Campeão pelo Flu no futebol de 7, Diego Bocão fala sobre vida de nômade da bola

Jogador, que atuou por Flamengo e Vasco no futsal, já passou até pela Arábia Saudita

Luiz Ferreira - 13/06/2011 - 19:34 Rio de Janeiro (RJ)

Bocão (Foto: Divulgação)

O futebol de 7 revela histórias únicas, como a de Victor Boleta, que jogou com craques como Romário e Marcelinho Carioca no futebol de campo, e a de Antony, que já passou pelo Azerbaijão e Rússia jogando futsal. Outro personagem interessante é Diego Bocão. O tricolor, que foi campeão estadual no último sábado (o Fluminense derrotou o Flamengo no shoot-out após empatar em 2 a 2 no tempo normal), já passou até pela Arábia Saudita.

Jesus, como era conhecido nos tempos em que o salão era seu foco principal, quando atuou por times como Flamengo e Vasco, fala em entrevista exclusiva ao LANCENET! sobre seu atual momento, além de comentar sua experiência de vida.


Bocão foi professor na Arábia Saudita (Foto: Arquivo pessoal)

LANCENET!: O Fluminense chegou ao jogo final invicto. A equipe já tinha a sensação de que era a favorita?

Diego Bocão: Na verdade não, porque cada jogo é diferente. Ambos os times já se conheciam pelos últimos jogos e pela convivência na Seleção Carioca. Foi um jogo de xadrez, e como não poderia ser diferente, decidido no detalhe.

LNET!: Qual foi esse detalhe? O que o Fluminense fez de diferente para conseguir a taça?

D.B.: Acredito que no final foi a união do grupo, a amizade e companheirismo que cada um tem pelos outros. Até porque empatamos no último lance do jogo, não deixamos de acreditar que poderíamos conquistar o título.

LNET!: E qual é o saldo do campeonato? Tanto em relação ao nível técnico quanto à organização. É necessária alguma melhoria? Alguma mudança para a próxima edição?

D.B.: O saldo é extremamente positivo, afinal fomos campeões. Mas acho que sempre pode melhorar um pouquinho. Poderiam aparecer mais colaboradores, porque o esporte está muito forte no cenário brasileiro e o Rio de Janeiro hoje é uma potência. Acredito que mudanças não, mas seria bom um incentivo maior dos meios de comunicação, um pouco mais de fé na modalidade.

LNET!: O Antony, artilheiro do Fluminense na competição com sete gols, veio do futsal e já jogou até no Azerbaijão. Você também tem uma história semelhante. Conte um pouco.

D.B.: Na verdade alguns dos meu companheiros de clube tem histórias parecidas, tentando a vida no exterior. A minha é um pouquinho diferente porque eu fui para a Arábia Saudita não para jogar futebol, mas sim para trabalhar na área de educação física, ensinar o nosso futebol e nosso estilo de jogo para as pessoal de lá. Posso dizer que fiquei bem surpreso com o resultado, muitos bons jogadores.

LNET!: Como é a vida por lá? Encontrou dificuldades com a cultura?

D.B.: A vida, se não fosse essas diferenças nos hábitos, na verdade seria muito fácil, porque estrangeiro, melhor dizendo, brasileiro, é tratado como celebridade em país que respira futebol também. Foi uma experiência muito diferente. A cultura não é nada parecida. No começo foi muito difícil, mas depois quando você se acostuma acaba que dá para administrar bem.

LNET!: Por que você voltou?

D.B.: Voltei porque na verdade senti muita falta do Brasil. Família, amigos e logicamente o futebol. Lá eu jogava duas peladas no máximo por semana e sentia muita falta. Apesar de ter toda uma estrutura para poder fazer o que quissesse, eu não era feliz. Acho que é por isso que muitos brasileiros acabam que não ficam muito tempo lá. É um país muito fechado, muito radical.

LNET!: Como você falou, os jogadores de futebol de 7 têm em comum essa vida de nômade da bola. Qual a razão disso?

D.B.: Acredito que não apenas do futebol de 7, mas de futebol em geral. Infelizmente o Rio de Janeiro não investe mais no futsal e acabam se perdendo muitos futuros craques por conta disso. O futebol de 7 está crescendo. Hoje em qualquer esquina se vê algum praticante da modalidade, por isso que os clubes e empresários deveriam investir mais no esporte. Fora do Rio, em São Paulo e Curitiba, por exemplo, o esporte paga, e paga bem. Deveria ser diferente porque atualmente o núcleo do society é aqui, onde estão os melhores jogadores.


LNET!: Você também disputa partidas de futsal pelo Fluminense. Jogar dois esportes diferentes ao mesmo tempo não causa mais desgaste e aumenta as chances de contusão?

D.B.: Com certeza, aumentam, na verdade multiplicam, até porque jogo quase todo dia. Tinha uma época que estávamos jogando sexta pelo futsal, sábado pelo futebol de 7 e domingo idem. Então segunda-feira era usada para remédios para dor e repouso. Mas o grupo é grande, acaba que dá para conseguir conciliar ambos.

LNET! Por que o Fluminense não cria um time para cada modalidade?

D.B.: Nós temos, alguns jogadores que são apenas do futsal, outros apenas do futebol de 7, mas têm os que jogam ambos, meu caso, por exemplo. Mas isto também vai até certo ponto, porque a falta de verba não ajuda muito. De qualquer forma, nossa comissão técnica é extremamente competente e corre atrás diariamente para tentar melhorar a situação.

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