Cielinho, o caçula da vela do Brasil na Olimpíada

Jorge Zarif, dono da vaga na Finn em Londres, deixou a natação em 2008 para se dedicar exclusivamente à vela

Jorge Zarif, da finn, vai disputar sua primeira olimpíada (Crédito: Marcio Rodrigues/MPIX) Jorge Zarif, da finn, vai disputar sua primeira olimpíada (Crédito: Marcio Rodrigues/MPIX)

Felipe Mendes*
Publicada em 12/02/2012 às 08:30
Em Búzios (RJ)

Enquanto o nadador Cesar Cielo estiver competindo no complexo aquático dos Jogos Olímpicos de Londres, a raia de Weymouth será o palco de Cielinho. Ou melhor, Jorge Zarif, de 19 anos, caçula da equipe brasileira de vela que disputará na classe Finn a primeira Olimpíada de sua carreira.

– Em 2008, eu velejava, mas pouco pois nadava no Pinheiros (SP). O pessoal até me chamava de Cielinho pois sou muito parecido com o Cesar Cielo. Fisicamente, e não pela natação, pois eu era bem ruim – afirmou o velejador paulista.

Mas, em 2008, depois de quase conquistar a vaga em Pequim na Finn, Zarif decidiu se dedicar mais à vela e deixou a natação. Até porque o iatismo está no sangue.

O paulista começou a velejar por causa do avô João Zarif, que tinha um barco de oceano, e do pai, Jorge Zarif Neto, que representou o Brasil na Finn nos Jogos de Seul-1988 e Los Angeles-1984.

Depois de competir na Optimist, barco em que toda criança começa, Zarif passou pela Laser. Porém teve de ir para a Finn não só porque foi a classe do pai, mas também por causa do seu biotipo: o jovem velejador havia ficado pesado para o Laser.

Após perder a vaga em Pequim por apenas um ponto, na seletiva em fevereiro de 2008, quis o destino que Zarif enfrentasse uma grande provação em sua vida um mês depois: seu pai morreu vítima de um enfarto.

– Eu tinha 15 anos quando ele faleceu, mas como meu pai já me tratava como uma pessoa maior, estava bem preparado. Lógico que foi difícil, mas acho que lidei bem – disse Zarif que, desde 2007, já viajava sozinho para competições fora do Brasil.

Na última, o Mundial de Perth (AUS), ele ficou em 30, mas garantiu a vaga do país nos Jogos de Londres.

Moicano no estilo Neymar ficou próximo

Torcedor fanático do Santos, de ir sempre ao estádio e comprar camisa todo ano, Jorge Zarif costuma fazer loucuras pelo time de futebol. Ano passado, quando estava na Espanha em competição, assistiu à final da Copa Libertadores pela internet às 4h. Mas a loucura maior teria acontecido se o Santos tivesse derrotado o Barcelona na decisão do Mundial Interclubes.

– Tinha brincado com uns amigos, durante o Mundial de Perth, que foi realizado um pouco antes da competição no Japão, que se o Santos fosse campeão eu iria cortar o cabelo igual ao do Neymar. Torci muito, mas já esperava um fim trágido – disse Zarif, que nunca encontrou com o craque santista.

Namorado da velejadora Patricia Freitas, que irá aos Jogos pela segunda vez na RS:X, o atleta teve de trancar a faculdade de administração por conta da vela. Mas ele pretender retomar após Londres.

QUEM É:

Nome:
Jorge Zarif.

Nascimento:
30/9/1992, em São Paulo (SP).

Altura e peso:
1,91m e 97kg

Classe:
Finn.

Títulos:
Mundial da Juventude-2009; tricampeão brasileiro e tetra da pré-olímpica.

BATE-BOLA:
Jorge Zarif
Velejador brasileiro em entrevista ao LANCENET!

Como foram as mudanças de classe ao longo da sua carreira?
Comecei no Optimist com sete anos. Como era grande, deixei o barco com 12 em vez de 15 anos. Fui para a Laser Radial e Laser. Ao passar de 80kg, fui para o Finn.

Tem problema de peso?
Já estive com 90kg, mas hoje estou no peso ideal. Uma nutricionista me receitou alguns produtos.

Você disputou a seletiva para Pequim por incentivo do seu pai?
Sim. Ele tinha dois barcos e me chamou. Com o vento fraco, acabei indo bem e quase ganhei a vaga. Em Londres, as chances de medalha são pequenas. O Robert (Scheidt) ganhou a primeira com 23 anos, acho. Coincidentemente essa será minha idade no Rio-2016.

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