01/07/2012 - 08:00

'Para ganhar de nós, terão de cuspir sangue', diz Marcelinho Huertas

Capitão da Seleção de basquete fala sobre bom momento da equipe, do Dream Team americano e sobre sonho de medalha

Fábio Aleixo
Por Fábio Aleixo, enviado especial a São Carlos (SP)

Marcelinho Huertas (Foto: Divulgação)

Capitão da Seleção Brasileira de basquete e nome certo em todas as convocações deste ciclo olímpico, o armador Marcelinho Huertas vive um momento especial. Campeão espanhol pelo Barcelona nesta temporada, o jogador chega à Olimpíada de Londres como um dos nomes incontestáveis do elenco montado pelo técnico Rubén Magnano.

Símbolo da cadência de jogo e da defesa intensa que caracterizam o basquete europeu, Huertas sabe que para o Brasil poder brigar por uma medalha nos Jogos de Londres, será necessário colocar estes conceitos em quadra.

Com menos de um mês restando até a estreia na Olimpíada, contra a Austrália, no dia 29 de julho, o armador vê a Seleção em uma crescente e com boas chances de brigar por um lugar no pódio. O único adversário que impõe temor são os Estados Unidos. A meta é a de evitá-los até a semifinal.

Em entrevista concedida ao LANCENET! em São Carlos (SP), onde a Seleção fez nesta semana seus três primeiros amistosos da preparação olímpica, Huertas falou sobre o que espera da Olimpíada.

Ele também falou sobre o momento positivo que atravessa o basquete brasileiro e lamentou apenas o fato de muitos jogadores da Seleção não serem tão reconhecidos pelo público do país.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista exclusiva:

LANCENET!: Você chega à Seleção em um momento muito especial, vindo de um título espanhol pelo Barcelona. Como está a sua cabeça?
Marcelinho Huertas: Está bem. Mas são coisas bem diferentes. Não tem como comparar o clube com a Seleção. Chegar à Seleção é sempre especial, ainda mais indo à Olimpíada. É a primeira vez de todo mundo aqui. Agora é o momento de se preparar, com uma série boa de amistosos.

LNET!: Este título espanhol serviu para apagar a frustração pela perda da Euroliga, na qual vocês chegaram ao Final Four tendo perdido apenas um jogo e acabaram eliminados na semifinal?
MH: Ficamos frustrados por ter perdido a Euroliga da forma como perdemos. Chegamos com a melhor campanha e perdemos um jogo onde nada deu certo. Fomos muito apáticos, mas infelizmente acontece. Naquele nível do Final Four você pode ganhar ou perder normalmente. Depois, levantamos a cabeça para os playoffs da ACB (liga espanhola) e aí conseguimos o titulo.

LNET!: Há alguns anos você é um jogador incontestável na Seleção nacional. Como você vê isso?
MH: Hoje em dia temos uma Seleção muito forte. Temos um núcleo duro que vem de muitos anos aqui e que em uma competição grande dificilmente ficará fora. Fico feliz de ter conquistado este espaço e de, hoje em dia, as pessoas considerarem que devo ser um dos pilares do time. Mas também há outros nomes aqui que são incontestáveis.

LNET!: Como vê a disputa do Larry, Raulzinho e Nezinho pelas duas vagas restantes na armação?
MH: A posição do Rubén é complicada. Ele vai ter de optar por deixar um fora. No ano passado o Raul ficou fora, mas tinha ido para o Mundial e vem em uma ascensão grande. O Larry vem jogando muito bem aqui no NBB. Se o passaporte tivesse saído no ano passado, ele estaria conosco em Mar del Plata. E o Nezinho é um velho conhecido, está há muito tempo na Seleção e acaba indo para todas as competições. O Rubén vai ter um pouquinho de dor de cabeça para chegar à definição.

LNET!: Você acha que no Brasil ainda falta reconhecimento aos jogadores da Seleção, principalmente àqueles que atuam no exterior, como é o seu caso, e dos que estão há bastante tempo na NBA?
MH: Infelizmente no nosso pais é difícil der sermos conhecidos, a não ser por quem gosta de basquete e pela imprensa esportiva. No Brasil, existem outros esportes na frente, como o futebol, que tem muito peso. Onde jogamos somos muito mais reconhecidos do que aqui. Mas isso não deve mexer com as nossas cabeças. Temos de estar preocupados em fazer um bom papel, como tem sido nos últimos três, quatro anos. Não temos de nos preocupar com o que as pessoas do mundo exterior pensam da gente. O reconhecimento será uma conquista pelo trabalho que realizarmos.

