Unimed: Celso Barros terá oposição em eleição da empresa pela primeira vez desde que assumiu em 1998

Proposta principal da chapa opositora é fazer com que o clube receba determinado valor por um período de contrato, sem participação em contratações de jogadores

Marcelo Resende - 13/01/2014 - 14:47 Rio de Janeiro (RJ)

Cláudio Salles, presidente da chapa 2ª Opinião, que fará frente a Celso Barros na eleição da Unimed (Foto: Divulgação)

O cardiologista Cláudio Salles, de 49 anos, irá enfrentar pela chapa 2 Opinião o atual presidente Celso Barros na próxima eleição presidencial da Unimed-Rio (patrocinadora master do Fluminense), que deve ocorrer até o dia 15 de março, conforme o estatuto da empresa. É a primeira vez desde que assumiu em 1998 que Barros terá oposição em uma eleição da cooperativa. Celso já tem conhecimento sobre a chapa opositora, que terá de se apresentar assim que a eleição for convocada.

Salles, há 13 anos na empresa, embora defenda um corte de gastos fora do ramo de saúde, incluindo o esporte, não pretende encerrar o contrato com o Fluminense, cuja
parceria existe desde 1998.

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– Não vamos acabar com a possibilidade de patrocínios aos esportes. Mas a Unimed não será mais dona de direitos sobre jogadores de futebol ou de quaisquer outras propriedades que não estejam diretamente relacionadas à área de atuação da empresa – disse.

A intenção da chapa é implementar o que chamam de “prática comum de mercado”, como funcio-
nam os patrocínios dos demais clubes brasileiros, nos quais o patrocinado ganha determinado valor por um período, sem qualquer participação em contratações.

– Vamos estudar os contratos vigentes e analisar qual o melhor caminho em parceria com a diretoria do clube. Se vamos continuar ou não, vai depender de muitas coisas, inclu-
sive dos próprios patrocinados. Mas é certo dizer que, neste atual formato, o patrocínio ao Fluminense não pode continuar – pontua o médico.

Em março de 2013, Barros teve, também pela primeira vez, oposição no Conselho Fiscal, órgão que fiscaliza as contas da empresa. Na ocasião, o grupo de Salles conseguiu 44% dos votos, de 1.164 computados. A exemplo da presidencial, a eleição para o Conselho também deve ocorrer até 15 de março. Para ambos os pleitos, a chapa opositora está unificada com 33 integrantes. É o futuro tricolor atrelado à Unimed.

Bate-Bola
Cláudio Salles, presidente da chapa 2ª Opinião

1) Como ficará a relação com os esportes se vencerem as eleições?
O esporte tem muito a ver com a Unimed, pois representa saúde e vida. Mas o esporte para nós é muito mais que futebol e ainda muito mais do que o Fluminense. A cooperativa tem uma relação forte com o esporte e continuará tendo, só que investindo em igualdade em diversos esportes.

2) E a relação com o Fluminense?
Será nos padrões normais de qualquer outro tipo de patrocínio, tipo Peugeout com o Flamengo, Viton 44 com o Botafogo e como era Nissan com o Vasco. A Unimed não vai se envolver em questões do clube, como em decisões de quem será o técnico ou o jogador contratado. O presidente da Unimed irá se dedicar apenas à cooperativa. Não vamos pagar salário de ninguém dentro do Fluminense.

3) O que vão fazer com os contratos vigentes?
Vamos rediscutir. É importante deixar claro que não há a intenção de dar calote ou não pagar. Apenas queremos trazer a prática de mercado, que será interessante inclusive para o clube, pois terá maior autonomia, mais liberdade para poder fazer sua administração da forma que achar melhor.

Parceria de altos e baixos

O início
A parceria entre Fluminense e a Unimed-Rio começou quando o Tricolor vivia um dos piores momentos da história do clube. Ainda na Segunda Divisão, em 1998, a Unimed-Rio já começava a "namorar" o Fluminense. Porém, a parceria só foi oficializada em 1999, quando a equipe carioca disputou a Terceira Divisão. Desde então, Fluminense e Unimed-RIo convivem com momentos de paz, alegria, discussões e atritos. Um casamento que já ultrapassa 15 anos.

Anos dourados
Por ter o poder financeiro, esta parceria ultrapassou as quatro linhas, com o presidente da cooperativa, Celso Barros, tendo participação importante na administração do futebol do Fluminense. Porém, com o patrocínio da Unimed, o Tricolor voltou a ser campeão brasileiro em 2010 e 2012, além de ter chegado a uma final inédita da Copa Libertadores em 2008, perdendo nos pênaltis para a LDU, do Equador, no Maracanã lotado.

Divergências
Muitas vezes o conflito de ideias tomou conta da relação. Último exemplo disso foi a definição da contratação do último técnico tricolor. A Unimed só investiria na contratação de um novo comandante caso o profissional fosse Renato Gaúcho. Prevaleceu a vontade da patrocinadora.

Astros do Flu pagos pela Unimed

Romário - Em 2002, parceira contratou o Baixinho, que estava no Vasco.
Beto - Chegou em 2002 com status de craque, mas pouco jogou no Flu.
Petkovic - Parceria ajudou a retirar meia do futebol árabe em 2005 para o Tricolor.
Thiago Neves - Com três passagens pelo Flu, meia foi destaque na Libertadores de 2008.
Darío Conca - Chegou ao Flu em 2008 e voltou em 2014 como ídolo tricolor.
Fred - Contratado em 2009, foi protagonista de todos os títulos recentes do Flu.
Deco - Chegou em 2010 e alternou momentos bons com muitas lesões.

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