Jorginho retorna ao Fla como técnico: 'Vim para ser um grande vencedor'

Técnico assinou contrato até dezembro de 2014 e chega agradecendo Zico e se dizendo preparado para o desafio; Jorginho terá Aílton Ferraz, também ex-jogador, como auxiliar

Pedro Barboza - 18/03/2013 - 11:31 Rio de Janeiro (RJ)

Depois de ser anunciado no fim da noite deste domingo, o técnico Jorginho foi apresentado nesta segunda-feira, na Gávea, como novo técnico do Flamengo. Ele chega para substituir Dorival Júnior, demitido depois da derrota para o Resende por 3 a 2 na estreia da equipe na Taça Rio e não aceitar a proposta de redução salarial proposto pela diretoria.

Sorridente, ao lado do diretor executivo Paulo Pelaipe e do vice de futebol Wallim Vasconcellos, Jorginho se disse preparado para o desafio e se mostrou muito feliz em voltar ao Flamengo, onde atuou como jogador entre 1984 e 1989. Ele assinou contrato até dezembro de 2014.

- Esse clube é um grande vencedor, eu sou vencedor e vim para cá porque quero ser um grande vencedor. Quero agradecer a todos aqui, dizer da minha satisfação de estar retornando ao Flamengo, onde me tornei campeão brasileiro, carioca, e estive ao lado de Zico. Ele me ajudou muito nesse período aqui no clube, é uma alegria grande, um novo desafio - disse Jorginho, que já treinou Goiás, Figueirense e Kashima Antlers e foi auxiliar na Seleção Brasileira.

Com um time sem grandes estrelas, o sucessor de Dorival Júnior acredita que o momento é de análise do elenco para formar a equipe ideal para voltar a dar conquistas ao Rubro-Negro.

- Acho que é o momento analisarmos o potencial dos atletas que temos para formar a nossa equipe e dependendo da necessidade trazer reforços para o Campeonato Brasileiro. O Flamengo não vem de conquistas, é importante o Flamengo voltar a vencer e estamos aqui para tentar retomar essas conquistas.

Jorginho citou que o Flamengo passa por um momento de transição, elogiou a política de pés no chão da nova diretoria e explicou porque recusou treinar o Rubro-Negro em 2009 e 2012:

- A grande mudança é que eu estava livre, sem compromisso. Em 2009 estava na Seleção e decidi que seria impossível assumir o Flamengo e estar na Seleção. Era inviável, naquela oportunidade tive a chance, mas não deu. No ano passado tinha um compromisso com o Kashima até dezembro - lembrou o novo treinador, que mesmo desempregado no início do ano, não ficou parado esperando uma oportunidade para treinar um clube:

- Passei alguns dias no Real Madrid e, principalmente, Barcelona. Vi muitas coisas interessantes. Não é questão de um sistema tático definido, é uma filosofia de trabalho bem definida desde o garoto com oito anos até chegar ao profissional. É algo extremamente positivo, há uma proximidade entre todas as categorias. Não adianta o treinador pensar só no profissional, pois todo trabalho deve ser feito para o clube, para o futuro do clube. A filosofia do clube é importante e quem sabe se conseguirmos implantar isso no futuro seria importante. O mesmo pensamento dos garotos até os profissionais.

Jorginho chega acompanhado de Aílton Ferraz, também ex-jogador do Flamengo, que será seu auxiliar-técnico. Ele já comanda o primeiro treino nesta segunda-feira à tarde, no Ninho do Urubu, e estreia no Carioca no próximo sábado, contra o Boavista, no Engenhão. Ainda sem uma comissão técnica definida, o novo treinador deixou o assunto com Paulo Pelaipe:

- Isso deixo por conta do Paulo, temos alguns nomes para a preparação física, mas isso é uma coisa do clube, pois tem o interesse em contratar um grupo permanente. Temos bons profissionais dentro do clube e vamos analisar cada um - disse.

Aílton, Wallim, Jorginho e Pelaipe: confiança na nova filosofia (FOTO: Paulo Sérgio/LANCE!Press)

Já acostumado com a pressão vinda das arquibancadas, o novo treinador rubro-negro garante que as passagens pela Seleção Brasileira e  Figueirense o fizeram amadurecer mais para assumir o Fla.

- A Seleção é algo ao exrtremo em relação a pressão, assim são os grandes clubes, e conheço bem isso. No Flamengo não é fácil. Esse período de Seleção e o Figueirense mostraram como trabalhar com isso. Hoje estou muito mais maduro do que a época de Figueirense, América, Goiás e acredito que estou muito mais preparado para assumir o Flamengo.

 O vice-presidente de futebol Wallim Vasconcellos deu as boas vindas a Jorginho e Aílton, exaltando o passado rubro-negro da dupla, e aproveitou para agradecer o trabalho de Dorival, demitido depois de não aceitar uma proposta de redução salarial - o técnico ganhava cerca de R$ 750 mil mensais no Rubro-Negro.

- Fica o agradecimento ao Dorival pelo serviço prestado ao Flamengo, ele ajudou o time nesse período. Não houve intransigência, e sim uma negociação, ele foi flexível, mas não conseguimos chegar ao patamar que o Flamengo pode se comprometer. A questão das derrotas não foi a razão. É contra nossa filosofia tirar treinador por causa de uma derrota. Agora temos a felicidade de contar com Jorginho e Aílton, estamos felizes de trazer de volta ao Flamengo dois grandes ídolos e temos certeza de que serão bem sucedidos dentro de campo - afirmou o dirigente.

Jorginho chega com aval de Zico, que faz parte do conselho gestor do futebol e é consultado sobre decisões importantes da pasta. Durante a última semana, Jorginho foi procurado por clubes brasileiros, entre eles o Criciúma, que estava disposto a pagar um salário de R$ 150 mil. Um outro grande do futebol nacional também apresentou uma oferta ao treinador. Desempregado desde o fim do ano passado, Jorginho aproveitou o período para fazer um intercâmbio nos espanhóis Barcelona e Real Madrid.

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