Brasileiro Danilo Dias é destaque do Marítimo (POR)

Revelado pelo Goiás, brasileiro diz estar já adaptado ao futebol europeu e ainda quer ser reconhecido no país

Núcleo Craque do Futuro - 02/05/2012 - 16:24 Lisboa (POR)

Daniel Dias (Foto: Thiago Mourão)

Destaque do Marítimo, o brasileiro Danilo Dias tem recebido atenção especial em Portugal. Artilheiro da equipe na Liga Zon Sagres, com oito gols e oito assistências, o atacante já desperta até interesse de outros clubes da Europa.

Natural de Ceres, cidade do interior do estado de Goiás, ele é o principal jogador do time. Rápido e habilidoso, Danilo chegou ao Marítimo depois de uma passagem pelo futebol mineiro, onde se destacou nas equipes do Ipatinga e Uberaba.

Danilo também participou da campanha do time que levou o Goiás à Copa Santander Libertadores, após o terceiro lugar no Brasil. O atacante permaneceu no Esmeraldino nos anos de 2004 a 2006.

Há quase dois anos vivendo em Portugal, Danilo recebeu a reportagem do LANCENET! no hotel, onde a equipe ficou concentrada para a partida contra o Benfica, pela 27ª rodada do Nacional. Na oportunidade, os visitantes foram goleados por 4 a 1, no estádio Luz.

BATE-BOLA: Danilo Dias, atacante do Marítimo, ao LANCENET!

Revelado pelo Goiás, você entrou para a história do clube com apenas 18 anos. Como foi essa sensação?

Foi muito bom, porque a equipe possuía muitos jogadores de renome no futebol brasileiro. O nosso ataque era Roni e Souza. No banco ainda estava o Jardel. Foi um ano em que pude aprender muito. Além desses havia Paulo Baier, Tabata e Jadílson. O treinador era o Geninho, e isso ajudou muito. Tenho que lembrar que foi Péricles Chamusca que me promoveu, depois de um Taça São Paulo de Juniores em 2004, campeonato que fui artilheiro. No ano seguinte fui bem no brasileirão, onde fiz três assistências e com certeza foi o ano em que mais aprendi.

Depois do início com o “pé direito”, passou a ser emprestado para outras equipes menores. Acha que isso ajudou a sua evolução como jogador?

Sim, porque todo o jogador tem que começar de baixo, e aos poucos chegar ao topo, e comigo foi o contrário. Comecei em um grande clube como o Goiás, logo tinha tudo muito fácil e ao ter as coisas muito fáceis, não damos valor. Então fui emprestado para dar este valor. Tive que sofrer, passar por equipas menores para aprender a valorizar as coisas.

Ter eliminado o Cruzeiro no Campeonato Mineiro com o Ipatinga e ter sido Campeão da Taça Minas Gerais com o Uberaba. Acredita que foram estes os feitos que “abriram as portas” do Marítimo?

Sim. Eu tinha um contrato com o Noroeste até maio daquele ano, mas aconteceram algumas coisas e acabei rescindindo, onde fui para o Uberaba. Algo engraçado disso foi a situação do meu avô. Quando ele soube da transferência ficou decepcionado, porque eu ia para um time de menor expressão no campeonato, porém, fui e sabia que aquilo ou era minha redenção ou declínio. Quando cheguei lá tive muitas dificuldades como em todo clube pequeno, porém trabalhei muito. Fui muito bem recebido na cidade e ganhei título de cidadão honorário. O time não classificava para as oitavas do Campeonato Mineiro há 20 anos e nós conseguimos. Fui artilheiro do campeonato, campeões da Taça Minas Gerais e ainda quase fomos promovidos para a Série C.

Depois da bela campanha o Ipatinga reparou em mim, assinei por dois anos, porém, fiquei apenas seis meses. No Ipatinga tive no jogo contra o Cruzeiro um dos meus melhores jogos, onde as portas se abriram para o Marítimo.

Por que acredita que não ficou no Goiás?

Acho que foi porque não dei o devido valor à minha vida pessoal. Eu treinava muito, como sempre fiz, mas na minha vida extracampo, eu era muito “da noite”, gostava de sair, achava que estava ganhando bem. Com 18 anos quis comprar meu primeiro carro, acho que tudo isso me atrapalhou dentro do Goiás.

Quando surgiu a proposta do Marítimo, era apenas a equipe portuguesa ou havia outras propostas?

Havia outras. Além do Marítimo, era uma dentro do Brasil e outra fora. No Brasil era o Figueirense e no estrangeiro, o FC Copenhagen, da Dinamarca. Como o Marítimo mostrou mais interesse, aceitei e hoje estou muito feliz.

No Brasil ainda é desconhecido, sente falta deste reconhecimento?

Sinto, de verdade. Acho que se eu tivesse a cabeça que tenho hoje, no ano que estive muito bem no Goiás, seria mais reconhecido. Mas a vida é uma aprendizagem, então uso isto como lição e espero um dia voltar ao meu país e ser reconhecido.

Sonha com a Seleção Brasileira ou pretende se naturalizar português como Deco e Liedson?

Acho que é difícil ir para seleção, mas não impossível. Sou bem realista, mas sonho um dia disputar uma Liga dos Campeões da Europa e também defender a Seleção Brasileira. Eu almejo uma seleção, mas não outra seleção, seja de Portugal ou de qualquer outro pais, sou brasileiro.

