CBF quer 'cassar' mando de clubes no Brasileirão para evitar elefantes brancos

Entidade articula ação que obrigará todos os participantes do Brasileirão da Série A a cederem até dois dos seus mandos para estádios de Cuiabá, Manaus e Brasília

Rodrigo Vessoni - 04/12/2012 - 11:00 São Paulo (SP)

Obras da Arena da Amazônia - Manaus (Foto: Chico Batata/AGECOM)

Os estádios de Cuiabá, Manaus e Brasília, três dos 12 palcos da Copa 2014, são vistos como fortes candidatos a se tornarem elefantes brancos após o torneio devido à falta de grandes partidas. Para tentar evitar o desperdício de tanto dinheiro público, a Confederação Brasileira de Futebol recorrerá aos principais clubes do país.

O LANCE!Net apurou que os dirigentes da CBF articulam uma "canetada" para obrigar todos os participantes do Campeonato Brasileiro da Série A a cederem até dois dos seus 19 mandos. A ideia é que os clubes mais populares do país mandem esses confrontos escolhidos pela entidade nesses três estádios.

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Na visão dos representantes da CBF, ao cederem dois dos 19 jogos que têm como mandante, os clubes da Primeira Divisão não seriam tão prejudicados. E, em contrapartida, a soma de todos os confrontos representaria "vida" aos palcos de Cuiabá, Manaus e Brasília, cujos clubes não fazem parte das principais divisões do futebol brasileiro.

A ideia inicial é de que a medida já seja tomada para a próxima temporada, algo que ainda dependeria do andamento das obras – apenas a capital federal será sede na Copa das confederações. Outra dúvida que ainda persiste na cabeça dos dirigentes é quanto ao aval da própria Fifa, que tende a preservá-los até a disputa do Mundial, em julho de 2014.

– E não será apenas do Brasileirão, não. Serão levados jogos do futebol feminino, da Copa do Brasil Sub-20, entre outros torneios – afirmou uma das pessoas ligadas à CBF.

Os clubes, que seriam obrigados a cederem seus mandos, receberiam duas compensações financeiras da Confederação. A primeira seria o pagamento de todos os gastos com avião e hotel. A segunda – e mais importante – é que a entidade garantiria uma renda mínima igual ao que o clube arrecadou no ano anterior em seu estádio. Se a média foi de R$ 300 mil brutos, a renda mínima nesse jogo cedido seria de R$ 300 mil brutos.

L!TV visitou a Arena Palestra. Veja como a obra está!

COM A PALAVRA
Erich Beting
Editor do site Máquina do Esporte

"É para tentar amenizar, mas não é uma solução"

Essa medida da CBF, na minha visão, é uma tentativa de amenizar o problema, mas nunca poderá ser encarada como solução. Do ponto de vista da entidade, isso mostra uma preocupação válida com essas arenas esportivas do Brasil. Do ponto de vista dos clubes que teriam de ceder seus estádios, sem dúvida, seria péssimo. Afinal, não haveria a possibilidade de exploração comercial, você não poderia fazer isso com seus parceiros, enfim, para todos os patrocinadores de clubes seria algo péssimo.

Uma situação que eu vejo como positiva nessa medida seria a possibilidade de os clubes explorarem locais que normalmente não são explorados. Isso acontece na Copa do Brasil, por exemplo, quando vemos um Corinthians ou um Palmeiras indo para Alagoas, Roraima...

Eu ressalto que um estádio só não poderá ser considerado inútil quando recebe dois, três jogos por mês. Na prática, esses novos palcos serão interessantes para Inter, Corinthians, Atlético-PR, para os cariocas que vão utilizar o Maracanã, para os dois de Minas...os outros, mesmo com a medida da CBF, não poderiam ser considerados úteis.

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