Grondona: 'Messi será o maior de todos os tempos'
Em entrevista exclusiva ao LANCENET!, Julio Grondona disse accreditar que jogador do Barcelona seja o maior da História
Daniel Leal
Publicada em 24/04/2011 às 09:00
Buenos Aires (Argentina)
Julio Humberto Grondona parece não se dar conta de que é o terceiro nome mais importante da gerência do futebol sul-americano. Mesmo surpreendido com a entrevista marcada dias antes, recebe com cordialidade a reportagem do LANCENET! na sede da Associação do Futebol Argentino (AFA), entidade que preside.
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A posição (bem) política só sai de cena ao falar de sua verdadeira paixão: o futebol. Diferentemente de cartolas em posição equivalente, Grondona demonstra clara paixão pelo futebol. Sua administração é questionada, mas não o apreço e o conhecimento pelo esporte. A ponto de mexer com opiniões alheias ao afirmar que Messi será o maior de todos.
Como a Copa América pode ajudar os clubes e o futebol argentino?
Não ajuda. Não é uma ajuda nem para o Brasil nem para a Argentina receber um Mundial ou uma Copa América. São dois países de uma trajetória futebolística única. Temos a possibilidade de, quem sabe, por distintos fatores, ter os melhores jogadores do mundo. Mas, honestamente, digo que é uma satisfação receber os sul-americanos aqui nessa casa, assim como o México e o Japão.
Qual foi a participação do poder público nos custos da competição?
Todos os governos de província ajudaram dentro do possível, do viável, em todos os sentidos. Como foi o caso do lugar onde será a abertura, que está na província de Buenos Aires. Houve uma ajuda para poder colocar o Estádio de La Plata em condições. Também em Córdoba ou em Mendoza. Em Salta, o estádio é novo.
No Brasil, houve críticas pelos altos investimentos públicos em estádios...
(Interrompe) O Brasil é maravilhoso, com 200 milhões de habitantes, onde a única coisa que precisa ter é vontade. E isso sobra. Terá tempo para fazer o Mundial que merece o pentacampeão. É um país distinto. Na América do Sul, não considero um país, mas um continente.
É verdade que foi o senhor quem convidou a Espanha para substituir o Japão, quando este anunciou que não viria?
Não. O presidente da confederação tem o direito de, segundo seus estatutos, dirigir a entidade como for conveniente. O torneio é da Conmebol, e não da Argentina. Se fosse diferente, poderia acontecer. Mas, possivelmente, a Espanha não viria, já que a maioria dos jogadores são de Barcelona e Real e suas férias ficariam comprometidas. Acho que não aceitariam.
O que acha de uma Copa América com todo o continente, não apenas a América do Sul?
Quer saber a verdade? Tomara que possa acontecer. Mas há fatores que, às vezes, não se pode dar satisfação. Eu gostaria de ver um torneio americano, de todas as Américas. Seguir um estilo europeu, como a Uefa, a Liga dos Campeões. Seria interessante.
A Copa América pode servir de exemplo de alguma forma para o Brasil, em relação a 2014?
O Brasil tem tudo. Vocês não se dão conta porque vivem no Brasil. Eu garanto que o maior problema do Brasil é que todos querem ser como o Brasil.
Então o senhor acha que será um grande Mundial, que tudo estará pronto a tempo?
O Brasil sempre me recebeu maravilhosamente bem. Reconheço que está um pouco mais acima do que nós. As coisas têm de se dar por decantação.
Se o Brasil vier a fracassar em 2014, poderá influenciar a candidatura para 2030 e outras futuras da América do Sul?
Não. Vamos pensar em Mundial de 2014. Todos sabem que, quando a Conmebol disse que queria o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, não houve um país que discordasse. O Brasil é o Brasil.
A Conmebol, como o senhor disse, possui forte união entre seus membros. Está chegando a hora de a entidade indicar seu candidato à presidência da Fifa?
Pode ser, pode ser. Não nesta oportunidade, mas mais adiante.
E quem o senhor acha que seria esse candidato?
Bom, penso que o presidente da CBF é um homem que tem experiência, de um dirigente muito capaz, há muito tempo atuando. E que tem o Brasil por trás. Então, logicamente, não há muitos que possam manejar forças com ele.
É um dirigente que está há muitos anos no cargo. O senhor, como vice-presidente geral da Fifa, acredita que falta renovação na direção esportiva?
Olha, esse é um assunto em que, aqui nesse país, antes de 1979, houve uma democracia total para definir que, nessa casa, mandam os clubes, as ligas do interior e todos os envolvidos no futebol. Todos aqui estão representados. Interior, capital... E assim continuará enquanto as coisas estão bem. Logicamente, não é comum o meu caso, pois estou aqui há 32 anos. Mas, em outros setores, há muita gente que também está lá há tempos. E não está lá pela força. Está lá pelo pensamento de todos. Se for pelo pensamento de todos, será bem-vindo. Se for pela força, não poderá ficar um dia.
Messi pode superar Diego Maradona?
Parece que Messi está vindo muito forte, mas ainda não alcançou Maradona. Particularmente, acho que superará todos de todos os tempos.
É um garoto diferenciado não só nos gramados, mas também fora deles?
Nunca vi nada igual. Nunca vi, até hoje, um jogador com uma capacidade futebolística, de trato, de vida... É exemplo em tudo.
Há alguma discussão sobre a realização simultânea da Libertadores e da Sul-Americana?
Estamos vendo o que podemos fazer. O que acontece é que (na Conmebol) somos poucos (membros), apenas dez. Não se pode fazer muita coisa. Nessas competições, há uma grande diferença de nível entre os clubes. Há clubes como Grêmio, Fluminense, São Paulo, mas também outros pequenos. Aqui na Argentina, temos gigantes como Boca e River, mas foi o Argentinos Juniors que disputou essa Libertadores. Todos os clubes são necessários, mas...
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