Cruz Azul, 14 anos de seca, contra Timão, 13 títulos

Última conquista mexicana foi em 97. No período, Corinthians conquistou nada menos do que 13 canecos. Pressão? De quem?

Rodrigo Vessoni - 13/03/2012 - 12:21 Enviado especial à Cidade do México (MEX)

Liedson e Maranhão (Fotos: Tom Dib e Reuters)

Se a necessidade de uma conquista da Libertadores traz pressão ao ambiente do Corinthians, imagina a situação de um clube que não ganha nada há 14 anos. Pois essa é a realidade do Cruz Azul, adversário do Timão nesta quarta-feira pela terceira rodada da competição sul-americana.

O último troféu levantado por um jogador dos 'Los Cementeros' foi o do Campeonato Mexicano de 1997, após triunfo sobre o León. De lá para cá, foram sete eliminações na semifinal, quatro vice-campeonatos, 11 quedas nas quartas de final, sete decepções logo na primeira fase, além de um vice-campeonato da Concacaf e outro segundo lugar na Libertadores de 2001, após derrota nos pênaltis para o Boca Juniors (ARG).

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Para se ter uma idei a, nesse mesmo período, a torcida corintiana vibrou com nada menos do que 13 títulos: uma Liga Rio-São Paulo (2002), quatro brasileiros (98, 99, 2005 e 2011), uma Série B (2008), quatro estaduais (99, 2001, 2003 e 2009), duas Copas do Brasil (2002 e 2009) e o Mundial de Clubes da Fifa, em 2000. Torneio esse, aliás, que um dos maiores rivais do Cruz Azul, o Necaxa, terminou na terceira posição. Isso sem falar em cinco conquistas da Copa São Paulo de futebol Jr. (1999, 2004, 2005, 2009 e 2012).

A situação, como não poderia ser diferente, virou piada para os torcedores rivais que, entre outros apelidos, chamada o Cruz Azul de "vicecampeoníssimo".

Pintado, atualmente treinador do Linense, vestiu a camisa 7 da equipe por quatro ano (1993 a 1996). Apesar de não ter trabalhado no México nos últimos anos, é um dos consultores do Cruz Azul no Brasil. Sempre que o clube necessita de uma dica ou impressão sobre um jogador, é ele que é consultado pela diretoria. O técnico Enrique Meza, que o levou para lá quando era jogador, é um dos amigos que fez no futebol.

Para o ex-jogador, a falta de títulos é uma situação complicada, que pode ajudar o Corinthians no confronto desta quarta-feira.

- A pressão para ganhar o local é grande, eu diria que é enorme. O clube investe pesado e não vem conquistando. Sem dúvida, isso faz com que o treinador e os jogadores se sentiam pressionados no dia a dia - afirmou Pintado, em entrevista ao LANCE!.

Em sua história, o Cruz Azul foi campeão mexicano oito vezes: 1968/69, 1970, 1971/72, 1972/73, 1973/74, 1978/79, 1979/80 e 1997, além das conquistas da Copa do México (1968/69 e 1996/97). A última, aliás, com Pintado em campo. O ex-tricolor foi autor de um dos gols do triunfo.

QUADRO DE COMPARAÇÃO

CORINTHIANS NOS ÚLTIMOS 14 ANOS

1 Mundial de Clubes da FIFA (2000)
4 Campeonato Brasileiro (1998, 1999, 2005 e 2011)
2 Copa do Brasil (2002 e 2009)
1 Série B (2008)
1 Liga Rio-São Paulo (2002)
4 Campeonato Paulista (1999, 2001, 2003 e 2009)
*Mais cinco conquistas da Copa São Paulo de Jr. (1999, 2004, 2005, 2009 e 2012)

CRUZ AZUL NOS ÚLTIMOS 14 ANOS

4 vice-campeonatos
7 eliminações em semifinais
11 quedas nas quartas de final
7 eliminações na Liguilla (torneio de Acesso)
1 vice da Copa Libertadores
1 vice da Copa Concacaf

Mexicanos mais longe na Copa Libertadores

Apesar da seca nos últimos 14 anos, o Cruz Azul conseguiu algo nesse período que o corintiano ainda não pode se orgu lhar: ser finalista da Copa Libertadores. A melhor participação da história do clube ocorreu na temporada 2001, quando se tornou o primeiro mexicano a disputar o título da competição sul-americana.

O título não veio, mas a equipe fez história ao devolver a derrota para o Boca Juniors (ARG), pelo placar mínimo, em plena Bombonera. Nos pênaltis, três das quatro cobranças foram despediçadas e o sonho de conquistar a América pela primeira vez parou nas mãos do colombiano Córdoba.

Antes de perder de um rival argentino, o Cruz Azul fez uma campanha sensacional contra outros clubes daquele país. Na fase de grupo, classificou-se na primeira colocação, com 13 pontos - São Caetano, com oito, foi o outro do Grupo 7 que passou. Nas oitavas, a equipe de José Luis Trejo eliminou o Cerro Porteño (PAR). Nas quartas, a vítima foi o River Plate, maior rival boquense. Na semifinal, foi a vez do Rosário Central (ARG). Ma s na final não deu...

A derrota na final da Libertadores jamais foi esquecida pelos mexicanos. Um misto de orgulho pelo feito e decepção por ter deixado escapar algo que estava tão perto mexe com torcedores e dirigentes até hoje. Não é preciso tanto esforço para encontrar textos de exaltação àquela equipe, que fez história, mesmo sem ter levantado o principal troféu de clubes das Américas.

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