Zinho, em despedida: 'Vai demorar para essa nova diretoria obter sucesso e eu não quero pagar a conta do início'

Ex-diretor executivo rubro-negro diz que seu nome está no mercado e que a 'guerra' entre os vice presidentes atrapalha o crescimento do clube

Pedro Leanza - 28/12/2012 - 10:56 Rio de Janeiro (RJ)

Coletiva do Zinho  - (Foto: Paulo Sergio)

Um dia após Patricia Amorim se despedir como presidente do Flamengo e entregar o bastão a Eduardo Bandeira de Mello, foi a vez de Zinho comunicar oficialmente a sua saída do Rubro-Negro. O agora ex-diretor executivo do clube da Gávea concedeu uma entrevista coletiva nesta sexta-feira, no Ninho do Urubu, em Vargem Grande, e revelou que não continuará no clube por não poder exercer o mesmo poder que tinha na gestão de Patricia, agora sob o comando de Bandeira. Segundo o ex-dirigente, o profissionalismo falou mais alto do que a paixão pelo Rubro-Negro.

- Eu preferi não permanecer no cargo, pois eu não teria a caneta para assinar, não teria a última palavra. Não iria continuar exercendo a função que exerci neste ano. Para eu continuar, seria necessário ter o mesmo cargo e, no mínimo, a mesma remuneração (o salário de Zinho era de R$ 100 mil). A parte financeira não era o principal, mas posso dizer que o meu profissionalismo falou mais alto do que o meu amor pelo Flamengo. Vai demorar para essa nova diretoria obter sucesso e eu não quero pagar a conta do início - comentou.

Zinho explica saída do Fla: 'Pelaipe me enfraqueceu'

Na gestão de Eduardo Bandeira de Mello, Paulo Pelaipe irá exercer a função de Zinho, que teria de aceitar redução salarial para continuar na Gávea, como gerente de futebol. De acordo com o ex-diretor, a chegada de Pelaipe realmente o enfraqueceu no clube.

- Brinquei com o Paulo Pelaipe, dizendo que ele me derrubou, e isso realmente aconteceu. A chegada dele me enfraqueceu bastante, pois eu não teria mais poder de decisão dentro do clube. Mas, apesar de qualquer fato, a verdade é que eu tenho uma boa relação com o Pelaipe, trabalhamos juntos no Grêmio - disse Zinho, que aproveitou para dizer que poderá assumir o cargo de diretor executivo de futebol em qualquer outro clube:

- Meu nome está no mercado. Sei que fiz um bom trabalho e mostrei minha competência a todos. Vou fazer cursos, pois gostei dessa função. Posso trabalhar em qualquer outro clube, estou saindo com a cabeça erguida. Tenho reconhecimento na rua, sempre fui verdadeiro e saio sem nenhuma mancha no meu trabalho. Gostaria de permanecer, mas só se tivesse o mesmo poder que tive nesse ano. Seria até melhor continuar, já que iniciaria do zero, desde o início de uma temporada. Quem sabe no futuro eu volte ao Flamengo.

Após sete meses à frente do futebol rubro-negro, Zinho revelou também que o Flamengo convive diariamente com um turbilhão político. Segundo o ex-dirigente, a própria cúpula de futebol do clube não se entendia, o que atrapalhou bastante o crescimento do Flamengo.

- Eu não entro em questão política do clube, isso é um turbilhão. Não dou nome aos bois, a própria cúpula de futebol do Flamengo não se entendia, essas guerras internas atrapalham o crescimento do clube, Não aponto vilão algum - disparou.

PERDA DE WELLINGTON SILVA PARA O FLUMINENSE

Zinho conta em detalhes bastidores do caso Wellington Silva

Em relação à saída de Wellington Silva do Flamengo, Zinho fez questão de detalhar o assunto, além de dizer que sempre foi verdadeiro com o lateral-direito, diferentemente do jogador:

- Não contratei o Wellington. Cheguei no dia 11 de maio, quando ele já tinha sido contratado. Não tinha um pré-contrato feito caso o Flamengo decidisse adquirir. Chamei o Wellington Silva, dois empresários vieram me procurar, os escutei dizendo que eram empresários do jogador. Fui perguntar ao atleta e, para minha surpresa, ele falou que não era nem os dois e nem o que trouxe ele para o Flamegno. Era uma terceira pessoa. O Flamengo queria o Wellington Silva. Quando cheguei da Índia, ele me ligou, preocupado. Encontrei com ele num shopping da Barra da Tijuca, entrou dentro do meu carro, foi buscar comigo meu filho no colégio, tenho amizade. Tinha amizade. Perguntei a ele: quer jogar no Flamengo? Ele disse que sim. Falou que ia sair e conversar com os representantes dele. Até hoje não me ligou. Estou aqui. Poderia pelo menos me ligar, agradecer e dizer que preferiu fechar com outro clube. Eu sempre fui verdadeiro, queria que ele também tivesse sido comigo.

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