2004 - Atenas

Período: 13 a 29 de agosto
Países participantes: 201
Atletas: 10.625 (6.296 homens e 4.329 mulheres)
Brasil: 16º lugar
Esportes: 28

NÚMEROS DO BRASIL
Atletas: 247 (125 homens e 122 mulheres)
Esportes: 18
Medalhas: cinco de ouro (Robert Scheidt, vela classe laser; Torben Grael e Marcelo Ferreira, vela classe star; Emanuel Rego e Ricardo Alex Santos, vôlei de praia; equipe masculina de vôlei de quadra; Rodrigo Pessoa, hipismo, montando Baloubet du Rouet), duas de prata (Adriana Behar e Shelda, vôlei de praia e equipe feminina de futebol) e três de bronze (Leandro Guilheiro, judô na categoria até 73kg; Flávio Canto, judô até 81kg; Vanderlei Cordeiro de Lima, maratona).

O fair-play de Vanderlei Cordeiro de Lima emocionou todos ao redor do mundo

Em 2004 os Jogos Olímpicos voltaram para casa, 108 anos após os Primeiros Jogos da Era Moderna em Atenas. Para lá, onde os Jogos se iniciaram, tanto na antiguidade quanto na era moderna, dirigiram-se pela primeira vez na história todos os países do mundo com um comitê nacional olímpico, no total de 201 nações e quase 11.000 atletas, durante o período de 13 a 29 de agosto de 2004, disputando 28 esportes.

Após um difícil período de controvérsias, sobre e capacidade da Grécia de realizar os Jogos, causado pelo atraso nas obras planejadas pela organização do evento, Atenas contou com uma popularidade nunca antes observada nos Jogos Olímpicos. Mais de 3,7 bilhões de pessoas em todo o mundo acompanharam as competições ao vivo, além da novidade da transmissão também ao vivo pela Internet em alta velocidade, realizada por algumas grandes redes de comunicação.

O Brasil também levou a Atenas sua maior delegação da história, com 247 atletas. Além do tamanho recorde, o esporte brasileiro também trouxe para casa o maior número de medalhas de ouro ganhas em uma edição dos jogos, cinco, quebrando o recorde estabelecido em Atlanta 96, com 3 ouros. O Brasil também contabilizou mais duas medalhas de prata e três de bronze, somando um total de 10 medalhas. Foi registrado um salto qualitativo no desempenho do país, com 20 disputas de medalha em Atlanta, 22 em Sydney 2000 e 30 em Atenas, um aumento de 36%. Nas disputas diretas por medalhas de ouro, o aumento foi de 41%. Em Sydney foram 17, enquanto Atenas exibiu 24. Por causa disso, o Brasil teve a melhor colocação no quadro de medalhas de sua história de participações, ficando em 16º.

O momento mais dramáticos dos Jogos foi, como em outras edições, a maratona. O brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima liderava a prova com 25 segundos de vantagem sobre o segundo colocado, o italiano Stefano Baldini, quando aproximadamente na marca dos 36km foi seguro por um fanático irlandês. Até que pudesse ser socorrido pelos espectadores ali presentes, Vanderlei perdeu muitos segundos, além de ter o ritmo de prova completamente quebrado. Por causa disso, em pouco tempo foi ultrapassado por Baldini, vencedor da prova, e pelo norte-americano Mebrahtom Keflezighi, que ficou com a prata.

O COB ainda tentou, em vão, protestar junto à Federação Internacional de Atletismo (IAAF) e ao Comitê Olímpico Internacional (COI), pedindo que Vanderlei também ganhasse a medalha de ouro. O COI optou por dar a Vanderlei a Medalha Pierre de Coubertin de mérito olímpico. Antes dele, apenas o velejador austríaco Hubert Raudaschl havia recebido essa honraria ao abandonar a disputa de sua regata em Seul 88 para salvar uma pessoa que havia caído no mar.

Naquele dia, o Brasil já havia ganhado uma medalha de ouro com a seleção masculina de vôlei, a quarta do país em Atenas e a segunda do esporte em sua história, sendo a primeira em Barcelona 92. O judô brasileiro, que tradicionalmente traz bons resultados em Olímpidas, deu a primeira medalha, de bronze, com o leve Leandro Guilheiro e a segunda, também de bronze, com o meio-médio Flávio Canto.

