Goleiro Felipe, exclusivo: 'Ninguém fica feliz sem jogar'

Goleiro rompe silêncio e fala ao LNET! pela primeira vez sobre o período que vive no Fla. Sem polêmica, quer voltar ao time titular

Bruno Braga - 12/07/2012 - 07:27 Rio de Janeiro (RJ)

Felipe - Treino do Flamengo (Foto: Cleber Mendes)

Em outros momentos da carreira Felipe já teria chutado o balde e pedido para sair por não aceitar a reserva. Parecendo viver uma fase mais madura, o goleiro de 28 anos vem sendo banco de Paulo Victor desde que teve dengue, em maio, mas encara o período de dificuldades como um desafio. E é com o mesmo comportamento que fez a diretoria assinar por quatro anos e dar à torcida segurança novamente no gol que ele espera retomar a vaga de titular em breve. Sair do clube não passa por sua cabeça, mas ficar na reserva não o deixa confortável.

Calado desde a semifinal da Taça Rio, contra o Vasco, última partida que jogou, Felipe quebrou o silêncio e falou sobre os momentos difíceis pelos quais passou em 2012. Em entrevista exclusiva ao LNET!, o camisa 1 garante que não vai desistir de construir sua história no Flamengo, e fala sobre a relação com o técnico Joel Santana e os boatos de que estaria sem clima no elenco.

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- O futebol é dinâmico. Eu sai do time por doença, não foi por deficiência técnica. O Flamengo não se esforçou para assinar por quatro anos à toa. As pessoas sabem do que eu posso fazer. Hoje eu não estou jogando, mas daqui a quatro rodadas tudo pode mudar. Vou continuar trabalhando, a não ser que falem para eu procurar outro clube - disse Felipe, que depois de um ano de marcas expressivas, como a de melhor goleiro do Estadual 2011, a conquista do Campeonato Carioca de 2011 invicto e sete pênaltis defendidos em uma temporada, acabou machucando a cabeça e pegando dengue.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

Como esta a sua situação no Flamengo?

- Eu fico chateado de não jogar, mas vou continuar trabalhando sem criar problema. Estavam esperando eu arrumar um problema faz tempo porque eu não estou jogando. Sei do meu potencial e não preciso provar mais nada para ninguém. Não foi à toa que o Flamengo me comprou. Se eles não confiassem em mim, eles não fariam isso. Foi uma opção do treinador. Vou respeitar.

Está insatisfeito na reserva. Vai sair?

- Assinei por quatro anos e a minha ideia é ficar no Flamengo e reconquistar o meu espaço. Ninguém fica feliz sem jogar. E eu não estou feliz, mas não é por isso que eu vou deixar de treinar e cumprir as minhas obrigações. Vou esperar uma oportunidade, quando ela aparecer, eu possa voltar bem e voltar ao time.

Felipe fez seu último jogo com titular contra o Vasco, na Taça Rio 2012,
no qual foi acusado de falhar (Foto: Alexandre Loureiro)

E se receber uma proposta?

- Meu pensamento agora não é sair. Tive propostas. Ficar no banco não é demérito para ninguém. O próprio Marcos já ficou. Depois que eu parei de jogar, fui procurar saber qual seria a minha situação. Falaram que o técnico contava comigo. E a diretoria também. Aquilo já bastou. Goleiro só joga um. O que está jogando agora está jogando bem. O futebol é dinâmico. Eu saí por doença, não foi por deficiência técnica. As pessoas sabem do que eu posso fazer. Hoje eu não estou jogando, mas daqui a quatro rodadas tudo pode mudar. Vou continuar trabalhando, a não ser que falem para eu sair.

Está sem clima no clube?

- Eu não estou sem clima, porque eu falo com todo mundo. Uns ou outros tenho mais afinidade. O pessoal vê que eu não participo do bobinho e acha que eu estou sem clima. Nunca participei no Flamengo, porque no Corinthians acabei me machucando.

Qual a relação com Joel?

