Cestinha e maior reboteiro do NBB, Murilo é trunfo do São José

Pivô luta contra lesão no joelho esquerdo para tentar levar equipe à final do torneio

Fábio Aleixo - 15/05/2012 - 08:00 São Paulo

Mesmo lesionado, Murilo tem sido o destaque do São José (Divulgação)

Melhor time da fase inicial do NBB, o São José conta também com o melhor jogador da competição – ao menos nos números – para tentar avançar à final pela primeira vez em sua história.

O pivô Murilo, de 2,08m, é o trunfo da equipe para a semifinal contra o Flamengo, que começa a ser disputada às 21h desta terça-feira, no Ginásio do Tijuca, no Rio de Janeiro.

O jogador de 28 anos vive a melhor fase da carreira, como ele mesmo definiu. Murilo é o cestinha (média de 20,5 pontos por jogo) e o principal reboteiro (dez por jogo) do NBB, levando em consideração a temporada regular e os playoffs.

– Estou fazendo um grande trabalho e isso está colaborando para o bom momento do time. Mas troco todos estes feitos individuais pelo título – disse o jogador, eleito o melhor pivô nas três ultimas edições.

Os números de Murilo impressionam ainda mais pelo fato de estar jogando no sacrifício há cinco meses. Ele sofre com uma tendinite crônica no joelho esquerdo e, por causa disso, nem está participando dos treinamentos. Apenas no último sábado conseguiu fazer um trabalho de meia quadra e arremessos.

Antes da série de quartas de final contra Franca, o pivô fez um tratamento de PRP, que consiste em usar o próprio sangue na cura de lesões (confira infográfico abaixo). Mas isso não foi suficiente, pois não conseguiu ficar as três semanas necessárias para a cicatrização em repouso.

– Com seis dias já estava de volta. Não tinha como ficar fora do time na hora de decisão – disse Murilo.

Assim, nesta reta final de campeonato, terá de recorrer a doses de anti-inflamatórios e sessões de fisioterapia. Para acelerar o processo, o São José cedeu aparelhos para serem instalados na casa do pivô.

– Quando apoio o joelho sinto pontada, tem vezes que a dor é enorme. Estou lutando muito para jogar.

BATE-BOLA

Como o Régis Marrelli (técnico de São José) está fazendo para administrar a sua lesão?
Ele me deixou bem à vontade. Se eu achar que não devo treinar, posso ir só para o jogo. Confio muito no meu potencial e espero que a tendinite não me tire de nenhum jogo.

O que você espera do duelo com o Flamengo e deste choque com o Caio Torres no garrafão?
Vai ser um páreo duro para o nosso time, mas estamos fazendo um campeonato muito bom. O Caio é um jogador técnico, joga bem de costas para a cesta. Será um duelo saudável. Somos muito amigos.

Na quinta-feira tem convocação da Seleção para a Olimpíada. Está muito ansioso por esta pré-lista?
A Olimpíada é um objetivo que tenho no ano, é uma chance única. Depois, ficará complicado por causa da idade. É um sonho grande que tenho, mas se não for convocado não posso parar a minha a vida e me colocar para baixo. Mas a minha posição conta com ótimos jogadores, a concorrência é grande.

Você pode render na Seleção mais do que rendeu até hoje?
Se for chamado, não tenho dúvida de que renderei muito mais do que as pessoas esperam. Falta mostrar mais do que eu sei na Seleção.

Você seguirá no São José após o término deste NBB?
Deixo isso com meus agentes.

Amigo, Caio Torres espera duelo difícil

Cestinha do Flamengo contra o Uberlândia no jogo que definiu a classificação à semifinal, com 22 pontos, o pivô Caio Torres chega embalado para a abertura da série contra o São José. E ele terá uma missão difícil. Será o responsável pela marcação do amigo Murilo.

Neste NBB eles já se enfrentaram duas vezes. No primeiro jogo, ambos anotaram 17 pontos. No segundo, o pivô de São José fez 19, contra só quatro do flamenguista.

No primeiro turno, o Flamengo venceu em São José. No segundo, a equipe do interior paulista deu o troco em pleno Rio de Janeiro.

– A gente se conhece bastante. vai ser bastante difícil marcá-lo. Temos de ver a melhor tática para tentar pará-lo. Mas sei que terei muitas dificuldades – disse Caio.

O que pode pesar a favor do Flamengo nesta série é a experiência em momento de decisões. Ao lado do Brasília, a equipe é a única que esteve presente nas semifinais nas quatro edições do campeonato.

– Serão partidas bastante disputadas. São José é um grande time e não foi à toa que ficaram em primeiro lugar na fase classificatória – alertou o capitão flamenguista, Marcelinho Machado.

No campeonato de 2009/10 as equipes se encontraram nas quartas de final e o Flamengo venceu a série em melhor de cinco por 3 a 0.

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