Blatter admite que sabia dos subornos a Havelange e Ricardo Teixeira

Presidente da Fifa reconheceu nesta quinta-feira, em entrevista ao site da entidade, que tinha conhecimento da manobra da ISL

EFE - 12/07/2012 - 16:52 Berna (SUI)

Blatter (Foto: Fabrice Coffrini/AFP)

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, reconheceu nesta quinta-feira que tinha conhecimento dos subornos da empresa ISL ao ex-presidente da entidade João Havelange e ao ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, graças, segundo ele, a um pagamento que por algum erro chegou a uma conta do organismo máximo do futebol mundial.

Blatter fez a revelação nesta quinta-feira em entrevista ao site da Fifa. O dirigente admitiu que é o anônimo "P1" que aparece em documentos do processo aberto pelo Tribunal do cantão de Zug, na Suíça, por gestão graudulenta da Fifa e "apropriação indevida e eventualmente gestão fraudulenta" por parte de Havelange e Teixeira.

- Confira o dossiê que confirma Teixeira e Havelange no caso ISL

- Foi o Tribunal Federal Suíço que decidiu fazer de forma anônima a publicação da ordem de arquivamento do caso ISL. No que tange a mim, o documento inteiro poderia ter sido publicado "limpo", o que poria fim a todas as especulações de uma vez por todas - declarou o dirigente ao site.

- No entanto, o Tribunal Federal declarou que "todos os terceiros não acusados" permanecerão anônimos. Como não sou acusado, fui mencionado anonimamente como P1, o que, honestamente, não é difícil de descobrir - completou se explicando.

O esclarecimento sobre a identidade do "P1" aconteceu 24 horas depois da resolução judicial da Corte Suprema suíça que autoriza a consulta aos documentos do caso ISL. Blatter (como "P1") é citado em três ocasiões no material divulgado pela própria Fifa.

A primeira citação se refere ao acordo feito em dezembro de 1997 para que a empresa de marketing esportivo tivesse os direitos de transmissão audiovisuais das competições da Fifa até 2006.

Blatter também participou de uma reunião em 21 de setembro de 2009 para receber informações do Tribunal de Zug sobre os fatos investigados e a possibilidade de que Havelange e Teixeira ressarcissem parte do dano causado à entidade como passo prévio para arquivar o caso.

Na terceira menção, os documentos destacam que "não se pode pôr em xeque a constatação de que a Fifa tinha conhecimento de pagamentos de suborno a pessoas pertencentes a seus órgãos".

O material apresenta também um depoimento de Blatter em que o dirigente argumenta que o pagamento de um milhão de francos suíços (R$ 2,07 milhões) destinado a Havelange entrou por alguma falha a uma conta do organismo, com o conhecimento do brasileiro e do próprio suíço.

- Naquela época, pagamentos desse tipo podiam até mesmo ser deduzidos do imposto de renda como despesas profissionais. Hoje, seriam puníveis pela lei. Não se pode julgar o passado com base nos padrões atuais. Do contrário, resultaria em um julgamento de índole moral. Eu não podia ter conhecimento de uma infração que nem era considerada como tal - argumentou.

O material, de 11 de maio de 2010, revela que Teixeira recebeu da ISL pelo menos 12,74 milhões de francos suíços (R$ 26,4 milhões na cotação atual) entre 1992 e 1997, e Havelange, 1,5 milhão de francos suíços (R$ 3,1 milhões) em 1997.

Os diferentes pagamentos contabilizados pela investigação e descobertos em contas pessoais dos dois ex-dirigentes ou de empresas vinculadas a eles chegaram a 21,9 milhões de francos suíços (R$ 45,4 milhões) entre 1992 e 2000.

Perguntado pelo site se convocará Havelange para prestar contas, já que o dirigente de 95 anos continua sendo presidente de honra do organismo, Blatter negou.

- Não tenho o poder de chamá-lo a prestar contas. O Congresso o nomeou presidente honorário. Somente o Congresso pode decidir o futuro dele - declarou.

Você comentarista: