Gigantes em apuros: Boca Juniors e River Plate vivem momentos difíceis
Equipes argentinas brigam contra o rebaixamento, vergonha pela qual nunca passaram na história
Juvenal Dias
Publicada em 26/05/2011 às 08:00
São Paulo (SP)
Os dois clubes argentinos de maior torcida passam por apuros. E não é apenas a má fase no Clausura, o torneio nacional, que preocupa. Boca Juniors e River Plate estão fazendo contas contra o rebaixamento, um fantasma que nunca fez parte da história da dupla de rivais.
A situação pior é a do River. Na média dos três últimos anos, que é o sistema que o Argentino conta para o descenso, a equipe está na 17 posição. E precisa conquistar o maior número de pontos possíveis nas quatro últimas partidas do campeonato para não passar pelo vexame. Nos três últimos jogos, conseguiu apenas um ponto: um empate e duas derrotas.
A situação do Boca é menos dramática, mas não confortável. O time está em nono lugar na competição, e pode sofrer com o mesmo desespero do rival no próximo semestre. Faz 20 anos desde a última vez em que a equipe passou por um jejum de pelo menos cinco campeonatos sem brigar por um título nacional. O último troféu foi em 2008, do Apertura.
No Clausura atual, tem apenas seis vitórias e, na média para saber quem cai para a Segunda Divisão, está no meio da tabela, mas com saldo ruim para a próxima temporada – não terá mais o último título conquistado para somar à média.
Se o Apertura começasse hoje, o Boca estaria entre os quatro piores com, média inferior à do River: tem 1,236 contra 1,254 ponto por jogo.
No River, a crise começou um semestre antes. Pontualmente, com a eliminação para o San Lorenzo nas oitavas da Libertadores de 2008. Os adversários venceram o jogo de ida: 2 a 1. Na volta, no Monumental de Núñez, o River ganhava por 2 a 0, com dois jogadores a mais, mas sofreu o empate em cinco minutos.
No mesmo período, venceu o Clausura, seu último triunfo nacional. Mas no ano seguinte, com a mesma equipe, amargurou a última colocação e viu o Boca ser campeão.
Para piorar, um novo fracasso fora de casa, diante do Guadalajara, na Sul-Americana, nas mesmas condições da eliminação anterior, rendeu ao time o título informal de "O pior River de todos os tempos". De lá para cá, oscilou muito, mas conseguiu vaga para a Libertadores de 2009.
No Boca...
O técnico do Boca, Alfio Basile, tem problemas de rixas entre ídolos e jogadores mais novos. É o caso dos veteranos Riquelme e Palermo, que estão próximos da aposentadoria e não conseguem mais desempenhar o futebol de qualidade que os consagraram.
Além disso, contratou campeões no cenário nacional que não rendem o esperado, como Christian Cellay, que estava na campanha vitoriosa do Estudiantes na Libertadores de 2009, e Leandro Somoza, que faturou o Clausura com o Vélez no mesmo ano.
Até a morte do ex-presidente Vicente Pompilio, no fim de 2008, afetou o lado futebolístico.
Sergio Maffei - Setorista do Boca Juniors do 'Olé'
Economicamente, o Boca está bem, consegue trazer muitos reforços importantes, paga salários em dia. Não tem condições de repatriar jogadores que foram importantes e campeões, como Palacio, mas continua forte no cenário nacional. Tem problemas com ícones, como Riquelme, Palermo e Battaglia, em relação aos mais jovens. Tem um técnico vitorioso (Alfio Basile) e um elenco razoável. O que precisa é começar a engrossar sua média com mais vitórias.
No River...
Se o campeonato terminasse hoje, o River disputaria uma espécie de repescagem contra o quarto colocado da Segunda Divisão (hoje é o Belgrano de Córdoba) para saber se seguiria na elite. Além disso, tem problemas financeiros, sendo o clube que mais deve dentre os grandes. Segundo o último balanço divulgado, a cifra chegaria a R$ 90 milhões.
Daniel Passarela assumiu a presidência há pouco mais de um ano e tem feito uma política de contenção de gastos e prolongamento de contratos. Perdeu jogadores importantes, como Loco Abreu e Falcão Garcia, e não consegue repor peças à altura.
Ezequiel Cogan - Setorista do River Plate do 'Olé'
José López assumiu como técnico há 21 partidas e mudou o estilo de jogo, se preocupando mais com o resultado do que com jogar bonito. Lamela é a esperança de mudar esse parâmetro. Mesmo com todas essas dificuldades, aconteceu o inverso do que se pensaria de uma torcida que ficaria revoltada. Eles vêm, lotam o estádio e cantam o tempo todo, incentivando sem parar. Parece que estão mais apaixonados e apoiam mais do que se o time estivesse no meio da tabela.
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