Sérvia dá trabalho, mas Brasil vence e garante a classificação

Time de Bernardinho ganhou a partida por 3 sets a 2 (22-25, 25-15, 20-25, 25-22 e 15-9) e agora aguarda a definição da posição em que terminará na fase

LANCEPRESS! - 04/08/2012 - 20:59 Londres (ING)

Home - Brasil x Servia - Volei (Foto: Kirill Kudryavtsev)

Para se recuperar de uma derrota para a forte seleção americana, que tal um adversário que, de três partidas, só venceu uma no torneio olímpico de vôlei masculino? Seria ideal caso esse adversário não fosse a Sérvia, campeã olímpica em Sydney-2000 - quando ainda competia como Sérvia e Montenegro - e atual campeã europeia. Sempre perigosos, os sérvios deram trabalho para o Brasil, que precisou do tie-break para derrotá-los por 3 sets a 2 (22-25, 25-15, 20-25, 25-22 e 15-9).

Wallace, oposto campeão com o Sada/Cruzeiro na última Superliga, mais uma vez entrou muito bem e vai se firmando como a melhor opção do Brasil no banco de reservas. Murilo, aos poucos, volta a ser aquele jogador que foi eleito o melhor do mundo em 2010. Dante teve seus momentos, mas não tem a mesma consistência de outros tempos.

Os sérvios, que perderam o oposto Ivan Miljkovic para a aposentadoria antes da Olimpíada, têm uma geração promissora, liderada por Uros Kovacevic, um jovem de 19 anos que deu muito trabalho para a defesa brasileira.

Com a vitória, o Brasil se consolidou na segunda posição do Grupo B, com oito pontos, dois atrás do líder, os EUA. Em terceiro está a Rússia, também com oito, a Alemanha, em quarto, com cinco, a Sérvia, quinto, com cinco, seguida por Tunísia, que ainda não pontuou.

Ante os alemães, nesta segunda-feira, o Brasil decidirá em que posição terminará no grupo. Caso os EUA tropecem ante a Tunísia, a Seleção pode terminar na primeira colocação. Como a tendência é a de que termine em segundo ou terceiro lugar, o Brasil participará de um sorteio contra os segundo e teceiro lugares do Grupo A para saber qual será seu adversário na próxima fase. Se a disputa terminasse ontem, poderia pegar Bulgária ou Itália.

O JOGO

O ritmo intenso que o Brasil conseguiu imprimir no começo de seus três primeiros jogos na Olmipíada fez falta nesta primeira parcial contra a Rússia. Devagar, a Seleção permitiu que os sérvios abrissem uma vantagem que se arrastaria até o final do set. Os erros no ataque, três logo no início da partida, tiraram a fluência do jogo brasileiro. Isso sem falar no saque. Sidão, Dante duas vezes, Lucão, Bruno e de novo Lucão: essa foi a sequência de erros no saque da Seleção na primeira parcial. 'Bola de xeque, saque, assim fica difícil ganhar dos caras, que erram menos', berrou Bernardinho durante um pedido de tempo, porém seus gritos pouco tiveram efeito. Para estragar ainda mais o pífio desempenho brasileiro no set, a arbitragem acabou errando em pelo menos dois lances a favor dos sérvios - em um deles, o atacante rival claramente derrubou a antena, mas mesmo assim levou o ponto. Wallace, no final do set, entrou bem novamente nesta Olimpíada e converteu duas bolas. Pouco para evitar a derrota por 25 a 22.

Para a segunda parcial, a postura mudou completamente. Apesar de alguns problemas para aproveitar os contra-ataques no começo do set, a Seleção Brasileira se impôs justamente no fundamento que tanto fez falta no primeiro set, o saque. Foram cinco aces, três só de Murilo, que mais uma vez deu provas de estar de volta à sua melhor forma. Recepcionando bem os ataques rivais, o Brasil não teve nenhuma dificuldade para fechar a parcial em 25 a 15.

Na sequência do jogo, um atacante de 19 anos tratou de deixar a terceira parcial mais equilibrada. Uros Kovacevic, um dos destaques da competição, vinha dando trabalho para os brasileiros desde o começo do jogo, mas neste set ele foi fundamental. Foi com ele que a Sérvia deslanchou no meio da parcial, e encaminhou a vitória por 25 a 20. A arbitragem, novamente, errou a favor dos europeus; Marko Podrascanin tocou na rede após um bloqueio, e o homem do apito nada viu.

Marcando muito mal as bolas de meio, o Brasil parecia que não ia reagir. Só parecia. Mesmo com mais erros da arbitragem a favor dos sérvios, a Seleção contou com a queda de rendimento de Uros Kovacevic para tormar a frente do placar e levar o jogo para o tie-break - com participação fundamental de Wallace, entrando no final do set.

Aquela que era para ser a parcial mais nervosa, surpreendentemente, foi até tranquila pelo drama que se configurava no Earls Court. Com a cabeça fria para decidir, os jogadores brasileiros abriram vantagem prematuramente e se garantiram na próxima fase da Olimpíada.

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