Quando ainda era das categorias de base do Goiás, tinha como objetivo a carreira europeia?

O meu objetivo sempre foi jogar bem em uma equipe de primeira divisão do Brasil. Eu tinha o sonho de jogar muito cedo no Goiás, mas depois, sim. Eu sempre assisti ao Ronaldinho no Barcelona, e o Kaká no Milan, então também sempre tive o desejo.

Você falou na vontade de jogar uma Liga dos Campeões, mas a sua estreia no Marítimo foi também numa competição europeia, a Liga Europa, e ainda com um passe para o gol, como foi isso?

Eu não sabia da importância da Liga Europa para o Marítimo. Cheguei ao clube no dia 7 de julho e o jogo era dia 15. Fui para o jogo e fiquei no banco, mas para mim aquilo já era positivo. No intervalo estava 2 a 1 para o Sporting Fingal, entrei com o time perdendo e pensei, vou fazer o meu jogo. Graças a Deus empatamos e aos 47 minutos dei o cruzamento para o gol da vitória. Foi mesmo muito emocionante e é um jogo que ficará para sempre na minha memória.

Como foi sua adaptação ao país?

Tive que me adaptar. No primeiro ano, aquele que aqui na europa chamam de “ano de adaptação”, reflete mesmo o significado. O nosso futebol é também de velocidade, porém temos mais espaço, temos mais vezes a jogada um contra um. Aqui na Europa é diferente, é um futebol mais tático, mais pensado, além de muito rápido também, mas quando tem a bola, aparecem logo dois adversários para te marcar.

No meu primeiro ano tive muita dificuldade, principalmente pelo calendário. No Brasil eu vinha de uma competição onde estava há seis meses a jogar e aqui foram mais doze, foi mesmo complicado. Algo que me ajudou muito foi assistir aos jogos do Marítimo. E também recebi muita ajuda de Pedro Martins (atual treinador do Marítimo).

Como é a vida na Ilha da Madeira?

É tranquilo. A língua é a mesma, a comida é semelhante e é uma ilha linda. A pérola do atlântico é mesmo isso, uma pérola. A minha família quando veio, também adorou. É um paraíso.

Com a saída do Babá para o Sevilla, você foi indicado como principal jogador da equipe. Como assumiu a responsabilidade?

Fiquei feliz. Quando voltei de férias, estava focado no meu objetivo de terminar a época muito bem. Hoje posso dizer que estou feliz, apesar de ainda faltar quatro jogos, tenho objetivos, mas tudo o que tracei no começo da época, está a ser realizado. Tenho oito gols e oito passes, participei em 16 dos 38 golos da nossa equipe, estou muito feliz. Acho que esta liderança, de ser olhado como principal jogador, é bom e é também uma responsabilidade maior, porque assim tenho que jogar bem todos os jogos e a cobrança é maior. Mas hoje estou tranquilo porque foi isto que tracei no começo da época.

Você se considera um meio campo ou um atacante?

É engraçado, porque na base e no meu primeiro ano como profissional, eu fui meio campo e atacante, então sempre joguei nas duas posições. Aqui no Marítimo, quando cheguei, era meio campo, agora com o Pedro sou mais atacante. Acho que em qualquer posição eu me encaixo, quero é jogar.

Sobre o estilo de futebol. Prefere Europa ou Brasil?

Adaptei-me aqui. Estou feliz e pretendo continuar a minha adaptação em Portugal.

Segundo a imprensa portuguesa, esta é sua melhor fase. Acredita que estaria nesta mesma situação no Brasil? A que acha que se deve a sua atual fase?

Devo muito a Deus e à minha família. Acho que este amadurecimento que tenho hoje o devo a eles. Hoje posso dizer que estou mais focado no meu objetivo. Antigamente eu vivia apenas o momento, hoje é diferente, tenho o meu foco definido desde o começo da época.

Com o final da temporada, a imprensa portuguesa disse que você sairia do Marítimo, isso é verdadeiro? E quais são as propostas?

Em janeiro houve contatos de alguns clubes alemães. Mas para mim não chegou nada, chegou apenas ao clube e eu apenas posso responder aquilo que chega a mim. Mas acredito que as transferências no final da época só poderão acontecer se eu terminar bem. Estou feliz aqui e todos sabemos que existem vários olheiros observando todos os jogadores do Marítimo. Quero pensar nisso só no final da época.

Se você pudesse escolher jogar nos clubes ditos como “grandes” em Portugal, gostaria de jogar em qual?

No Braga ou no Sporting. Acho que o meu futebol se adequaria melhor. Acho que são equipes mais caseiras, com um desenho de jogo tático no qual me enquadro melhor.

Para finalizar, já que indicou o Sporting, a equipe de Alvalade está nas semifinais da Liga Europa, acha que o clube pode ser campeão?

Sobre o Sporting, vou estar a torcer por isso. Já o futebol português é um futebol muito competitivo, por isso é necessário dedicar o máximo. Assim, os clubes estão amadurecendo e quando entram em competições internacionais já possuem um nível maior. Acredito que o nível é muito forte e também possuímos muitos jogadores que atuam pelas suas seleções, mostrando o nível do futebol praticado aqui em Portugal.

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