Novo titular do Flamengo, Marllon é 'filho de três pais'

Em fase de afirmação, zagueiro visita a redação do LNET! e fala do início como titular e dos pais que têm importância em sua vida

Bruno Braga e Thiago Bokel - 20/06/2012 - 09:43 Rio de Janeiro (RJ)

Especial Marllon - Flamengo (Foto: Paulo Sérgio)

No passado e no presente, os pais vêm tendo importância crucial na trajetória do zagueiro Marllon, promessa que conquistou a titularidade recentemente no Flamengo e a confiança do técnico Joel Santana. Em visita à redação do LANCENET!, o garoto, de 20 anos, ainda desconhecido de grande parte da torcida, revelou detalhes da infância. Um deles chama a atenção: ele considera ter três pais.

Essa história começa quando Marllon era pequeno. A mãe, Rosemere, namorava com Marcelo. O relacionamento fez o menino de Bangu pensar que ele era o seu pai. Ela se separou e conheceu Pedro, que foi quem o criou. É com o padrasto que ele tem mais afinidade e mora até hoje. Contudo, o novo titular da zaga rubro-negra soube aos 15 anos que Paulo era o seu pai biológico.

- Se não fosse o meu pai (Pedro) bater o pé e me levar com mala e tudo para os testes no Cruzeiro, talvez eu não estivesse hoje no Flamengo. Antes, o pai de um amigo insistiu para eu fazer teste no Estácio - explicou Marllon, que tinha sido dispensado seis meses antes pelo Fluminense e pensou em desistir.

- Ele (o pai do amigo) me falou para não desistir, pois eu tinha potencial. Deu certo. Consegui ser capitão da equipe de juniores e agora estou no profissional. Foi dessa forma que eu consegui fazer os testes em Minas Gerais e hoje estou no Flamengo - disse Marllon, que ficou no Cruzeiro um ano e meio.

L! no Ar: Marllon sonha com afirmação na zaga do Flamengo

Ao tentar sair jogando e perder a bola no jogo contra o Santos, no domingo passado, Marllon quase matou o pai biológico, Paulo, que o cobrou sobre o lance que quase terminou com o gol do Peixe.

- Meu pai me deu uma bronca (risos). "Como que você vai sair jogando pelo meio?" "Fazer o quê?" Tentei me recuperar. A sorte é que o jogador tentou dar mais um toque e o González recuperou - lembrou o garoto.

No Flamengo, os pais se multiplicaram. Papai Joel tem acreditado no jovem defensor. Vagner Love, criado próximo ao zagueiro, em Bangu, Zona Oeste do Rio, o acolheu.

- O Love é gente boa. É um paizão para mim mesmo. Ele me chama de Bangu por eu e ele sermos de lá. Ele está sempre me abraçando e me tratando bem. Aliás, como faz todo o grupo - afirmou Marllon.

Com os pés no chão, o filhão Marllon espera ser o orgulho dos papais, conquistar de vez a confiança da torcida e a vaga
de titular do Flamengo.

ZAGUEIRO AINDA NÃO PERDEU

A julgar pelas estatísticas, Marllon pode dizer que está tendo um bom início no time profissional do Flamengo. Em oito partidas, não sabe o que é derrota e a defesa só foi vazada em quatro oportunidades - média de 0,5 por jogo.

- Entro em campo me cobrando para não tomar gol. Cada jogo que passa estão diminuindo (os gols sofridos). Estamos treinando para que não aconteçam - explicou.

A missão dada pelo técnico Joel Santana para Marllon não é das mais fáceis: melhorar a defesa, setor mais criticado nesta temporada. Surpreso pela confiança depositada pelo treinador, o jovem encara a vaga como a chance da vida.

- Não vejo como fogueira, mas como oportunidade. Eu entro nas partidas bem tranquilo. Paro para pensar no jogo depois - disse.

André Bahia foi o último zagueiro criado no Flamengo que conseguiu destaque no time profissional, em 2001. O Rubro-Negro, porém, tem tradição em revelar defensores de qualidade. Mozer, Junior Baiano e Juan são exemplos para o jovem se espelhar.

- Tomara que eu consiga chegar próximo desses jogadores. Estou trabalhando para melhorar a cada dia e me firmar no time do Flamengo - ressaltou Marllon.

BATE-BOLA COM MARLLON
Zagueiro do Flamengo, em entrevista exclusiva ao LANCENET!

Como foi o começo da carreira no futebol?
Comecei num campeonato de favelas da CBF. Tinha um olheiro do Fluminense. Fiz o teste e fui o único a passar. Mas acabei sendo dispensado e o pai de um amigo me deu força para eu recomeçar no Estácio. Depois, fiquei um ano e meio no Cruzeiro e acabei indo para o Flamengo.

Em quais zagueiros do passado e do presente você se espelha?
Eu gosto muito do Mozer e do Juan. Se eu conseguir ser 10% desses jogadores, vou ter uma boa carreira. Penso em um dia chegar lá, mas com os pés no chão.

Como você analisa as críticas pesadas em cima do Welinton?
Eu não gostaria de entrar em campo e tomar vaia. Não tem o que falar. É deixar quieto. Ele é amigo e está ali todos os dias.

Sente diferença em jogar no time profissional?
A cada jogo que eu entro, penso que é uma oportunidade. Não me vejo como titular certo. Trato essa oportunidade como de ouro para mim. Estou me dedicando.

O Joel tem um pouco de receio em colocar jovens. Sente isso?
Pelo que estou vendo, está dando oportunidade para todos. É uma geração muito boa. A cada jogo ele está colocando um jogador. Dependendo da posição. Temos de ter um pouco de calma. Na hora certa nós.

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