Bruno tem sonho humilde na cadeia: gelo e coxinha

Noiva do goleiro preso falou com exclusividade sobre a vida do ex-camisa 1 do Flamengo na cadeia

Emerson Silva
Rodrigo Mandarini
Do MAIS
- 17/04/2012 - 11:38 Rio de Janeiro (RJ)

Ingrid Calheiros, noiva do ex-goleiro Bruno (Foto: Rodrigo Mandarini)

Goleiro do Flamengo, pretendido por equipes de ponta da Europa, com salário milionário, carros importados e morando numa mansão. Dois anos depois, a realidade de Bruno é dura e choca quando detalhada por sua noiva, Ingrid Calheiros, que falou pela primeira vez com a imprensa, em entrevista exclusiva ao jornal "Mais". O ex-goleiro do Flamengo, agora, é faxineiro no presídio Nelson Hungria, em Contagem (MG), onde cumpre pena por envolvimento no desaparecimento de sua ex-amante Eliza Samúdio.

- Para você ver como é a vida: um cara que tinha tudo, rico, famoso e agora está fazendo faxina em uma penitenciária - lamenta a amada do ex-camisa 1 rubro negro.

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A rotina de restaurantes caros, festas com belas mulheres e ostentação chegou ao fim de maneira radical. Uma prova disso é o primeiro desejo que Bruno tem para quando deixar a prisão:

- Ele disse que quer comer uma coxinha de frango com catupiry e uma garrafa de Coca-Cola bem gelada. Ele não tem isso lá. Não pode entrar nenhum líquido escuro e não pode entrar nada recheado. Ele me disse que o que mais tem saudade é de água gelada. E a gente não dá valor a isso. Nem filtro ele tinha lá - revela.

BATE-BOLA
Ingrid Calheiros
Noiva de Bruno

Como é a rotina dele na cadeia?
O Bruno tem acordado todos os dias às 5h da manhã, distribui o café para os presos e depois é preso novamente. Ele fica o dia inteiro ocupado, tem o futebol à noite, tem os cultos, está sempre com a cabeça ocupada. Ele está bem.

A saúde dele está normal?
Ele perdeu 12 quilos quando foi preso. Hoje, felizmente, recuperou tudo. Está bem. Consegui entrar com um filtro para ele beber água. Ele bebia da bica. Cansei de mandar remédio para curar doença de pele por estar tomando água suja.

A relação com os outros presos é boa?
Ele é querido pelos presos, pelos agentes, pela diretoria. O Bruno às vezes me pede tênis para dar aos outros presos, pede material esportivo. Outro dia ele me pediu um tênis 39. Eu perguntei para quem era, já que ele calça 43. Ele disse que era para uma rapaz gente boa, amigo dele de lá, que não tinha tênis para jogar futebol. E ele pede sempre com tanto carinho: "Pode ser qualquer um, pede para alguém!". Como é que ele acha que eu vou me virar (risos)? Trabalho muito para conseguir as coisas para ele e ela dá para os outros (risos). Ele sempre foi assim, de ótimo coração.

Ele se converteu na prisão? Isso é comum de acontecer, né?
Ele nunca soube como orar, então eu passei a mandar algumas orações nas cartas que eu envio para ele. Peço também para ele escrever para mim. Às quartas, é o único dia que tem culto lá na igrejinha. Então, ele fez um pacto com Deus, que sempre que tiver culto no horário do futebol, ele vai para o culto. Com isso, ele está levando todo mundo para a igreja, não tem mais o futebol. Ele está carregando o pavilhão inteiro para a igreja. É sempre assim, a gente só procura Deus na dor. No amor, não lembramos dele.

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