Vitória da chapa de Celso Barros na Unimed garante investimentos no Flu

Manutenção do milionário patrocínio tem sido fundamental para a sobrevivência do clube

Guilherme Abrahão, Rodrigo Lois e Sérgio Arêas - 14/03/2013 - 06:45 Rio de Janeiro (RJ)

Celso Barros - Palmeiras x Fluminense (Foto: Ricardo Ayres/Photocamera)

Não é exagero afirmar que o Fluminense conseguiu uma importante vitória nesta semana, na eleição para o Conselho Fiscal da Unimed-Rio. A chapa de Celso Barros, atual presidente da empresa, foi reeleita, com 653 votos a favor e 505 contra. Além disso, as contas relativas ao ano passado foram aprovadas. Dessa forma, a tendência é de que os investimentos milionários no clube sejam mantidos por mais tempo.

A própria diretoria do Flu já admitiu por diversas vezes que o patrocínio da Unimed é um diferencial no futebol brasileiro. Com o montante injetado pela cooperativa de saúde, o clube consegue pagar praticamente em dia os vencimentos dos jogadores, fazer contratações e oferecer salários atraentes. Assim, é possível construir e manter um elenco qualificado para a disputa da temporada. Só em 2012 foram gastos mais de R$ 20 milhões na aquisição de novas peças para o grupo. O LANCE!Net apurou que o Fluminense gasta com o departamento de futebol cerca de R$ 5,5 milhões por mês, sem contar com a ajuda da empresa.

O problema reside justamente neste ponto: não se sabe ao certo quanto que a companhia investe no Fluminense. Em nota, a Unimed-Rio garante que no ano passado R$ 56 milhões foram direcionados para a área de marketing, da qual faz parte o patrocínio ao Tricolor. Ainda de acordo com o comunicado, esse montante corresponde a menos de 2% da receita da cooperativa.

Por outro lado, segundo o "Movimento Chapa 2", derrotado nas urnas, o valor destinado pela empresa ao Flu chegaria na casa dos R$ 100 milhões por ano. Porém, pesa contra essa afirmação o fato de a organização ser fiscalizada mensalmente pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com balanços auditados pela instituição e por duas auditorias externas, a Ernst & Young e a Walter Heuer.

Há um outro elemento importante nesta história, que é a Unimed Participações, holding cuja função é diversificar os investimentos do grupo empresarial. A participação da mesma na compra dos direitos econômicos de jogadores é relevante. Em 2012, por exemplo, o Fluminense conseguiu a aquisição em definitivo de Rafael Sobis (R$ 8,75 milhões) e Thiago Neves (R$ 16,5 milhões).

Entre acusações e defesas, números divulgados e escondidos, o fato é que a relação entre Unimed e Fluminense dura desde 1999 e tem sido fundamental para a sobrevivência do departamento de futebol, tanto econômica quando esportivamente. Ainda mais em um clube com dívidas, entre trabalhistas e fiscais, acima de R$ 337 milhões, e previsão inicial para 2013 de um déficit de R$ 26 milhões. Para a Unimed, também houve benefícios. Segundo pesquisas, o retorno publicitário na reta final do Campeonato Brasileiro de 2012 foi equivalente a R$ 62 para cada real investido. O contrato de patrocínio com o clube termina no fim deste ano, com opção de renovação. Com a vitória na eleição, isso deverá ocorrer de novo.

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