'Moças Bonitas': as meninas do futebol feminino do Bangu

Com equipe emprestada pelo Santos, time da Zona Oeste carioca tem quatro jogadoras na Seleção que pode ir à Copa do Mundo

Gabriel Andrezo - 27/05/2011 - 21:33 Rio de Janeiro (RJ)

Zizi, zagueira do Bangu (Foto: Divulgação)

Os banguenses se orgulham de terem, na História do seu clube, três jogadores que já defenderam o Brasil em Copas do Mundo: Zizinho (1950), Zózimo (1958 e 1962) e Fidélis (1966). Mas, em 2011, este recorde foi quebrado pelas 'Moças Bonitas', a equipe de futebol feminino do Bangu. Nada menos que quatro jogadoras da equipe foram pré-convocadas para o Mundial da modalidade, em junho, na Alemanha.

Grande parte das jogadores veio emprestada pelo Santos, clube campeão da Libertadores da América de futebol feminino. A goleira Thaís, a zagueira Zizi, a meia Bia e a atacante Thaís Guedes são quatro das 25 jogadores presentes na pré-lista do técnico Kleiton Lima para a Copa do Mundo. Kleiton, aliás, é outro que veio do Santos para o Bangu e comanda a equipe carioca. Mais do que ninguém, ele conhece bem suas jogadoras, especialmente as mais jovens.

- Trabalhei por quatorze anos no Santos e conheço algumas jogadoras desde bem mais novas. Apesar de ainda serem jovens, elas são guerreiras e estão amadurecendo. Sempre procurei credenciá-las a fazerem um bom trabalho e hoje elas fazem parte de um processo natural de evolução no futebol feminino brasileiro.

Apesar de jogarem no Rio, as atletas não se afastaram de suas raízes. A equipe se concentra em um alojamento no Guarujá, litoral paulista, e vem ao Rio apenas para jogarem as partidas válidas pelo Campeonato Carioca, competição em que o Bangu é semifinalista. A rotina acaba sendo desgastante, já que o time joga todas as semanas e passa muito tempo viajando, com pouco tempo para se dedicar aos treinamentos.

Inicialmente, o Flamengo seria o destino das jogadoras santistas. Mas na última hora o Rubro-Negro desistiu da ideia de montar uma equipe de futebol feminino. Com isso, o Bangu saiu beneficiado, e passou a contar com as atletas. Segundo Kleiton Lima, a vinda para o Rio de Janeiro não aconteceu por acaso:

- Viemos justamente para tentar alavancar a modalidade no estado. No Santos, muitas jogadores talentosas saíam do Rio para participarem de peneiras lá. Estamos tentando alavancar o campeonato, mas seria ideal que tivéssemos ainda mais clubes tradicionais no Campeonato Carioca.

Conhecidas como 'Sereias da Vila' nos tempos de Santos, o apelido das meninas mudou. Agora, com o aval de Kleiton, elas são as 'Moças Bonitas' em uma brincadeira com o nome popular do estádio do Alvirrubro da Zona Oeste, Moça Bonita.

- Nosso time é bem bonito, sim, e bem feminino. Além de talentosas, todas são uma simpatia - afirma o técnico.

ESTRANGEIRAS CHAMAM ATENÇÃO NO BANGU

Apesar de algumas jogadores fazerem parte da Seleção Brasileira, duas gringas também despertam olhares curiosos na equipe da Zona Oeste: a islandesa Thorunn e a inglesa Liz.

Thorunn Jonsdóttir, de 26 anos, veio do Santos, clube em que era a única estrangeira. Apesar de ser do distante país do norte da Europa, a meio campista - que está no Brasil há mais de dois anos - fala muito bem o português. O grande obstáculo, a princípio, foi o calor brasileiro, completamente oposto ao frio islandês:

- Já fazia muito calor em Santos, aqui é ainda pior. Mas gosto do calor e estou acostumada. O mais difícil agora é voltar para o frio, como já aconteceu quando tive que defender a seleção do meu país. Mas o Brasil é um lugar é ótimo, não quero nunca sair daqui.

Em relação a Marta, eleita por cinco vezes a melhor jogadora do mundo pela Fifa e com quem jogou no Santos, Thorunn diz que a idolatria à brasileira é imensa nos países nórdicos. Marta atuou por cinco temporadas no Umea, clube sueco.

- Foi uma grande honra jogar com a Marta, é o sonho de qualquer jogadora, seja brasileira, norte-americana ou islandesa. Na seleção do meu país, todas as minhas companheiras me perguntam sobre ela, ela é muito conhecida por lá - afirma.

Já a meia Elizabeth Allan, a Liz, é fã de Steven Gerrard, astro do Liverpool e da seleção inglesa. Mas ela também diz admirar Rivaldo, Kaká e Cafu, e tem se surpreendido com a paixão dos brasileiros pelo futebol feminino.

- Fiquei surpresa com o apoio que vem crescendo em relação à modalidade. Na Inglaterra, há poucos times de futebol feminino. Mas aqui existem vários, e muitos são competitivos. Adoro isso, e o jeito brasileiro de jogar é fascinante - disse Liz.

O encontro entre as belezas brasileira e estrangeira vem dando resultado dentro de campo: apesar da derrota para o Vasco no primeiro jogo da semifinal do Carioca, o time vem fazendo boa campanha no Estadual, e ainda tem chances de chegar à final, contra CEPE/Caxias ou Bonsucesso.

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