LNET!: Depois de ficar um bom tempo arranhada por causa dos fracassos da Seleção masculina e da desorganização, a imagem do basquete brasileiro está mudando?
MH: No ano passado, o basquete cresceu muito. Foi uma febre, com muita gente torcendo por nós. Recebíamos muitas mensagens de incentivo, víamos reportagens positivas. Todo mundo queria que ganhássemos. Antes, até parecia que tinha muita gente que torcia contra. É bom ver todo mundo torcendo. Isso traz uma energia muito positiva.

LNET!: Hoje, a Seleção Brasileira é mais respeitada pelos adversários do que era há alguns anos?
MH: Somos muito mais respeitados. Eu tenho contato com muita gente das seleções europeias de peso. Eles falam bem do Brasil, têm até um pouco receio de enfrentar a gente. Respeitam o Brasil e sabem que para ganhar da gente têm de ralar. Antes éramos irregulares, imaturos.

LNET!: Você falou com os jogadores espanhóis sobre o confronto na última rodada da Olimpíada? Será um jogo especial para você?
MH: Por mais que eu tenha contato e amizade com quase todos os jogadores do time, será um jogo a mais. Não podemos estar preocupados em mostrar nada a niguém. Temos de ir jogo a jogo. A Espanha é o último rival. Primeiro, temos de pensar na Austrália (adversária na estreia). Qualquer derrota pode custar uma mudança importante de posição. Temos de pensar em cada partida como se fosse uma final.

LNET!: Em competições oficiais da Fiba (Mundial de 2010 e Pré-Olímpico de 2011) sob o comando de Rubén Magnano, a Seleção não perdeu nenhum jogo por mais de cinco pontos. Isso mostra que este é um time encardido?
MH: Encardido no bom sentido. Não jogamos sujo, mas vamos vender caro qualquer derrota. Nunca jogaremos a toalha, por mais que as coisas andem a contravento. Sempre mostraremos que para ganhar de nós terão de cuspir sangue.


LNET!: Esta Seleção pode conquistar uma medalha na Olimpíada?
MH: Que a gente tem capacidade, isso é indiscutível. Mas é difícil de prever tão cedo. Uma vez acabada a fase de grupos, é preciso ter uma boa colocação para evitar os Estados Unidos nas quartas de final, pois é a equipe mais forte, que todo mundo teme. Entrando em uma quarta de final sem enfrentá-los, as possibilidades de medalha são grandes.

LNET!: Os Estados Unidos são mesmo imbatíveis?
MH: Não sei se são imbatíveis, mas é muito difícil de ganhar deles. Sabemos que eles vêm com força máxima e ganharam a última Olimpíada e o último Mundial. Será um time duro de se bater. Vamos tentar fugir deles em Londres e, quem sabe, encontrá-los apenas na final.

LNET!: Como capitão da Seleção, como você vê as presenças do Leandrinho e do Nenê no grupo?
MH: Conheço o Leandrinho desde criança. Jogamos contra a vida inteira. Parece que ele nunca saiu da Seleção. Com o Nenê tive a oportunidade de estar um ano só. Ele é um cara supertranquilo. Está trazendo experiência e força para o nosso garrafão.

LNET!: Pelo que temos visto, o clima no grupo parece estar muito bom.
MH: Todo mundo está superfocado, todos sabem que é uma oportunidade única de mostrarmos para nós mesmos o valor que temos. Estamos com um grupo coeso e com vontade de conquistar algo.

LNET!: Ganhar uma medalha olímpica seria a maior alegria da sua vida?
MH: Jogar a Olimpíada já é a realização de um sonho. São poucos atletas que têm esta oportunidade. Conseguir ganhar uma medalha olímpica é meio que indescritível. Não sei o que vai passar na minha cabeça se conquistar a medalha.

LNET!: Você já separou um espaço em casa para colocar a medalha?
MH: Sempre visualizo esta medalha, mas isso de guardar um lugar acaba atrapalhando. Mas a mentalidade é sempre positiva. Para vencer equipes fortes, você tem de pensar positivamente sempre.

LNET!: O que você imagina que sentirá quando entrar na Vila Olímpica? Já conversou com outros atletas para saber como é o clima?
MH: Conversei com atletas que tiveram esta oportunidade e todos dizem que é um ambiente único. Estive na Vila do Pan do Rio (em 2007) e foi muito gostoso. Você vai vendo gente de outros países, encontra amigos que jogam por outras equipes. Mas eu nem imagino o que é uma Vila Olímpica.

LNET!: Tem alguém que você quer encontrar lá na Vila?
MH: Tem muita gente que eu imagino, então é difícil falar apenas um nome. Gosto muito de tênis, de natação e de futebol. Não teria problema nenhum em parar um atleta para tirar uma foto, pegar um autógrafo.

