No Brasil, clubes dependem cada vez mais da TV

Receitas da TV superam em 2011 marca dos 36% no bolo de receitas dos clubes. Tendência não deve mudar em 2012

Marcelo Damato - 26/06/2012 - 06:00 São Paulo (SP)

Se a Rede Globo já tinha grande poder sobre o futebol brasileiro, a tendência é que ele aumente nos próximos anos. Em 2011, o dinheiro pago pelas TVs – quase tudo pela Globo – atingiu 36,4% do total das receitas dos principais clubes do Brasil. Esse valor é inédito desde que os balanços dos clubes começaram a ser publicados em 2003.

A Mazars auditores, a pedido do LANCENET!, analisou a receita dos 14 maiores clubes do Brasil nos últimos quatro anos. Somou o faturamento de todos esses clubes, dividido em seis categorias. Os números de 2011 confirmaram algumas tendências, mas também trouxeram algumas novidades.

No décimo ano após o final do passe no Brasil, a receita com negociação de jogadores continuou caindo e hoje não representa um em cada seis reais que os clubes faturam. Mas, surpreendentemente, o clube que mais faturou nessa rubrica foi o Corinthians. O clube mais rico do país, não teria uma vantagem tão grande se não incluísse no balanço as partes que não lhe pertencem dos direitos econômicos de seus jogadores. Assim, os R$ 58 milhões que aparecem como receita de venda de jogadores se reduzem a menos da metade se for computado apenas o que efetivamente entrou no clube.

Exceções
Apesar do crescimento do marketing, poucos clubes escapam dessa dependência da TV e da venda de jogadores – para Botafogo e Fluminense, mais da metade da receita vem daí.

O Internacional é um caso exemplar de como fugir disso. Arrecada R$ 40 milhões só com os seus sócios, que não são meros sócio-torcedores. Esse valor coloca-o entre os clubes mais ricos do país, mesmo com uma torcida quase restrita ao Sul do país.

Por fim, o item que mais caiu é a bilheteria, que na Europa faz a diferença entre os clubes grandes e gigantes.

Fatia da TV é ainda maior no Flamengo

No Flamengo, mais da metade das receitas que o clube obteve vieram dos contratos com a Globo. São 51,2%, o mais alto valor entre os grandes clubes brasileiros (a comparação com o Coritiba, o único que poderia superá-lo, é impossível porque o Coxa coloca na mesma rubrica bilheteria e direitos de TV).

O clube, que detém a maior torcida do Brasil, cerca de 33 milhões de torcedores segundo a última Pesquisa LANCE!-Ibope, publicada em 2010, está colocado apenas em quinto lugar em receitas de marketing, uma atividade que depende muito do tamanho da torcida.

Em bilheteria, o clube conseguiu em 2011 só a metade do que faturaram Corinthians e Santos, separadamente.

Até em social e esportes olímpicos, que são o carro-chefe da presidente Patrícia Amorim, teve desempenho decepcionante. O Flamengo faturou R$ 19,5 milhões, ficando atrás, de Grêmio, Inter e São Paulo.

O clube que se beneficiou menos do dinheiro da TV foi o Atlético-PR, hoje na Série B.

Balanço muda em cada clube

A adoção de critérios diferentes em cada clube impossibilita a realização de comparações precisas entre os resultados financeiros.

Alguns clubes, por exemplo, colocam a receita de sócio-torcedor junto com a social, outros colocam esses valores em linhas separadas. Alguns chegam a usar parte desse montante como bilheteria.

Nas receitas com jogadores, alguns clubes registram apenas a parte que lhes cabe. Outros prestam conta do preço total e depois colocam como despesa o pagamento do parceiro. Muitas vezes, esse dinheiro nem ao menos passa pelos cofres do clube.

Por fim, acordos que envolvem permutas utilizam valores contábeis muito diferentes em cada associação.

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