeram com que a BOA se juntasse à Federação inglesa (FA) para fazer um novo "Team GB", apenas para Londres-2012. As demais federações se declararam contra o time britânico, mas admitiram que não poderiam impedir seus jogadores de representarem a Grã-Bretanha.

A rejeição à ideia de um time britânico entre os torcedores é tão grande que algumas associações de torcidas das seleções inglesa, galesa, norte-irlandesa e escocesa se juntaram e fundaram a "No Team GB", um movimento que tenta impedir que a equipe britânica possa seguir após a Olimpíada.

Apesar de apenas galeses e ingleses terem sido convocados, um boicote foi negado por dirigentes.

HISTÓRICO DO TIME BRITÂNICO

Vitórias nas Olimpíadas

Em 1908 (Londres) e 1912 (Estocolmo), nos dois primeiros torneios de futebol das Olimpíadas, os britânicos levaram a melhor, conquistando duas medalhas de ouro.

Seca

Desde os dois primeiros títulos, o time britânico nunca mais conseguiu uma medalha em Jogos Olímpicos, com a última participação acontecendo nas Olimpíadas de 1960, em Roma.

Fim da linha em 1972

Após não passar pelas eliminatórias para Munique-1972, o futebol amador foi encerrado na Grã-Bretanha (1974). A partir daí, só voltou a se falar em participação britânica nos Jogos Olímpicos em 1984, quando o futebol foi profissionalizado em acordo entre o COI e a Fifa. Porém, outro acordo entre as federações impediu alguma representação britânica.

Reativação para 2012

Com o centenário do último ouro somado à qualificação automática para Londres-2012, a BOA resolveu retomar seu time britânico.

BATE-BOLA

Tam Ferry, porta-voz do movimento No Team GB

Pergunta: Por quê vocês são contra um time britânico se juntar para 2012?

Tam Ferry: É uma equipe juntada por motivações políticas. Não existe um time britânico. Não há uma casa, uma camisa, um técnico e certamente
não há uma torcida.

P: Como começou o movimento?
TF: Iniciamos em 2006, quando aconteceram as primeiras reuniões de um possível time britânico, ainda para as Olimpíadas de 2008. Vencemos
aquela batalha, mas perdemos essa. Não vamos perder a guerra.

P: E que guerra é essa?

TF: Manter a independência de todas as nações. Sou escocês, apaixonado pela seleção escocesa. Não vou torcer para um time britânico. Temos
ingleses, galeses e norte-irlandeses que nos apoiam e têm a mesma ideia, o mesmo repúdio a um time apenas britânico, com jogadores de nossas seleções com outra camisa.

P: A preocupação em relação à perda da independência é mesmo real e iminente?

TF: O presidente Blatter disse, em 2008, que se a Grã-Bretanha jogasse como um time, seria difícil justificar a presença de quatro associações diferentes, com seus próprios votos e presidentes. Acho que isso já responde a sua pergunta.

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