De olho no Paulistão-2014, Doni relata sofrimento após parada cardíaca
Aos 33 anos, o goleiro será apresentado nesta quarta-feira, no intervalo da partida contra o Timão. Com uma arritmia cardíaca leve, pretende voltar a jogar só no ano que vem
Marcelo Braga - 06/02/2013 - 09:00 São Paulo (SP)
O coração de Doni baterá mais forte no intervalo da partida desta quarta-feira, entre Botafogo e Corinthians. Ex-jogador de ambas as equipes, o goleiro será apresentado à imprensa como novo reforço do Botinha, clube que o revelou. Mas não para jogar neste ano.
No Brasil desde o fim do ano passado, quando deixou o Liverpool (ING) após vários meses de exames cardiológicos, o atleta de 33 anos vai treinar apenas a partir do segundo semestre, visando ao Paulistão do ano que vem. Uma leve arritmia no coração, que o fez ter uma parada cardíaca na pré-temporada do clube inglês, em julho de 2012, obrigou o hiato em sua carreira.
Aconselhado a abreviá-la por médicos europeus, Doni procurou o cardiologista brasileiro Nabil Gorayeb antes do Natal, que lhe deu de presente a notícia que outros profissionais evitavam por temor.
– Ele disse que meu coração não tem doença, apenas uma arritmiazinha, que pode ser controlada. Disse: “Vou te liberar, mas não agora por conta da parada cardíaca. Em abril refazemos os exames” – conta.
– Na Europa, ninguém (médicos) quer colocar em risco a sua carreira.
Doni sabia da arritmia desde 2004, quando exames feitos pelo Santos a diagnosticaram. Controlada, porém, nunca foi problema. Até ter de ser ressuscitado no clube inglês.
– Foi foda, fiquei com vontade de vomitar e apaguei. Voltei não lembrando de nada, mas depois parecia que eu tinha vivido 100 anos. Tinha memórias de antes da parada, ficava no hospital lembrando coisas que aconteceram quando eu era criança. E aí por uns dois meses foi difícil, fiquei mal. Parecia que ia dormir e não acordar mais. Foram meses ruins, mas depois passou, apaguei tudo.
Já a passagem pelo Corinthians, garante, nunca será esquecida. As conquistas do Rio-São Paulo e Copa do Brasil de 2002 e do Paulistão de 2003 (esse como titular), marcaram muito. Assim como as defesas pela Seleção de Dunga na Copa América de 2007, que o fizeram ser convocado para a Copa do Mundo de 2010.
Casado com Camila e pai de Thalita e Nicholas, aguarda o nascimento do terceiro filho, Natalie. Por eles, garante que só voltará a atuar caso sua saúde esteja mesmo em dia. Mas, apaixonado por futebol, diz estar jogando “peladas” todo dia no ataque.
– No ano que vem, vamos ver se jogo uns três ou quatro jogos do Paulistão pelo Botafogo. Quer dizer, estando bem, continuo... – projeta ele.
Bate-Bola com Doni
Ex-goleiro do Timão, vai jogar o Paulistão de 2014 pelo Botafogo-SP
‘Sem suas lesões, Pato seria melhor do mundo’
Você sofreu a parada cardíaca em julho de 2012 e passou a fazer exames. Como foi esse período?
Ruim pela indecisão, não sabia se tinha problema sério. Os médicos diziam: "Está tranquilo, em um mês vamos te liberar", mas não acontecia. Até que chegou novembro e o médico me chamou: "Te aconselho a parar. Não posso falar que você tem doença, porque não tem, mas não escrever que você pode jogar. Não assino nem contra nem a favor." Eu tinha uma arritimiazinha, mas o exame não dava nada, meu coração não é doente.
Sobre o Corinthians, foi uma passagem que te marcou bastante?
Foi muito bom para a minha carreira, praticamente o começo. Foram muitos momentos bons, tive sorte, com um período de títulos. Até hoje, onde vou, o torcedor diz que gosta de mim. Hoje sou tachado como um ex-jogador do Corinthians.
Em 2001, você se destacou pelo Bota, que fez a final do Paulistão contra o Timão. E depois foi para lá...
Aquele campeonato foi bom demais. Lembro que, quando empatava, ia para os pênaltis, e peguei vários. Da final tenho más lembranças porque tomei logo três do Corinthians (risos), que era um timão.
E a chegada ao Corinthians?
Cheguei no meio de uma confusão. Uma briga entre Marcelinho e Luxemburgo, que nem conversavam. Era um nervoso para cima e o outro para baixo, treinando separado (risos), um clima pesado.
Por falar nele, Marcelinho Carioca foi um dos caras diferenciados que jogou contra e a seu favor?
Com certeza, para bater na bola, que eu lembre, só ele e Totti. Era sacanagem. Batia demais escanteio e falta. Aquele pé pequeno era complicado, chutava de direita e de esquerda, lembro até hoje dos treinos.
Jogou com o Pato na Seleção?
Sim, fizemos vários jogos. Ele tinha muita velocidade. Aposto nele, se não fossem as lesões, seria melhor do mundo. Pela habilidade que tem, pelas finalizações. É praticamente completo, mas deu azar. Com uma fisioterapia legal, fazendo manutenção, pode se recuperar.
Quando ele foi para o Milan, você estava na Roma. Os treinamentos na Itália são pesados? Muitos dizem que as lesões dele foram consequências de trabalhos feitos pelo clube...
Depende muito de cada time. Tem time que treina muito, outros que não. Não é como no Brasil, que tem um padrão. Lá cada técnico tem o seu estilo. Mas ele machucou muito o músculo, né? De repente é o clima, o frio...O clima no Brasil vai ajudar ele...
Você era reserva de Júlio Cesar na Copa de 2010, quando ele teve a falha e o Brasil foi eliminado contra a Holanda. Como vê a volta dele para a Seleção, agora com Scolari?
Aquela Copa, muita gente me pergunta o porquê da derrota. Perdemos por um tempo. Não tem culpado. O gol, de repente, foi pelo barulho do estádio, teve o desvio do Felipe (Melo)...Não teve culpado, foi é muito azar. Jogamos pra caramba no primeiro tempo. No segundo, demos bobeira. O Júlio é um puta goleiro, tem experiência e está jogando bem no Queens Park Rangers e acredito que será o goleiro da Copa.
QUEM É
Nome: Doniéber Alexander Marangon (Doni)
Nascimento:
22/10/79 (33 anos), em Jundiaí (SP)
Posição:
Goleiro
Clubes:
Botafogo-SP, Corinthians, Santos, Cruzeiro, Juventude, Roma (ITA) e Liverpool (ING).
Na Seleção:
Titular da Copa América de 2007, pegou dois pênaltis na semi contra o Uruguai – sendo campeão. Foi levado por Dunga para a Copa de 2010 – foi reserva de Julio Cesar.















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