Saia justa entre bancos na Semana Brasileira de Vela
Patrocinador do evento, Bradesco fez orientações em relação ao Banco do Brasil, parceiro de longa data de Robert Scheidt
Felipe Mendes*
Publicada em 10/02/2012 às 08:00
Em Armação dos Búzios (RJ)
Enquanto nas águas de Búzios, no Rio de Janeiro, velejadores brasileiros disputam a vaga na Olimpíada de Londres, fora dela uma saia justa entre bancos agita os bastidores da Semana Brasileira de Vela. De um lado, o Bradesco, patrocinador da Confederação Brasileira de Vela (CBVM). Do outro, o Banco do Brasil, que patrocina um dos principais atletas do país: Robert Scheidt, parceiro de Bruno Prada na classe star.
O LANCE! apurou que o Bradesco, de cor vermelha, orientou os organizadores para que a regata evitasse a cor amarela, marca do Banco do Brasil. Isso afetou, por exemplo, a cor dos coletes.
Patrocinador da CBVM desde fevereiro de 2011, o Bradesco, que não revela o valor da parceria, ostenta sua logomarca em bandeiras, boias de marcação de raias e proas dos barcos. Esta última atende as regras da Federação Internacional de Vela (Isaf), em que tal parte das embarcações é destinada ao patrocinador do evento em disputa.
No barco de Scheidt e Prada, a logomarca do Bradesco divide espaço com o Banco do Brasil, presente da lateral. O L! apurou que há orientação para os fotógrafos do evento evitarem imagens em que a logo do Banco do Brasil apareça.
Diretor da Brasil 1 Esporte, empresa de marketing que negociou o patrocínio do Bradesco para a CBVM, Enio Ribeiro negou qualquer orientação do banco para esconder a marca do rival.
– Não tem nada disso. O fotógrafo faz as fotos possíveis e escolhe-se as melhores para divulgação. Obviamente que dá-se preferência às imagens com os patrocinadores da CBVM – disse o dirigente, informando que, com a compra da Brasil 1 pela IMX, há uma negociação para que a empresa de Eike Batista assuma o marketing da CBVM.
COM A PALAVRA
ROBERT SCHEIDT
Velejador patrocinado pelo Banco do Brasil
Tenho a parceria com o Banco do Brasil há dez anos, sou grato e devo muito da minha carreira a ele. E temo um acordo para continuar até 2016. A CBVM conhece isso, tem o Bradesco, mas sabe que no meu barco e na vestimenta vou ostentar a marca do Banco do Brasil. A não ser na proa, que é parte do evento e meu patrocinador está ciente disso.
Os acordos anteriores têm de ser respeitados. Já tínhamos um com o Banco do Brasil. Se não querem mostrar a marca do banco, então não vão nos mostrar pois eu e Bruno estamos sempre ostentando a marca. Seja em boné, na roupa na água ou em camisa em terra.
OUTROS CASOS
Golden Cross x Unimed
A Golden Cross cuidaria do sistema de saúde do Pan e do Parapan do Rio, em 2007, mas acabou ficando apenas com o primeiro pois a Unimed patrocinava o Comitê Paralímpico Brasileiro.
Olympikus x Diadora
Patrocinado pela Diadora, Gustavo Kurten acabou jogando com uma camisa branca sem patrocínio na Olimpíada de Sydney-2000 pois o Comitê Olímpico Brasileiro tinha contrato com a Olympikus.
* O repórter viaja a convite da CBVM
Você comentarista:
TAGS











