Keirrison celebra recomeço e relembra saída do Verdão: 'O Luxa não foi demitido à toa'

Em entrevista ao LANCENET!, atacante afirma que ainda sonha em defender as cores do Barça: 'Se eu voltar, será pra jogar'

Caio Carrieri - 10/07/2012 - 08:05 Enviado especial a Curitiba (PR)

Keirrison - (Foto:Caio Carrieri)

Keirrison está feliz. Lesionado, mas contente. Longe dos holofotes que o procuravam quando explodiu no Coritiba, em 2008, e depois no começo arrasador no Palmeiras, no ano seguinte (16 gols em 14 jogos), ele está em fase final de recuperação de uma cirurgia no joelho direito e espera reestrear pelo Coxa dentro de um mês.

Nesta quarta-feira, estará nas tribunas do Couto Pereira para assistir à decisão da Copa do Brasil entre os dois clubes alviverdes.

De volta ao Coxa, Keirrison diz não ter mágoas do Palmeiras

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Antes disso, recebeu o LANCENET! no escritório do seu empresário, Marcos Malaquias, em Curitiba (PR), para um entrevista e falou sobre Coritiba, Palmeiras, a mágoa com Luxemburgo que o criticou na saída do Palmeiras, em 2009, o sonho de ainda ter espaço no Barcelona (ESP), com quem tem contrato até a metade de 2014 – está no Brasil por empréstimo. Confira!

LANCENET!: Encara o seu retorno ao Coritiba como um recomeço?
KEIRRISON: Eu me sinto feliz no Coritiba. Não me arrependo das atitudes que tomei no passado. Tive o início da minha vida no Coritiba, foi o clube que me apresentou para o Brasil e o resto do mundo, então para mim não é nenhum passo atrás na minha carreira. É um passo muito à frente.

L!: Qual é o seu sonho?
K: Continuar conquistando títulos, além das conquistas individuais. A Seleção Brasileira ainda é meu objetivo e eu tenho idade para alcançar isso. Retornei ao Brasil com a meta de poder disputar a próxima Copa.

L!: Qual foi o seu melhor momento na carreira até agora?
K: Escolho o ano de 2008 no Coritiba junto com a sequência no Palmeiras. Essa foi uma das poucas vezes que joguei tantos jogos seguidos. Foi um período que eu pude mostrar mesmo meu futebol e preciso disso agora.

L!: E o pior?
K: Foi quando eu estava no Cruzeiro (em 2011). Estava buscando, treinando, mas as coisas não acontecerem e eu me lesionei.

L!: Quais as principais lembranças que você tem do Palmeiras?
K: Tenho um carinho muito grande pelo Palmeiras. Tive a oportunidade de trabalhar lá, fiz uma pequena história, porque foi curto o tempo lá. É um clube grande, de respeito, tive o prazer de vestir essaa camisa. O período que tive com os meus companheiros foi bom. Marcos, Diego Souza, Cleiton Xavier, Willians...Foi mais pelo grupo. Aprendi bastante com o (Vanderlei) Luxemburgo também. Ele me ensinou coisas diferentes.

L!: Você se arrepende de ter saído rápido do clube?
K: O Palmeiras aceitou a proposta do Barcelona. Em todo clube nós trabalhamos dessa forma. O clube em que estamos conversa com o clube interessado. Se eles entrarem em acordo, depois vêm conversar comigo. Nunca quis sair brigado com ninguém. Sempre saí pela porta da frente. Era um sonho meu chegar a um clube do tamanho do Barcelona. A oportunidade não aparece ao acaso. Muitas coisas não foram bem explicadas na época, porque o Barcelona e o Palmeiras pediram para eu não dar entrevista. Não me arrependo de nada. O clube ganhou com isso, a empresa que patrocinava o Palmeiras (Traffic) também ganhou.

Nota da Redação: A transação saiu por 16 milhões de euros (R$ 43,9 milhões na época).

L!: O que você gostaria de ter explicado na época?
K: Muita gente achou que eu tinha saído por causa de dinheiro, mas eu não tinha nenhuma parte nessa negociação. Eu pertencia à Traffic e ao Palmeiras. Eu só ganhei meu contrato com o Barcelona. Eu via as coisas acontecendo e fiquei um pouco irritado pelas coisas que estavam falando. Mas passou. O presidente do Palmeiras na época (Luiz Gonzaga Belluzzo) depois deu uma entrevista e explicou o que aconteceu.

L!: Guarda alguma mágoa de Vanderlei Luxemburgo?
K: Uma época eu fiquei (com mágoa), não vou mentir. Mas sempre aprendi dentro de casa que não posso guardar tudo o que as pessoas falam. A vontade era grande de respondê-lo, porque ele chutou o balde depois da negociação. Ele jogou totalmente a culpa em cima de mim. Não foi à toa que ele foi mandado embora no outro dia (pelo presidente Luiz Gonzaga Belluzzo). Se ele saiu, não era eu que estava errado. Naquele momento eu também não sei se ele queria ser do clube, não sei qual era o pensamento dele. Tirei isso de mim, do meu coração. Torço por ele. Que ele seja feliz por onde passar.

NR: Em junho de 2009, o Verdão acertou a venda de Keirrison para o Barça. O atacante não apareceu para um treinamento, Luxemburgo se irritou e disse que, se o negócio não desse certo, K9 não jogaria mais no Palmeiras. A diretoria alegou quebra de hierarquia e demitiu o técnico.

L!: A torcida do Palmeiras reclamava que você sumia em jogo decisivo. Como recebia isso?
K: Não é assim, isso foi criado. Fiz gol contra o Sport nas oitavas de final da Libertadores, era um jogo decisivo. Contra o Santos eu também fiz na semifinal do Paulistão. Os fatos estão aí, não vou ficar discutindo com a torcida. A torcida tem a sua reação. Se quiserem, assistam aos gols porque marquei em decisões.

L!: O que aconteceu para você cair tanto de rendimento depois que saiu do Palmeiras?
K: Cheguei ao Benfica (POR) emprestado pelo Barça e tinha nove atacantes no elenco, contando comigo. O pessoal estava no meio da temporada, jogando, e isso me complicou um pouco, ainda mais chegando de fora. Fiquei um período treinando e só depois que eu fui para o banco. Isso quebrou totalmente a sequência que eu tive no Coritiba e Palmeiras. Foi isso que me deixou chateado. Deveria ter chegado e jogado, porque estava com um ritmo bom.

L!: Qual foi o seu grande aprendizado na Europa?
K: Aprendi bastante no Barcelona, por ter contato com os caras que estão lá, como o Messi, o melhor do mundo. Aprendi muito a entender as dificuldades, os problemas. A Europa me apresentou muito de ter de me virar. Eu era novo, com 20 anos, então tive uma experiência grande. E cresci bastante na Itália, tive a oportunidade de trabalhar com o técnico que hoje está na seleção italiana (Cesar Prandelli). Na parte pessoal, a Europa foi um aprendizado muito grande.

L!: Ainda sonha com uma oportunidade no Barcelona?
K: Sonho. Quero primeiro jogar o meu futebol no Coritiba. Não estou muito preocupado com isso, como acontecia quando eu era mais novo. Eu era fascinado. O Barcelona pode ser uma consequência. Se for para eu retornar lá, vai acontecer. E se eu voltar, vai ser pra jogar.

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