Você comentarista:

  • Curta nossa página e comente! Comentar

Pos País Critério L! Ouro Prata Bronze Total
1 Estados Unidos 225 46 29 29 104
2 China 190 38 27 22 87
3 Rússia 155 24 25 33 82
4 Reino Unido 140 29 17 19 65
5 Alemanha 85 11 19 14 44
6 França 67 11 11 12 34
7 Japão 66 7 14 17 38
8 Austrália 65 7 16 12 35
9 Coreia do Sul 62 13 8 7 28
10 Itália 53 8 9 11 28
11 Holanda 38 6 6 8 20
12 Hungria 37 8 4 5 17
13 Ucrânia 37 6 5 9 20
14 Espanha 33 3 10 4 17
15 Cazaquistão 28 7 1 5 13
16 Brasil 28 3 5 9 17
17 Cuba 27 5 3 6 14
18 Nova Zelândia 26 5 3 5 13
19 Irã 25 4 5 3 12
20 Canadá 25 1 5 12 18
21 Jamaica 24 4 4 4 12
22 Bielorrússia 24 3 5 5 13
23 República Tcheca 21 4 3 3 10
24 Quênia 19 2 4 5 11
25 Romênia 18 2 5 2 9
26 Dinamarca 17 2 4 3 9
27 Azerbaijão 16 2 2 6 10
27 Polônia 16 2 2 6 10
29 Coreia do Norte 14 4 0 2 6
30 África do Sul 14 3 2 1 6
31 Etiópia 14 3 1 3 7
32 Suécia 14 1 4 3 8
33 Croácia 13 3 1 2 6
34 Colômbia 13 1 3 4 8
35 Geórgia 12 1 3 3 7
35 México 12 1 3 3 7
37 Turquia 11 2 2 1 5
38 Suíça 10 2 2 0 4
39 Lituânia 10 2 1 2 5
40 Noruega 9 2 1 1 4
41 Irlanda 8 1 1 3 5
42 Índia 8 0 2 4 6
43 Argentina 7 1 1 2 4
43 Eslovênia 7 1 1 2 4
43 Sérvia 7 1 1 2 4
46 Mongólia 7 0 2 3 5
47 Tunísia 6 1 1 1 3
48 Trinidad e Tobago 6 1 0 3 4
48 Uzbequistão 6 1 0 3 4
50 República Dominicana 5 1 1 0 2
51 Tailândia 5 0 2 1 3
52 Eslováquia 5 0 1 3 4
53 Letônia 4 1 0 1 2
54 Egito 4 0 2 0 2
55 Armênia 4 0 1 2 3
55 Bélgica 4 0 1 2 3
55 Finlândia 4 0 1 2 3
58 Argélia 3 1 0 0 1
58 Bahamas 3 1 0 0 1
58 Granada 3 1 0 0 1
58 Uganda 3 1 0 0 1
58 Venezuela 3 1 0 0 1
63 Bulgária 3 0 1 1 2
63 Estônia 3 0 1 1 2
63 Indonésia 3 0 1 1 2
63 Malásia 3 0 1 1 2
63 Porto Rico 3 0 1 1 2
63 Taiwan 3 0 1 1 2
69 Botsuana 2 0 1 0 1
69 Chipre 2 0 1 0 1
69 Gabão 2 0 1 0 1
69 Guatemala 2 0 1 0 1
69 Montenegro 2 0 1 0 1
69 Portugal 2 0 1 0 1
75 Cingapura 2 0 0 2 2
75 Grécia 2 0 0 2 2
75 Moldova 2 0 0 2 2
75 Qatar 2 0 0 2 2
79 Afeganistão 1 0 0 1 1
79 Arábia Saudita 1 0 0 1 1
79 Bahrein 1 0 0 1 1
79 Hong Kong 1 0 0 1 1
79 Kuwait 1 0 0 1 1
79 Marrocos 1 0 0 1 1
79 Tadjiquistão 1 0 0 1 1
86 Albânia 0 0 0 0 0
86 Andorra 0 0 0 0 0
86 Angola 0 0 0 0 0
86 Antígua e Barbuda 0 0 0 0 0
86 Aruba 0 0 0 0 0
86 Áustria 0 0 0 0 0
86 Bangladesh 0 0 0 0 0
86 Barbados 0 0 0 0 0
86 Belize 0 0 0 0 0
86 Benin 0 0 0 0 0
86 Bermudas 0 0 0 0 0
86 Bolívia 0 0 0 0 0
86 Bósnia e Herzegovina 0 0 0 0 0
86 Brunei 0 0 0 0 0