Outro esporte do Brasil de grande tradição nos Jogos Olímpicos, a vela, foi responsável pelo primeiro ouro, com Robert Scheidt, na classe laser, tornando-se o segundo atleta brasileiro na história a conquistar o bicampeonato olímpico, assim como fizera Adhemar Ferreira da Silva no salto triplo em Helsinque 52 e Melbourne 56. O ouro trouxe tranquilidade a Scheidt, que, campeão em Atlanta 96, perdeu a primeira colocação na última regata em Sydney 2000, ficando com a prata.

O feito se repetiu alguns dias depois, com os também velejadores Torben Grael e Marcelo Ferreira conquistando o bicampeonato na classe star, que já haviam levado em Atlanta.

O quinto ouro do Brasil só viria, porém, um ano após o encerramento dos Jogos. Na montaria de Balouber du Rouet, o cavalo que havia refugado quatro anos antes, eliminando o cavaleiro da disputa por medalhas, Rodrigo Pessoa ficou com a medalha de prata na competição individual de saltos do hipismo. Esse foi o terceiro pódio olímpico consecutivo no esporte (em Atlanta e Sydney a equipe brasileira conquistou o bronze). Ao final dos Jogos, a Federação Equestre Internacional (FEI) anunciou que haviam sido encontradas substâncias proibidas no exame antidoping de Waterford Crystal, cavalo do irlandês Cian O'Connor, ganhador da medalha de ouro. O'Connor seria desclassificado e o brasileiro herdaria então o primeiro ouro olímpico do hipismo nacional.

Medalha dos Jogos
de Atenas (2004)
CURIOSIDADES

- Antes dos Jogos de Atenas, pela primeira vez a tocha olímpica deu a volta ao mundo, passando por países de todos os continentes antes de voltar a Atenas.

- A cubana Yumileidi Cumba tornou-se a primeira atleta campeã olímpica no sítio sagrado de Olímpia, 1.500 anos depois do último grego, ao vencer o arremesso de peso feminino.

- As piscinas pertenceram ao norte-americano Michael Phelps, o novo fenômeno da natação, que conquistou seis medalhas de ouro num total de oito ganhas, tornando-se o maior dos nadadores olímpicos depois do lendário compatriota Mark Spitz.

- A Argentina ganhou suas primeiras medalhas de ouro após um hiato de 52 anos, no basquete masculino – derrotando os profissionais norte-americanos da NBA na semifinal – e no futebol.

- O marroquino Hicham El Guerrouj, depois de duas olimpíadas frustadas tentando a vitória, finalmente tornou-se campeão olímpico não só na sua prova principal, os 1500m, quanto também nos 5000m. Depois dos jogos, Hicham foi eleito para membro do Comitê Olímpico Internacional.

- A China mostrou seu poderio de potência olímpica, em preparação para os Jogos de Pequim em 2008, ganhando 32 medalhas de ouro num total de 63 e colocando-se só atrás dos Estados Unidos no ranking de medalhas.

HERÓI DOS JOGOS - MICHAEL PHELPS

Michael Fred Phelps estreou aos 15 anos em Jogos Olímpicos, nas Olímpiadas de Sydney, tendo obtido o quinto lugar na final dos 200m borboleta. Cinco meses após os Jogos, aos 15 anos e 9 meses de idade, bateu o recorde desta mesma prova, tornando-se no mais novo nadador a bater um recorde mundial de natação.

Michael Phelps, porém, iria fazer história quatro anos depois, em Atenas. Ele conseguiu a extraordinária marca de oito medalhas em 2004, sendo seis delas de ouro (100m e 200m borboleta, 200m e 400m medley, 4x100 medley e 4x200 livre) e outras duas de bronze (200m livre e 4x100m livre), igualando o feito do russo Alexander Dityatin, estabelecido em Moscou-80.

Seus títulos internacionais, junto com seus vários recordes mundiais, fizeram com que ele fosse chamado o Nadador do Ano por três vezes, em 2003, 2004, e 2006.

O domínio de Phelps é comparável ao de Mark Spitz, que ganhou 7 medalhas de ouro nas Olimpiadas de 1972, recorde mundial.

Em 1º de Abril de 2007, conquistou o sétimo título nos Campeonatos do Mundo, em Melbourne na Austrália, batendo o recorde mundial dos 400 metros.

O nadador tem o seu corpo adptado para os esportes aquáticos. Se uma pessoa dividir a sua altura pelo comprimento da sua cabeça até o seu umbigo o que conseguimos é, normalmente, a medida de 1,618. Phelps tem o quociente de mais de 1,7, ou seja, Michael é desproporcional: tem braços excepcionalmente compridos (uma envergadura de 2 metros e um comprimento de 1,92 metros), além de pernas curtas e pés de 29 centímetros. Só faltam as barbatanas...

 

   

 

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