- É tranquila. Ele é o treinador e está nos ajudando. Se ele vai sair ou não, é com a diretoria. Existe muita fofoca. Falaram que ele ia cair desde a Libertadores.

Está esperando uma chance?

- Todo mundo quer uma chance. Ano passado tive um ano maravilhoso e esse ano eu comecei bem. E acabei saindo por lesão. Vou buscar o meu espaço. Vou continuar trabalhando para, quando aparecer, justificar que realmente eu poderia estar jogando.

A declaração do Paulo Victor dizendo que não era o seu amigo o surpreendeu?

- Ele que falou, não é? Eu falo com todo mundo. Sem problema nenhum. Como ele falou: ele não vai na minha casa. Eu não vou na casa dele. Nem por isso ele falta com o respeito e eu vou faltar. Cada um sabe do seu lugar. Cada um quer buscar o seu espaço. Eu acho ele um grande goleiro, é por méritos que está jogando agora. Esse negócio de amizade é de profissional mesmo. Sabemos que o Carné e Cesar também podem entrar no Flamengo.

Como está fisicamente?

- Treinar nunca é igual a jogar, mas o Cantarele vem fazendo trabalhos simulando jogos. Se for para jogar, não vai ter nenhum problema.

Qual o seu maior sonho?

- Voltar a atuar pelo time e conquistar a Libertadores.

Goleiro levanta a taça do Carioca de 2011, no qual foi decisivo (Foto: Paulo Sérgio)

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Teve problema com Ronaldinho no Flamengo. Ele te chamava mesmo de mão de pau?

- Isso foi criado. O Love e o Renato sempre chamam os goleiros de mão de pau. Quando o Renato vai chutar de direita, nós falamos que ele só tem direita para acelerar o carro. Mas quando o Ronaldo falou, falaram que eu estava criando problema com ele. O Ronaldo já estava naquela fase de briga com o Flamengo. Se eu tivesse problema, não convidaria ele para o aniversário da minha filha. Só convidei ele, o Thiago Neves, o Willians e o Egídio. Ele sempre me respeitou. O Renato chama a gente de Ortobom. Minha cama. O Love fica gritando que o gol está vazio. É brincadeira de treino que acontece.

Esperava passar por tantos problemas?

- Aconteceram coisas que normalmente não aconteciam. Eu me machuquei duas vezes neste ano. Eu tomei uma porrada na cabeça no Estadual e fiquei três jogos fora, o negócio da dengue que eu fiquei um mês parado. São coisas que não são comuns de acontecer numa temporada. Na passada, fiquei afastado apenas de um jogo por lesão. Complicado. E agora essa situação de não jogar. Eu fico chateado.

Há alguma coisa que o tem desagradado?

- Mesmo de fora o pessoal não consegue me esquecer. Vejo notícias dizendo que eu não falo com atletas, que eu estou afastado, que estou chateado. Não tive problema com ninguém. Essa semana saiu uma matéria dizendo que eu era o terceiro goleiro. Na segunda parte do treino fui treinar finalização até para pegar mais ritmo de jogo. O pessoal acaba falando muita coisa e me deixando chateado. Não sabem realmente o que está acontecendo, e acabam publicando várias coisas. É a primeira entrevista que eu estou dando após três meses.

E o estado de saúde de seu Pai?

- Depois dos exames, foi constatado que o problema no joelho do meu pai é artrose, não um tumor. Foi um alívio para mim. Ele vai vir ao Rio para o Runco cuidar e para saber quando vai precisar operar.

E como vê o time do Flamengo para o Brasileiro. Cáceres e Ramon chegaram. Diego ou Riquelme estão cotados. Será que o time vai melhorar daqui para frente?

- Tomara. O Cáceres está chegando, o Ramon, o Diego já tive a oportunidade de trabalhar com ele na Seleção Brasileira de base. Fomos campeões sul-americanos juntos. O Flamengo está se reforçando no início do campeonato. Isso é bom para deixar o elenco mais forte para conquistar o objetivo que é ser campeão.

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