Contra o Bangu, Vagner Love relembra seu passado

Na infância, Artilheiro do Amor dançava lambada para conquistar as meninas. Neste domingo, precisará do gingado para vencer

Bruno Braga - 01/04/2012 - 07:02 Rio de Janeiro (RJ)

HOME Especial Vagner Love (Foto: Cléber Mendes)

Vânia saía de Sandá, sub-bairro Bangu, para levar Vagner, seu irmão, para treinar na escolinha do Bangu, no campo de terra de Moça Bonita. Em meados da década de 90, o garoto ainda não tinha Love como codinome e não poderia imaginar que, em 2012, iria se tornar o jogador mais importante do Flamengo, o clube para o qual escolheu torcer. E neste domingo, apostando na boa fase do atacante, este mesmo Flamengo encara justamente o Bangu, às 16h, no Moarcyrzão.

A infância de Vagner na Zona Oeste do Rio foi humilde, mas digna. Dona Jaira, a mãe, era enfermeira do Hospital Salgado Filho, no Méier, e passava o dia no trabalho. Assim como pai, Ivan, que era gari. Os dois batalhavam para criar o menino, que já demonstrava potencial. A companheira no início foi a irmã mais velha, Vânia. A ajuda, no entanto, não se limitava à educação. Os ensinamentos se estendiam para as conquistas. Vagner acabou pegando fama de mulherengo.

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Vânia ensinava Vagner a dançar lambada, ritmo que fazia sucesso no início da década de 90. Foi com essa habilidade que o garoto chamava a atenção das meninas, que adoravam dançar com ele. Com a mesma habilidade, Vagner usa seu gingado para deixar os zagueiros para trás.

– Era o ritmo do momento. Nós gostávamos muito. Por ele saber dançar, ajudava com a mulherada. Ele gostava da música, “Dançando lambada", do Beto Barbosa – lembra Vânia, que também adotou o apelido.

Num dos aniversários de Vagner, a mãe queria cortar o bolo, mas o aniversariante tinha sumido. Quando acharam, ele estava agarrado com uma menina. Isso aos seis anos.

– Vagner era muito namorador – relembra Vânia, rindo.

Descobridor de Love mostra habilidade com a bola nos pés

De volta ao clube do coração, ele está tendo de usar todo o molejo para comandar o Fla. Aliás, está dançando praticamente sozinho. E para o Fla não perder o passo no Carioca, mais do que nunca precisará dele. A única dança que os torcedores querem ver hoje é das comemorações do artilheiro. Quem sabe em ritmo de lambada, para reviver os tempos difíceis de Love em Bangu?

AVERSÃO INICIAL AO APELIDO

Hospedado em um hotel em São José dos Campos para a disputa da Copa São Paulo de Juniores de 2003, Vagner Love foi pego pelo técnico Karmino Colombini com uma mulher em outro andar. No começo, o treinador puniu o atacante, mas logo foi demovido da ideia. A história vazou para a imprensa e acabou se tornando uma marca do atacante.

– Foi o Milton Neves (jornalista) que o apelidou. No começou ele não gostou, achou que iria prejudicá-lo, mas acabou chegando a essa coisa de Artilheiro do Amor. Ele fez 30 gols em um campeonato e acabou que virou um sobrenome da família – contou Vânia.

- O Flávio Prado brincou nos corredores da Jovem Pan sobre “Vagner Love”. Eu, captei e no ar, “batizei” na TV no Terceiro Tempo da Record. O Flávio levantou a bola e eu fiz o gol. O Love sempre fala que eu “consagrei” o apelido, mas o Flávio também tem “culpa”. E na TV nasceram Vagner Love Fan, Somália Love Fan, Vampeta Love Fan, Fabão Love Fan e etc - explicou o jornalista Milton Neves.

ESTREIA FOI CONTRA O BANGU

Curiosamente, Vagner Love estreou com a camisa do Flamengo num jogo contra o Bangu. Naquela partida, válida pela terceira rodada da Taça Guanabara de 2010, o atacante fez os dois da vitória sobre o time que começou (2 a 1). Era o início de uma histórias de muitos gols pelo Fla.

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