86 Burkina Faso 0 0 0 0 0
86 Burundi 0 0 0 0 0
86 Butão 0 0 0 0 0
86 Cabo Verde 0 0 0 0 0
86 Camarões 0 0 0 0 0
86 Camboja 0 0 0 0 0
86 Chade 0 0 0 0 0
86 Chile 0 0 0 0 0
86 Comores 0 0 0 0 0
86 Congo 0 0 0 0 0
86 Costa do Marfim 0 0 0 0 0
86 Costa Rica 0 0 0 0 0
86 Djibuti 0 0 0 0 0
86 Dominica 0 0 0 0 0
86 El Salvador 0 0 0 0 0
86 Emirados Árabes Unidos 0 0 0 0 0
86 Equador 0 0 0 0 0
86 Eritreia 0 0 0 0 0
86 Fiji 0 0 0 0 0
86 Filipinas 0 0 0 0 0
86 Gâmbia 0 0 0 0 0
86 Gana 0 0 0 0 0
86 Guam 0 0 0 0 0
86 Guiana 0 0 0 0 0
86 Guiné 0 0 0 0 0
86 Guiné Equatorial 0 0 0 0 0
86 Guiné-Bissau 0 0 0 0 0
86 Haiti 0 0 0 0 0
86 Honduras 0 0 0 0 0
86 Iêmen 0 0 0 0 0
86 Ilhas Cayman 0 0 0 0 0
86 Ilhas Cook 0 0 0 0 0
86 Ilhas Marshall 0 0 0 0 0
86 Ilhas Salomão 0 0 0 0 0
86 Ilhas Virgens Americanas 0 0 0 0 0
86 Ilhas Virgens Britânicas 0 0 0 0 0
86 Iraque 0 0 0 0 0
86 Islândia 0 0 0 0 0
86 Israel 0 0 0 0 0
86 Jordânia 0 0 0 0 0
86 Kiribati 0 0 0 0 0
86 Laos 0 0 0 0 0
86 Lesoto 0 0 0 0 0
86 Líbano 0 0 0 0 0
86 Libéria 0 0 0 0 0
86 Líbia 0 0 0 0 0
86 Liechtenstein 0 0 0 0 0
86 Luxemburgo 0 0 0 0 0
86 Macedônia 0 0 0 0 0
86 Madagascar 0 0 0 0 0
86 Malauí 0 0 0 0 0
86 Maldivas 0 0 0 0 0
86 Mali 0 0 0 0 0
86 Malta 0 0 0 0 0
86 Maurício 0 0 0 0 0
86 Mauritânia 0 0 0 0 0
86 Mianmar 0 0 0 0 0
86 Micronésia 0 0 0 0 0
86 Moçambique 0 0 0 0 0
86 Mónaco 0 0 0 0 0
86 Namíbia 0 0 0 0 0
86 Nauru 0 0 0 0 0
86 Nepal 0 0 0 0 0
86 Nicarágua 0 0 0 0 0
86 Níger 0 0 0 0 0
86 Nigéria 0 0 0 0 0
86 Omã 0 0 0 0 0
86 Palau 0 0 0 0 0
86 Palestina 0 0 0 0 0
86 Panamá 0 0 0 0 0
86 Papua-Nova Guiné 0 0 0 0 0
86 Paquistão 0 0 0 0 0
86 Paraguai 0 0 0 0 0
86 Peru 0 0 0 0 0
86 Quirguistão 0 0 0 0 0
86 RD Congo 0 0 0 0 0
86 República Centro-Africana 0 0 0 0 0
86 Ruanda 0 0 0 0 0
86 Samoa 0 0 0 0 0
86 Samoa Americana 0 0 0 0 0
86 San Marino 0 0 0 0 0
86 Santa Lúcia 0 0 0 0 0
86 São Cristóvão e Névis 0 0 0 0 0
86 São Tomé e Príncipe 0 0 0 0 0
86 São Vicente e Granadinas 0 0 0 0 0
86 Senegal 0 0 0 0 0
86 Serra Leoa 0 0 0 0 0
86 Seychelles 0 0 0 0 0
86 Síria 0 0 0 0 0
86 Somália 0 0 0 0 0
86 Sri Lanka 0 0 0 0 0
86 Suazilândia 0 0 0 0 0
86 Sudão 0 0 0 0 0
86 Suriname 0 0 0 0 0
86 Tanzânia 0 0 0 0 0
86 Timor-Leste 0 0 0 0 0
86 Togo 0 0 0 0 0
86 Tonga 0 0 0 0 0
86 Turcomenistão 0 0 0 0 0
86 Tuvalu 0 0 0 0 0
86 Uruguai 0 0 0 0 0
86 Vanuatu 0 0 0 0 0
86 Vietnã 0 0 0 0 0
86 Zâmbia 0 0 0 0 0
86 Zimbábue 0 0 0 0 0

Minuto

Ver todas