Técnicos mais velhos da LBF, Laís Elena e Barbosa duelam por título

Por Santo André e Ourinhos, dupla decide quem será o campeão do torneio nacional

Laís Elena (Foto: Divulgação) Laís Elena acumula 40 temporadas no Santo André (Foto: Divulgação)

Fábio Aleixo
Publicada em 26/02/2011 às 19:57
São Paulo (SP)

Tida pela Confederação Brasileira (CBB) como símbolo da renovação, a Liga de Basquete Feminino (LBF) chega neste domingo à sua final, às 10h, com dois representantes da velha guarda nos bancos de reservas.

Treinadores mais velhos na competição, Laís Elena e Antonio Carlos Barbosa comandam, respectivamente, Santo André e Ourinhos na decisão em jogo único no Ginásio Lineu de Moura, em São José dos Campos (SP).

Aos 67 anos, Laís Elena era comandante do time do ABC em sua última conquista nacional, em 1999. Nestes 12 anos que se passaram jamais deixou Santo André – onde já soma 40 temporadas entre jogadora e técnica – e após muitas remodelações conseguiu armar uma equipe que teve a segunda melhor campanha da fase inicial e na semifinal eliminou o time Catadnuva, último campeão nacional.

– (A CBB) fala muito em renovação, mas quero saber em qual sentido. O basquete não muda, o que muda é a forma de trabalhar e sigo fazendo meu trabalho – disse Laís.

Barbosa tem trajetória bem diferente. Aos 65 anos, o medalhista de bronze em Sydney-2000 (AUS) estava afastado de uma equipe profissional desde 2007, quando deixou o comando da Seleção feminina após o os Jogos Pan-Americanos do Rio.


Neste tempo, trabalhou nas categorias de base da CBB e no ano passado se arriscou na política. Saiu candidato a deputado federal, mas obteve pouco mais de três mil votos.

— Me candidatei pensando no futuro, para plantar meu nome. Foi uma candidatura sem muita consistência – disse Barbosa.

A frustração política foi deixada de lado no início deste ano, quando recebeu o convite para assumir Ourinhos no lugar de Urubatan Paccini, demitido devido à campanha irregular do time.
Barbosa assumiu o cargo no fim do primeiro turno e só dirigiu a equipe em 10 partidas até o momento, com sete vitórias e três derrotas. Obteve a classificação à final após superar Americana, que havia perdido somente um jogo na fase de classificação.

– Levo as críticas numa boa, mas estou mostrando que não estou morto. Aliás, nunca estive morto – afirmou.

Ex-companheiros na Seleção, Laís e Barbosa querem calar os críticos e mostrar que ainda podem contribuir muito com o basquete. Hoje, eles têm mais uma chance.

Confira um Bate-Bola exclusivo com Laís Elena:

LANCENET: Como você vêo o momento de Santo André, podendo ser campeão após 12 anos?

Laís Elena: Estamos há muito tempo sem patrocínio e com o apoio da prefeitura. Neste ano, investiram mais e conseguimos chegar à final e vamos atrás do título.

L!net: Como você vê a ideia de renovação implantada pela Hortência?

L.E.:  Acho que a CBB poderia usar os técnicos mais experientes para ajudar neste projeto.


L!net: Como será este confronto com o Barbosa?

L.E.: Será muito difícil. O Barbosa sabe muito de basquete. Ele é um técnico capacitado e diferenciado. Mas estamos bem preparadas.

Confira um Bate-Bola exclusivo com Antonio Carlos Barbosa:

LANCENET!: Você chegou a Ourinhos quando o time não atravessava uma boa fase. Como fazer para motivar a equipe?

A.C.Barbosa: As jogadoras são muito dedicadas, então consegui rapidamente impor minha filosofia. Elas entenderam que era necessária uma mudança e conseguimos chegar à final.

L!net: A Hortência fala bastante em renovação e você já é um técnico da velha guarda. Como vê as declarações dela?

ACB: Ela se deu bem na renovação né? Contratou um técnico novo e ficamos em nono no Mundial, uma posição ridícula. Foi uma ideia genial.

L!net: Como é sua relação com a Laís?

ACB:  Nos damos muito bem, ela já foi minha assistente. É uma pessoa inteligente e que merece todo o respeito.

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