Scheidt pode se tornar maior medalhista olímpico do Brasil

Com vaga na Olimpíada, velejador paulista pode superar Torben Grael caso conquiste o ouro na raia de Weymouth

Scheidt e Prada comemoram a conquista da vaga olímpica (Crédito: Fred Hoffmann/Divulgação) Scheidt e Prada comemoram a conquista da vaga olímpica (Crédito: Fred Hoffmann/Divulgação)

Felipe Mendes*
Publicada em 11/02/2012 às 08:00
Búzios (RJ)

Robert Scheidt garantiu na sexta-feira na Semana Brasileira de Vela, em Búzios, no Rio de Janeiro, a classificação para sua quinta Olimpíada. Ao lado do parceiro Bruno Prada, ele venceu as 10 regatas da classe star, e agora pode se tornar o maior medalhista olímpico do Brasil caso conquiste o ouro nos Jogos de Londres.

Scheidt ganhou medalhas em todas as Olimpíadas que disputou. Foi ouro em Atlanta-1996 e Atenas-2004 e prata em Sydney-2000, todas na laser. Em Pequim-2008, ao lado de Prada, foi prata na star.

O atual maior medalhista do Brasil é outro velejador. Torben Grael soma cinco medalhas, sendo dois ouros na star (Atlanta-1996 e Atenas-2004), uma prata na soling (Los Angeles-1984) e dois bronzes na star (Seul-1988 e Sydney-2000).

– Eu e Bruno queremos uma medalha, mas não estamos pensando em quebra de recorde. Isso tira um pouco o foco do atleta. Lembro que em Sydney o pessoal falava muito do bicampeonato olímpico para mim. Isso acaba atrapalhando. Quero ganhar uma medalha, se for um recorde, melhor – disse Scheidt, frisando saber da responsabilidade de manter o sucesso da star.

Se conquistar o ouro, o paulista ficará a uma medalha dourada do dinamarquês Paul Elvstrøm, considerado por muitos o melhor velejador da história. Sem falar no duelo com o ex-rival de laser, o britânico Ben Ainslie, que já soma três ouros e irá competir em casa.

– Estando em classes diferentes a rivalidade nem é tão grande. Mas o Ainslie já anunciou que poderá competir na star na Rio-2016 caso a classe volte para o programa. Seria muito bom – disse o brasileiro.

Campeões mundiais em Perth (AUS), em dezembro, Scheidt e Prada lideram o ranking mundial da star. Mas isso não garante o ouro:

– Em todas as Olimpíadas, cheguei como favorito. Mas precisamos continuar evoluindo para em julho estarmos no auge.

BATE-BOLA:

Robert Scheidt
Velejador brasileiro da classe star em entrevista ao LANCENET!

Será sua quinta Olimpíada. A emoção é a mesma da primeira?
Sem dúvida. Só o que muda é a experiência. Estou muito feliz. As regatas foram relativamente tranquilas, mas sempre fica a dúvida até a competição chegar ao fim.

Qual o planejamento de vocês agora que garantiram a vaga?
Temos cinco competições até Londres e duas fases de treinos na raia olímpica de Weymouth. Queremos treinar lá pois as condições são duras, com muito frio, correnteza e ventos que variam demais.

E os organizadores têm trocado a área de regata toda hora....
Desde a primeira Pré-Olímpica em 2010 a raia já mudou duas vezes. Essas alterações beneficiam quem conhece o local. Espero que definam isso com antecedência.

COM A PALAVRA:

Torben Grael
Velejador em entrevista exclusiva ao LANCENET!

Quem dera se eu pudesse ser superado por muitos atletas e não apenas por um. Que o esporte brasileiro tivesse mais condições de ser vitorioso. Temos uma grande responsabilidade pois vamos organizar a Olimpíada de 2016. E temos de ir bem. O investimento na prática do esporte deveria ser o mesmo do que está sendo feito e será feito em infraestrutura para os Jogos.

Eu até já poderia ter sido superado pois existem esportes em que é possível ganhar muitas medalhas numa única edição de Olimpíada. É o caso da natação.

Na vela, é apenas uma medalha por edição dos Jogos Olímpicos. Por outro lado, é um esporte com grande longevidade e isso permite que o atleta possa disputar a Olimpíada diversas vezes.

* O repórter viaja a convite da organização

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