Entrevista de domingo: Button diz que não sofrerá pressão maior em 2013

Piloto inglês concedeu entrevista exclusiva ao LANCENET! em Suzuka, no Japão

Luis Fernando Ramos - 07/10/2012 - 07:00 Suzuka (JAP)

Jenson Button (Foto: Jung Yeon-Je/AFP)

Jenson Button tem duas tatuagens: um botão de camisa no seu antebraço direito, uma referência a seu sobre nome; e caracteres japoneses no seu tornozelo direito que formam a palavra “Ichi ban”, cujo significado é “número um”. Com a saída de Lewis Hamilton da equipe McLaren para a Mercedes, Button será mais do que nunca o número um do time a partir do ano que vem.

No paddock do circuito de Suzuka, ele conversou com o LANCENET! sobre suas perspectivas para esta situação. Negou que a responsabilidade aumente a pressão que sofre, deixou claro que sente o time agora girando em torno de si e falou que a vontade de competir e vencer ainda é muito forte mesmo depois de treze temporadas na categoria.

Este é o novo líder da equipe McLaren, a que tem atualmente o melhor carro do grid. Na prova desta madrugada, Button saiu na oitava colocação, após ser punido com a perda de cinco posições por haver trocado o câmbio de seu carro.

Com exceção da Austrália, você enfrentou muitas dificuldades no início do ano e as superou. O que aconteceu?
Eu tinha problemas para aquecer os pneus. Buscamos um caminho para resolver isso mas ele acabou piorando a situação, especialmente em Mônaco e no Canadá quando eu tive muito “graining” nos pneus. Voltamos atrás e, em Valência e Silverstone, eu voltei a ser rápido. Tivemos azar nas classificações e nas corridas, por isso os bons resultados ainda não chegaram. Mas assim que o carro ganhou um novo pacote aerodinâmico, na Alemanha, o problema desapareceu e os resultados voltaram.

Ter no ano que vem um companheiro novato como o Sergio Perez vai colocar mais pressão em você, já que a expectativa de resultados na McLaren ficará sobre sua pessoa, enquanto neste ano era dividida com Lewis Hamilton?
Não concordo com essa ideia. Não haverá mais pressão. A equipe pode esperar mais resultados de mim, pois estou aqui há mais tempo e faço parte da família. Mas acho que Sergio não vai demorar para ser rápido na McLaren. De qualquer jeito, não haverá mais pressão sobre mim. Já disputei títulos, ganhei um, e isso é pressão de verdade. A pressão existe quando você tem um carro que pode lutar pela vitória a cada corrida, mas vivo isto há quatro anos. Já acostumei.

Mas em treinos de classificação, se você ficava em sexto neste ano, ninguém se importava porque todos esperam que Lewis largasse à sua frente. No ano que vem não vai haver mais pressão?
Pelo contrário, isso ajuda porque é uma pessoa a menos na minha frente. Neste ano, se eu tenho um bom ritmo de corrida mas vou mal no sábado, termino em segundo lugar. No ano que vem posso terminar em primeiro. Ritmo de corrida é o meu forte e acho que não há ninguém melhor nesse quesito. Classificações são mais difíceis para mim. Se eu tiver um carro que funcione para o meu estilo, posso largar na pole position. Mas se o carro estiver desequilibrado, tenho mais dificuldades e naturalmente acabo largando atrás de Lewis. Mas não tê-lo no time não vai mudar nada disso.

Como será equilibrar o trabalho com os engenheiros da McLaren sobre o que Perez gosta e o que você gosta num carro de corrida?
Pelo que vejo de Sergio, temos estilos de pilotagem parecidos. Acho que teremos gostos de acerto parecidos. Espero que seja assim.

Você já trabalhou com um piloto latino que era Rubens Barrichello. É um contato diferente?
Não sei se era por ser latino ou era simplesmente Rubens, mas eu adorava trabalhar com ele. Ele tinha um conhecimento técnico profundo e dava um retorno extremamente detalhado do carro. Eu aprendia sempre e isso me ajudava. E eu podia dar boas informações; Nossas reuniões técnicas sempre eram intensas, o que era útil para os dois.

Quando seu nome esteve ligado à Ferrari, você disse achar que não seria uma boa ideia ir para lá porque o time gira em torno de Fernando Alonso. Para você, esta é a explicação para as dificuldades que Felipe Massa enfrenta?
Não sei dizer sem saber como é lá dentro. Quando falei aquilo, pensei em mim. A impressão que eu tenho é que, se fosse para a Ferrari, seria muito bem recebido na primeira reunião com a equipe, mas Fernando chegaria e começaria a falar em italiano com os engenheiros. Aí eu entenderia como funciona. Acho que seria muito difícil para quem não fala italiano, mas este não é o caso de Felipe. Há gente muito esperta na Fórmula 1, talvez isso não fica aparente olhando de fora. O que não é uma coisa ruim, pelo contrário. É um ambiente competitivo, tem de ser assim e Fernando é uma dessas pessoas. Ele é inteligente de construir o time em torno de si e isso é algo que todos nós almejamos. Eu tive isso na minha equipe anterior e isto está acontecendo aqui também.

Então foi por isso que Lewis foi embora para a Mercedes.
Prefiro não comentar isso!

Ele argumentou que sua ida para a Mercedes era para tentar tornar grande uma equipe com potencial, como Michael Schumacher havia feito na Ferrari. E que queria ser lembrado no futuro por ter conseguido isso. Você é uma pessoa que se importa como os outros se lembrarão de você?
De jeito nenhum. Não importa o que acontecer daqui para a frente, não deixaria a F-1 decepcionado. E não me incomodo o que pensarão sobre mim. Quando eu era garoto, sonhava em chegar aqui para vencer, não para que pensassem coisas boas sobre mim como piloto ou como pessoa. Essa competitividade é algo que ainda tenho muito forte. Eu amo o sentimento de vencer corridas e de dividir esse sentimento com as pessoas que realmente importam para mim, aquelas com as quais eu trabalho.

Para encerrar: você consideraria um fracasso não terminar o ano que vem à frente de seu companheiro de equipe, já que ele é novo na McLaren?
Pensaria que ele fez um trabalho excelente, melhor que o meu. Porque não farei um trabalho de merda no ano que vem, isso é certeza.

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