Camisa do Timão faz parte do acervo pessoal de líder dos barrabravas da La Doce

Enquadrado e exposto em loja no bairro La Boca, uniforme de 2000 é guardado como recordação pela família de El Carnicero

Rodrigo Vessoni - 24/06/2012 - 23:30 Enviado especial a Buenos Aires (ARG)

Camisa do Corinthians, de 2000, em exposição na loja administrada pela família de um dos maiores líderes da La Doce, torcida organizada do Boca Juniors (crédito: Rodrigo Vessoni)

Quando trocou uma camisa alternativa do Boca Juniors por uma original do Corinthians, há 14 anos, Enrique Ocampo jamais poderia imaginar que os dois clubes poderiam decidir a Copa Libertadores, algo que acontecerá nos dias 27 de junho e 4 de julho.

Devidamente enquadrado e exibido na parede da loja que é administrada pelas filhas no bairro de La Boca, a poucos metros da Bombonera, o uniforme do Timão faz parte do acervo de um dos principais líderes da “La Doce”, barrabrava (torcida uniformizada) do clube argentino. Acervo esse construído durante décadas, por meio das incontáveis viagens que fez atrás da equipe antes de falecer.

Quique El Carnicero (O açougueiro), como ficou conhecido, viajou a São Paulo em outubro de 2000 para apoiar sua equipe no Pacaembu contra o Corinthians. No empate por 2 a 2, que garantiu a continuação dos argentinos na Copa Mercosul, trocou com brasileiros.

– Ele gostava de viajar e trazer a camisa do rival. Ele levava uma falsa e voltava sempre com uma original. Ele não perdia dinheiro, não –  brinca um homem que estava próximo à loja, que não quis se identificar nem revelar qual a ligação com o famoso líder dos barrabravas.

A camisa do Corinthians que é exibida na parede tem um autógrafo que não se consegue ler com exatidão. De acordo com a única funcionária durante a visita da reportagem do L!, “de um tal de Santoro”. Além de falar com enorme carinho de Quique, a vendedora contou que uma camisa do Flamengo também faz parte do acervo, além de exaltar outros enquadrados.

Resta saber se, em caso de título do Corinthians, a continuará sendo exibida na loja de Quique ou não...

PAPO RETO COM  DIEGO MARADONA

Enrique Ocampo comandou a La Doce durante as décadas de 60, 70. Era Quique quem ditava regras nas arquibancadas da Bombonera durante esse período. Foi ele também quem iniciou algumas das práticas que fazem parte até os dias de hoje da estreita ligação entre o clube e a barrabrava.

Participação em reuniões e decisões importantes do clube, pitacos na escalação e a permanência de jogadores e até exigência de uma certa quantidade de ingressos para a La Doce fizeram parte da sua lista de “tarefas” como líder da barra. Certa vez, Diego Maradona falou a um canal de televisão local sobre seu primeiro encontro com Quique quando ainda era jovem e promessa do clube.

Quique El Carnicero foi destituído do comando por aquele que viria a entrar para a história como o mais violento dos líderes da La Doce, José Barrita, “El Abuelo”. O segundo comandante da barrabrava boquense atuava na arquibancada com extrema violência e não abria mão de usar sua arma calibre 38. Foi com ela, aliás, que tomou o lugar do antecessor.

BAR/MUSEU É PARTE DO ACERVO

O amor de Enrique Ocampo pelo Boca Juniors, rival do Corinthians na decisão da Copa Libertadores, e a importância dele como líder da “La Doce” são tão grandes que, além da loja, a família fez questão de manter em funcionamento o bar/museu construído por ele ainda na década de 70.

O “La Glorieta de Quique”, que também fica no bairro turístico de La Boca, tem um ambiente um tanto quanto rústico, que proporciona aos turistas uma experiência de um verdadeiro torcedor boquense, já que as paredes são pintadas nas cores azul e amarelo e dezenas de objetos lembram a história do clube. Na parte interna do bar, há um quintalzinho com algumas mesas, janelas e paredes grafitadas. O lanche clássico na porta dos estádios argetinos, o choripán, que traz pão com linguiça e molho vinagrete, é uma das especialidades da casa.

É possível conhecer ainda em “La Glorieta de Quique” parte do acervo de Enrique Ocampo, já que uma espécie de museu foi construído no local. Há ainda alguns produtos que são vendidos no local. Boa parte deles é, sim oficial. Como camisas.

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