Henry: 'Brasil tem o talento e a técnica. Não precisa ficar reclamando'

Apesar de admitir que seleção espanhola é a melhor do mundo, atacante francês utiliza exemplo de Neymar para mostrar que futebol verde-amarelo segue forte

Leonardo Pereira - 05/01/2013 - 05:06 Rio de Janeiro (RJ)

No começo da semana, Henry deixou a cinzenta Londres em busca do clima tropical do Brasil. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, foi surpreendido por um tempo semelhante ao da capital inglesa, mas não perdeu o ânimo para um pequeno mergulho na cultura carioca. De férias, o atacante do New York Red Bulls mostrou, novamente, forte ligação com o país, embora descarte a possibilidade de jogar por algum clube.

Em 2007, recebeu e vestiu uma camisa do Vasco. Um ano antes, havia sido o carrasco da Seleção verde-amarela na Copa do Mundo. Na sexta-feira, em visita a uma loja de material esportivo Puma, além de “namorar” o uniforme oficial do Botafogo, o francês falou sobre Neymar e a chegada de grandes craques da Europa.

LANCE: Muitos jogadores consagrados na Europa retornaram ou resolveram tentar a sorte no Brasil nos últimos dois anos. Como um jogador que passou muito tempo no futebol do Velho Continente, de que forma você observa este fenômeno?

HENRY: Não cabe a mim avaliar os fatores econômicos, porém, depois de ver o anúncio da chegada de Alexandre Pato ao Corinthians, me parece que existe uma grande vontade de retornar ao lar. E como o momento é favorável, os jogadores não pensam duas vezes. Os estrangeiros que chegam têm alguma relação com o país. O Seedorf, por exemplo, tem uma esposa brasileira. De qualquer forma, este movimento é ótimo para a liga brasileira, que fica mais competitiva e desperta mais atenção.

L: Você enfrentaria este desafio de jogar no Brasil?

H: Agora não dá mais. Talvez, pudesse jogar aqui se fosse mais novo. Por que não? Quando o jogador está na auge e na Europa,
não passa pela cabeça atuar em outro continente. Mas seria uma possibilidade interessante.

L: Você trabalhou com Guardiola durante duas temporadas. Se ele fosse escolhido pela CBF para assumir a vaga de Mano Menezes, o que ele poderia trazer de novo para a Seleção Brasileira?

H: Não posso cravar como ele trabalharia porque são situações diferentes. Mas, além de um grande treinador, no Barcelona, cobrou muita disciplina e criou um modelo para ser referência.

L: A Seleção Brasileira de hoje é mais fraca do que aquela que você enfrentou em 2006, pela Copa do Mundo? As críticas são exageradas?

H: Vocês (brasileiros) não podem reclamar. Vocês ainda têm o talento, a técnica e uma boa oferta de jogadores. É só ver o exemplo do Neymar. Claro que hoje a Espanha pratica o melhor futebol, mas o privilégio de sediar o próximo Mundial é de vocês e isso pode motivar a retomar o posto de melhor do mundo.

L: Neymar tem futebol para estar entre os três melhores do mundo no futuro?

H: Acompanho os jogos do Santos e sei que Neymar está pronto para jogar na Europa, onde será comparado a Messi e Cristiano Ronaldo. Ele reúne atributos para chegar lá. Hoje, a liga brasileira chega à Inglaterra e à França. Ele também tem grande parcela de responsabilidade pelo interesse europeu no futebol brasileiro.

L: Ainda torce pelo Vasco?

H: (Risos). O Vasco me chamou a atenção porque tinha Romário. Sou grande fã do futebol brasileiro
em geral...

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